XXVIII - CAPÍTULO

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Ela

-Pronto, já peguei tudo o que faltava. Agora posso ir embora! - Finalizei fechando o zíper da última mala. - Me dá um abraço ?

Mabel levantou da cama e correu para os meus braços. Eu iria sentir falta desse país, das comidas típicas, dos lugares que visitei. Das pessoas que conheci da família da Mabel e de alguns amigos seus, que agora eram meus amigos também.

- Eu vou sentir sua falta, dos brigadeiros e das coxinhas que você fazia! - A família dela viciou no brigadeiro brasileiro,se eu fazia churrasco eles queriam de sobremesa. Se fazia aniversário, tinha brigadeiro, se fazia bolo, recheio de brigadeiro.
Depois de um tempo fazendo chocolate comecei a ficar enjoada, foi então que ensinei a coxinha. Eles amaram e sempre me pediam para ensiná-los. No dia que estavam todos em casa, começamos a montar uma verdadeira fábrica de coxinhas. Enquanto um fazia a massa, o outro fazia o recheio. Depois passava para outro que recheava e por fim fritava.

- Sabia que você é uma interesseira? - Gargalhei alto. - Também vou sentir muita saudade de vocês ! - Abracei mais forte ainda.

- Eu só não te peço pra ficar, porque eu sei que você não ficaria...

- Como assim Mabel, lógico que...

- Eu sei que você tá morrendo de saudade dele,e que não vê a hora de voltar ao seu país e ver se ele tá bem ! Se você decidisse ficar aqui, não poderiam ficar juntos.

- Eu nem sei se vamos ficar juntos, tá tudo tão... Complicado! - Sentei exausta na cama.
Esses dias não estão sendo fáceis, desde o dia que minha irmã mandou uma mensagem, a alguns meses atrás, falando sobre o estado de saúde do Diego, não consegui me concentrar em mais nada.
Na aula as notas começaram a decair, fiquei mais desanimada, triste. O difícil não foi saber que ele estava ruim numa cama de hospital, o difícil foi saber e não poder ir ajudar. Mesmo se eu pegasse o primeiro avião em direção ao Brasil, não iria adiantar muita coisa. Então, fiquei na Irlanda. Todo dia minha irmã me atualizava sobre o estado de saúde dele. Não era lá muito animador, mas eram as únicas notícias que conseguia receber.

1°dia
12:00PM... Ele está ruim, o corpo tá todo cheio de marcas. A coisa foi bem feia.

3°dia
A enfermeira dele diz que os pais dele vem quase todos os dias, mas principalmente a mãe. Que aparece aqui assim que o sol surgi no horizonte.

45°dia
Os médicos estão preocupados, já era pra ele ter acordado.

60° dia
Todo dia eu vou ver o Diego, mas até agora não obtive nenhuma notícia animadora. Eu fico tão triste em ficar dando notícias ruins. Mas se eu não der nenhuma notícia você reclama.

90° dia
Os médicos estão querendo desligar os aparelhos, os pais do Diego foram contra a decisão. Estavam querendo fazer com que eles assinassem um acordo a força, mas a sorte que a mãe dele armou um barraco e não deixou que fizessem isso.

96° dia
Prima, você não vai acreditar,ele acordou! Tô tão feliz.

Depois dessa última mensagem, meu coração disparou. Saber que ele tinha acordado depois de todos os médicos duvidarem da sua melhora, aliviava o meu coração.
E agora eu iria poder voltar, ver como ele está e cuidar dele. Isso, se ainda aceitar minha ajuda. Estou tão insegura, o medo de ser rejeitada me assombra.

Depois de tudo pronto, me despedi da minha família temporária, entrei no carro e parti para o aeroporto que me levaria direto para o Brasil. Para a minha casa.

*****
Assim que o avião pousou no Brasil, peguei o primeiro táxi e parti em direção a minha casa. Assim que adentrei a porta percebi que não havia ninguém. Larguei a mala de qualquer jeito no quarto, alcancei as chaves do carro do meu pai e parti em direção ao hospital.
No meio do caminho liguei pra minha irmã,que me atualizou sobre o horário de visitas. Se conseguisse correr um pouco mais chegaria a tempo.Ultrapassei sinais vermelhos e acelerei ao máximo para chegar a tempo.
Assim que parei o carro no estacionamento desci correndo em direção a recepção. Por sorte, o quarto onde ele estava hospedado ficava no primeiro andar. Não precisaria subir milhares de lances de escada.
Percebi o momento em que minha irmã entrava no quarto para falar com ele. Ela também notou a minha presença, sorriu timidamente e entro pra falar com ele.

***

Era angustiante esperar naquele corredor de hospital, as paredes brancas, os médicos andando pra lá e pra cá, visitantes chegando e saindo. A aflição e o medo que antes não havia durante a viagem de avião veio a tona.

A porta se abriu e minha irmã apareceu.

-Vai lá! É sua vez. - Encostou a porta.

- Será que ele vai ficar bravo? - Minhas mãos soavam e eu passava elas na calça jeans.

- Com certeza, ele já está bravo. Mas ele ainda ama você. É nítido nos olhos dele! Agora anda logo.

Abracei ela apertado e abri a porta.

- Esqueceu alguma coisa Isa? - Ouço a pergunta assim que entro.

- Não, não esqueci nada. Ao contrário, vim recuperar o que perdi! - Parada na porta e com as mãos na frente do corpo. Os pés balançavam para frente e trás.

- Mi... Mila?! - Sussurou com os olhos regalados.

- Oi, eu voltei! - Realmente as palavras tinham sumido da minha boca.

- É...eu percebi..

- Você está feliz por me ver?

- Feliz não seria a palavra certa para descrever tal sentimento. Mas não posso dizer que é de todo ruim..

É, pelo jeito só 10 minutos de visita não seriam suficientes. E 10 anos também não.

Me diga - ( EM ANDAMENTO) Histórias para pegar e não largar. Descubra agora