XI - Capítulo

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Aos poucos,fui me acalmando. Sequei o rosto com as mãos e me soltei da cintura dele.

- Desculpa Mila. - Ele segurava a minha cintura sem a intenção de soltar.

- Eu...só quero...quero saber o porque. Porque não podemos ficar juntos ? - Será que eu fiz algo que magoou ele ? Disse alguma coisa sem sentido,ou que seja,ofensiva ? Eu preciso saber o que aconteceu,não posso simplesmente dizer adeus sem saber o real motivo pra aquilo.

- Meus pais,antes de virmos pra cá,venderam a casa que morávamos. Mas parece que a pessoa que comprou a casa,tem pressa em se mudar. Por isso,precisamos voltar uma semana antes. Pra poder arrumar as coisas e se mudar pra casa nova. - Se calou.

- De qualquer jeito...teríamos que nos separar. - Murmurei baixinho.

Mesmo que eu esteja triste com tudo o que está acontecendo,sabia que teria que fazer isso,uma hora ou outra.

- Eu sinto muito. - Ele realmente está triste. Dava pra ver em seus olhos que ele não queria isso,tanto quanto eu.

- Você por acaso,contou pra alguém antes de me contar ?

- No dia em que voltamos do clube,a sua avó me parou no portão. E me perguntou porque eu estava tão nervoso. Eu disse que os meus pais queriam falar comigo mas eu não sabia o que era.
Depois,no dia em que nos voltamos da praia,ela me parou no portão e perguntou sobre o que meus pais queriam falar comigo. Contei da viagem e ela só me disse : "Não magoe ela,porque isso,pode ainda não ter sido o fim." Eu não disse nada e voltei pra casa... - Olhou pra água e depois pra mim. - Você não sabe como eu fiquei,durante dias eu tentava arrumar um jeito de falar com você. Eu fui covarde de não ter te contado antes,mas é que... - Parou um pouco e secou uma lágrima só rosto. - Eu não conseguia,era difícil...

- Como você fez pra criar coragem e falar comigo ?

- Eu não podia guardar esse segredo por muito tempo. Então,achei melhor te falar antes que ficasse sabendo por outras pessoas.

Me levantei e tirei seus braços de mim. Sequei as lágrimas novamente,e tentei me acalmar.

- Eu acho...na verdade,eu tenho certeza. - Tirei uma mecha de cabelo do meu rosto e segurei o choro. - Os dias que tivemos juntos,foram os melhores de toda a minha vida. Você me protegeu,me mostrou o verdadeiro significado da palavra AMAR. E eu só tenho a agradecer...

Era difícil falar,mas eu precisava,era necessário.

- Não se ache covarde,de jeito nenhum...você teve pelo menos a decência de se explicar,e isso,é algo de extremo valor. Sei que posso confiar em você de olhos fechados,mesmo com tudo o que aconteceu... Não queria que tudo acabasse assim,mas é o melhor jeito para ambas as partes. Vou tentar seguir a minha vida,faça o mesmo com a sua...Até mais.

Beijei sua bochecha e me virei.

- Mila ! - Voltei o meu olhar ao dele e esperei ele falar.

- Oi ?

- Eu te amo. - Disse soluçando.

- Eu também te amo. - Corri o mais longe dali.

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Despedaçada. Era assim que eu me sentia. Já havia se passado mais de uma semana,mas nada havia mudado.Meu coração ainda se negava a aceitar o fato, de que não teria mais volta o meu romance com o Diego.
E que aquele,era o fim de algo. Que nem teve a chance de existir.

Eu não fazia mais nada,a não ser,chorar. Passava horas e horas trancada no quarto. Não via ninguém,e nem fazia questão,de fazer contato com qualquer pessoa que fosse.

Escondida de tudo e de todos,lamentava o fato,de as coisas não serem do jeito que queremos que elas sejam.

Porque era tão difícil ?

Será que eu não tenho o direito de ser feliz ao lado de quem eu amo ?

Sem resposta pras essas perguntas,deitava a cabeça no travesseiro e chorava.As pequenas gotas que escorriam pelo meu rosto, caiam no travesseiro,que agora,tinha uma pequena mancha.

Procurei pelo quarto e achei um pedaço de papel de cor parda. Usando uma caneta com uma tintura meio gasta,passei a rabiscar palavras. Que se uniram formando um pequeno poema. Que tentava,de todas as formas,definir o que eu sentia naquele momento.

Lágrimas da meia-noite

Na calada da noite
Descanso os meus pensamentos
Transbordo de emoção
E líbero os meus sentimentos

No refúgio da madrugada,
O meu amigo é o silêncio.
Me consolo solenemente
Pra esconder esse lamento.

A tristeza consome
É difícil de suportar
Esse sentimento desconhecido
Impossível de se explicar

Deitei novamente e chorei.

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O dia da minha partida pra São Paulo chegou depressa.
Me despedi de meus avós e dos meus tios,pais da Luiza. Que não conseguiram me ver por eu estar sempre trancada no quarto.

Achei bom o Diego não ter aparecido,porque eu não queria voltar a olhar pra ele. Mesmo eu estando magoada com tudo o que tinha acontecido,ainda o amava muito,e eu não sei se suportaria olhar em seus olhos sem sentir o coração palpitar no peito.

Voltei pro meu quarto pra buscar a mala,e encontrei minha prima mexendo nos bolsos laterais.
Ela tentava fechar o zíper que estavam emperrados,e quando conseguiu,suspirou aliviada. Achei estranho. Mas apenas entrei e perguntei:

- Luiza,O que você está fazendo na minha mala ? - Ela vibrou com o susto,e se virou fazendo a sua melhor cara de inocente.

- Oi prima... tudo bem ? - Ela desviava o olho pra mim e pra mala.

- Tudo,mas o que está fazendo aqui ?

- É...eu...eu vim te dar um abraço. - Pulou no meu pescoço e me abraçou. Ela gaguejou. E isso,só afirmou o quanto ela estava nervosa.

- Me dar um abraço ou mexer na minha mala ? - Me soltou.

- Acontece...que você esqueceu a sua sandália e eu resolvi colocar na mala antes que fosse tarde.

- Sei... - Mesmo não acreditando na "desculpa da sandália" desculpei ela. Era meu último dia no Rio,e eu não queria ir embora brigada com ninguém.

- Vou sentir saudades. - Falei soluçando.

- Também,mantenha sempre o contato. Me mande mensagens,sinais de fumaça,qualquer coisa. Só não se esqueça de mim. - Ela tentava rir,mas as lágrimas denunciavam a sua tristeza.

- Pode deixar. - Abracei ela uma última vez,e saímos juntas até a sala,pra encontrar os meus pais e a minha irmã.

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Me diga - ( EM ANDAMENTO) Histórias para pegar e não largar. Descubra agora