- Vocês não podem ! Não podem desligar os aparelhos ! Eu não vou deixar fazerem isso com o meu filho ! - Mãe ? Eu conheço essa voz, é da minha mãe. Porque ela tá gritando ? O que tá acontecendo ? Porque eu não consigo me mexer ? Mãe,mãe...
- Senhora,já se passaram cinco meses e não há sinal de que ele acordará em breve. Sei da sua dor,mas não podemos esperar mais tempo,há outras pessoas precisando desse leito. - Cinco meses ? Como assim leito ? Alguém me explica !
- Meu bem,se acalma. Não vai adiantar nada ficar nervosa agora. Eu vou conversar com o médico e ver o que eu posso fazer. - Pai , é o senhor ? O que tá acontecendo ? Porque eu não consigo me mover ?
- Eu vou precisar que vocês saiam,os batimentos cardíacos dele estão aumentando. Precisamos aplicar uma injeção para acalma-lo. - Não, você não vai aplicar nada. Me solta ! Meu Deus o que tá acontecendo,porque eu não consigo me mexer ? Eu não lembro de nada...Que sono,moleza no corpo.Acho que vou dormir !
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Sinto o sol batendo no meu rosto. Meus pés estão um pouco gelados,e a minha coberta parece fina demais para me aquecer. Minhas costas doem,como se eu tivesse ficado numa determinada posição por muito tempo. Começo a esticar os dedos,meus ossos parecem que a qualquer momento vão quebrar.
Minha boca está seca e os meus olhos se recusam a abrir. Consigo abrir por um breve momento e fechar novamente. O sol incomoda,pisco algumas vezes e tento novamente. Consigo abrir e observo ao meu redor.
Estou num hospital,ao meu lado esquerdo uma poltrona vazia e uma porta que deve ser o banheiro,ao lado direito uma janela enorme. Na minha mão tem alguns fios conectados, não faço a mínima ideia para que servem.
Tento chamar alguém,mas a minha voz não vem. Cada vez que forço ,vem uma vontade de tossir muito forte. O jeito é esperar que alguém apareça e veja que estou acordado.
10 minutos depois...
- Filho ! - Minha mãe apareceu na porta e correu pra me abraçar. Ela chorava alto,e agradecia aos céus por eu estar bem. - Você tá bem ? Tá sentindo alguma dor ?
- A...Ag...Água. - Disse e respirei fundo. Todo o meu peito doía.
- Água,espera aí ! - Ela abriu um armário lateral que até então eu não havia visto e tirou de lá um copo com água. Levantou a minha cabeça e me ajudou a beber. De gole em gole a minha garganta refrescava,e quando já estava no segundo copo,avisei que estava bom.
- É tão bom ver que você está bem,graças a Deus ! Eu fiquei tão preocupada. Seu pai está no serviço e daqui a pouco vem.
- Eu também estou feliz em ver a senhora ! - Abracei a minha mãe. Porque aquele seria o meu abraço preferido da vida. - Mãe,o que aconteceu ? Porque eu estou aqui no hospital e cheio de aparelhos ?
- Ah,meu filho ! - Desceu uma lágrima do rosto da minha mãe. - Se você não estivesse tão machucado eu mesma te bateria. Fiquei sabendo que você participava de corridas ilegais !
Abaixei a cabeça e não tive coragem de encarar minha mãe.
- Parece que você não se dava bem com um dos corredores. Só havia vocês dois na pista,então ele jogou o carro pra cima de você,e...- Soluçou sem terminar a frase. - Quero nem pensar nessa cena. Só quero agradecer a Deus por meu filho estar bem.
- Com licença ! Estou interrompendo ? - Um homem vestido com um jaleco branco entrou no quarto. - Pelo que vemos o jovem corredor já está bem melhor ! - Sorria enquanto segurava uma prancha na mão.
- Sim senhor,obrigado por ter cuidado de mim !
- Sem problema meu jovem,esse é o meu trabalho . - Respondeu enquanto mexia no soro. - Como está se sentindo ?
- Meus ombros e costas ainda doem. Mas estou pronto pra mais uma !
- Não está não,nunca mais ! - Negou minha mãe.
- Que bom,preciso fazer alguns testes ! - Bateu no meu abdômen. - Sente dor aqui ?
- Não senhor.
- E aqui ? - Perguntou enquanto balançava meu braço.
- Não,está tudo normal.
- Ótimo. Isso é muito bom ! - Tocou minha perna e meu pé. - E aqui ? Sente alguma coisa ?
Não sei se era o efeito da anestesia,ou algo que colocaram,mas eu não sentia nada.
- Não,eu não sinto nada. - Observei os meus pés na ponta da cama,tentei levantar um dos dedos que fosse,mas eles não se moviam.
O médico me encarou e pegou uma agulha no bolso. Começou a passar por todo o comprimento da perna e sempre perguntava o que estava sentindo. Cócegas ou algo do tipo. Mas não,eu não sentia absolutamente nada. Da metade da coxa pra baixo,paralisou tudo.
- Vou marcar alguns raio-x pra que possamos ver as farturas causadas pelo acidente. Nada de mais,só um exame de...rotina ! - Distribuiu um leve sorriso e saiu apressado.
- Mãe,porque eu não consigo mover minha perna ? Porque meus dedos não se mexem ? - Tentei levantar as pernas com a mão.
- Calma meu filho,não se desespere. Deve ter sido efeito da anestesia,afinal,você passou quase três meses em coma. - Ela sentou do meu lado e me abraçou.
-Espero que seja isso,eu espero ...
- Eu estou tão feliz por ver você bem! - Pegou minha mão e apertou.
- Mãe, ela... ela tá sabendo? Digo, do acidente? - Não consegui encarar minha mãe enquanto aguardava a resposta.
- Não filho. Ela ainda está na Irlanda, não telefonou em nenhum momento. Sei que a irmã dela comentou sobre o acidente, mas não obtive resposta. Eu sinto muito!
- Não mais que eu! - Encostei a cabeça no travesseiro e respirei fundo.
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Toc... Toc...
A batida na porta fez com que eu abrisse os olhos, não percebi que tinha dormido.
- Olá bela adormecida! Finalmente acordou!
- Olá Isa, como vai? Tudo bem? - Me sentei com cuidado na cama.
- Eu que pergunto se tá tudo bem! Eu estou ótima, e você? - Fechou a porta e sentou na poltrona que antes estava minha mãe.
- Estou vivo, o que já é ótimo. O resto, eu vejo depois.
- Eu contei pra ela, sinto muito! Mas ela precisava saber...
- Não devia ter contado, o que ela vai fazer? Lá do outro lado do mundo enquanto eu estou aqui numa cama de hospital! - Encarei seus olhos,que lembravam muito o de sua irmã.
- Mas ela está ...
- Não, não precisa falar mais nada, não quero saber dela. Por favor, eu imploro.
- Ok, eu respeito, mas não concordo. Preciso ir, tenho algumas coisas para resolver. Até mais Diego!
- Até mais Isa!
Me deu um abraço apertado e saiu fechando a porta.
A única coisa agora que me preocupava eram as minhas pernas e nada mais.
Toc... Toc...
- Esqueceu alguma coisa Isa? - Tirei os olhos da janela e encarei a pessoa que passava pela porta.
- Não, não esqueci nada. Ao contrário, vim recuperar o que perdi!
- Mi... Mila?!
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Desculpem a demora pra postar, voltei a trabalhar e por isso não tenho tempo de escrever.
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Me diga - ( EM ANDAMENTO)
RomanceCamila viaja nas férias pra casa da avó,que fica no Rio de Janeiro. Mas o que ela não esperava nessa viagem,era conhecer o grande amor da sua vida, Diego. Infelizmente o namoro não acaba durando muito tempo,e eles terminam, voltando cada um pra sua...
