XX - Capítulo

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Durante meses eu imaginei como seria o reencontro com o garoto que tornou as minhas férias - por assim dizer - especiais. Imaginei que nós pudéssemos nos esbarrar na rua. Ou quem sabe, numa fila de mercado. Ou até na próxima viagem que eu fizesse para a cada da minha avó, que seria daqui a dois anos.

Mas como diz, a realidade pode nos surpreender. Nunca, mas nunca que se passou pela minha cabeça que eu encontraria aqueles lindos olhos verdes durante uma viagem da escola. Por um momento até pensei que se passava de uma alucinação, coisa que a minha cabeça criava para poder me manter ligada a ele.

Esfreguei os olhos com uma força desnecessária, como se aquilo apagasse o que meus olhos viam. Mas assim que tornei a abrir os mesmo, eu pude perceber que aquilo não era um sonho, mas sim, um pesadelo. Daqueles que você quer esquecer.

Não sei se foi a surpresa ou o susto. Mas eu simplesmente fugi. Isso mesmo, pedi "licença" para os meus amigos e me retirei da mesa. Ao sair a cadeira arrastou no piso de mármore, fazendo com que todos os alunos me encarassem. Não olhei para o rosto de nenhum deles, apenas corri, sem destino,só que o mais longe dali.

Esbarrei em funcionários,e quase cai da escada enquanto descia. Quando eu finalmente consegui chegar a entrada suspirei de alivio.
Avistei um pouco mais a frente algumas flores, que variavam entre diversas cores e estilos. Caminhei até elas - ainda um pouco atordoada, e percebi que no meio dessas flores havia uma trilha. O chão era cheio de ladrilhos e eles, indicavam o caminho por onde a pessoa deveria ir. Não havia nenhuma placa que indicasse perigo, então, eu me aventurei. Desviando de cada espinho que aparecia no meu caminho eu consegui chegar ao destino final. E o que eu encontrei,foi uma linda praia.

A areia contrastava com a água límpida e com o pôr do sol, que insistia em aparecer. Fazendo com que aquela praia não fosse somente uma entre tantas outras, mas sim, uma em especial.

Esgotada psicologicamente, e se sentindo confusa, acabei optando por sentar na areia e descansar a cabeça nos joelhos. Um simples suspiro foi o necessário para que uma avalanche de lágrimas escorre pelos meus olhos.

Chorei pela saudade sentida durante meses. Chorei por me sentir sozinha. Chorei pela alegria de tê-lo reencontrado. Mas chorei, principalmente, por saber que aquele momento não iria durar muito tempo. Eu precisava fazer escolhas, que implicariam e muito na minha vida. Mas não me sentia suficientemente preparada para tal coisa.

Até que sinto alguém sentar ao meu lado, mas não me viro para olhar. Ouço um pigarreio seguido de um suspiro, mas novamente ignoro.

- Pode ter certeza de que eu estou mais surpreso do que você ! - Ele quebra o silêncio.

Silêncio.

- Você não vai falar nada ? - Questionou impaciente.

Mais uma vez, o silêncio.

- Eu não tenho nenhum texto pronto para dizer. No máximo, uma frase que se constitui em: Eu senti saudades.

- Não posso negar que também senti saudades. - Finalmente consegui formular uma frase. - Só eu sei o que se passou aqui dentro. - Pressionei a mão no coração sentindo as lágrimas caírem e manchar o vestido azul turquesa que usava.

- Posso imaginar. - Fungou baixinho. - Porque eu passei o mesmo.

Eu precisava acabar logo com aquilo, não podia ficar adiando o inevitável.

- Durante esse tempo muita coisa mudou. Eu me reinventei, passei a priorizar as minhas necessidades e a questionar o que valia a pena e o que podia descartar... - Uma grande quantidade de ar entrou nos meus pulmões, me fazendo parar de falar. E isso foi a deixa para que ele perguntasse.

- Como assim descartar ?

Desviei os olhos daquele mar furioso para os olhos verdes que me encavam exigindo uma explicação. Uma brisa fez com que os cabelos dele se tornassem um emaranhado de fios me obrigando a arruma-los, mas eu me contive. E me limitei a responder.

- É isso mesmo que você está pensando. - Mais uma lágrima escorreu.

- Me diz que não é o que eu estou pensando! - Se exaltou. - Você se apaixonou por outra pessoa ? - Questionou com medo da resposta.

- Sim, eu me apaixonei por outra pessoa. - Confirmei.

- Eu posso saber o nome dele ? - Observei os seus punhos se fecharem e os seus dedos ficarem brancos.

- Pode, o nome dela é Camila. - Pela testa enrugada e pela confusão em seu rosto pude perceber que ele não havia entendido nada.

- Que ? - Perguntou querendo uma explicação.

- Esse meio tempo em que ficamos separados me fez refletir muito. Eu pensei na minha vida, nas minhas escolhas. Enfim, em tudo. - Desviei dos seus olhos e observei o mar. - E decidi,que o melhor para nós dois, seria cada um seguir o seu caminho...

- Não, eu vou deixar ! - Ele segurou os meus ombros me virando para si, pegou o meu rosto com as duas mãos, fazendo com que o meu olhar caísse sobre os seus olhos. - Por favor, não faz isso. Não me diga que o nosso romance, envolvimento ou seja o que for isso vai acabar aqui. Eu não vou suportar !

Lágrimas e mais lágrimas desciam pelos seus olhos.

- Infelizmente acabou. - Tirei suas mãos do meu rosto. - Agora eu vou seguir o meu caminho e eu quero que você siga o seu. Quem sabe um dia nós voltaremos a nos ver.

Com cuidado beijei a sua bochecha e me levantei.

Andei somente alguns metros antes de ouvir um grito.

- Camila, eu te amo !

Olhei e o vi chorando no chão da praia.

- Eu também, bem mais do que você possa imaginar. - Sussurei baixinho.

O futuro agora é incerto, a única certeza que eu tenho, é a de que eu nunca vou estar realmente livre do meu passado.

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Me diga - ( EM ANDAMENTO) Histórias para pegar e não largar. Descubra agora