Epílogo (Luísa)

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A campainha da casa de Solange tocou. Era Carol.

– Estava esperando você – disse Solange.

– Me esperando? – perguntou Carol.

– Exatamente! – respondeu Solange.

– Isso é algum tipo de ironia? – se defendeu Carol.

– Carolina, sei que você é uma mulher inteligente, que está louca para ter sua mulher de volta e eu sou uma mulher experiente que sabe exatamente o que está passando pela sua cabeça. Sendo assim, não podia esperar que você ficasse sentada na areia da praia, olhando sua mulher cair nos braços de outra pessoa – disse.

– Que bom que você entende, então! – disse Carol.

– Senta. Aceita um suco, uma água? – ofereceu Solange.

– Aceito uma água, obrigada – agradeceu Carol.

– Mas diga lá, em que posso ajudá-la – dispôs-se Solange.

– Vou direto ao assunto, pois não pretendo tomar muito seu tempo. Eu sou completamente apaixonada pela Luisa, sou louca por essa mulher e quero saber qual a sua relação com ela – questionou.

– Carolina, gostaria de deixar claro, antes de qualquer coisa, que tanto eu como a Luisa somos pessoas livres, desimpedidas, adultas, capazes de tomar decisões e que não precisamos dar satisfação das nossas vidas a absolutamente ninguém. Vou responder à sua pergunta, não porque te deva satisfação, mas porque quero ver Luisa feliz. Mas, se eu fosse você, seria um pouco menos arrogante, já que sua situação não é das melhores – despejou Solange.

– Desculpe. Então, vamos fazer isso pela Luisa – disse Carol com tom ameno.

– Isso, porque se temos algo em comum, é ela – concluiu Solange, continuando. – Bom, Carolina, a Luisa é uma mulher forte, mas que tem acumulado fracassos na vida pessoal, o que faz com que ela se proteja demais, inclusive das ousadias. Acho que ela é apaixonada por você, que te ama de maneira pura e incondicional. No entanto, você há de convir, que pisou muito feio na bola e que, para ela, isso foi fatal. Ela acreditou em você, assumiu você por achar que era diferente das outras, mas você rompeu o contrato. Eu até entendo que a carne é fraca, que muitas vezes a gente mete mesmo os pés pelas mãos por um rabo de saia, mas a Luisa é uma menina dentro de uma mulher. Uma menina medrosa, que treme só de pensar que vai ter que sair por aí juntando seus próprios cacos. Quanto a nós, eu e ela, fique tranquila, somos apenas amigas e garanto a você que não foi por falta de tentativas minhas – riu Solange.

– Você está me dizendo que está dando em cima da minha mulher, assim, com essa cara? – perguntou Carol, rindo.

– Carolina, minha querida, ela não é mais sua mulher e você, mais do que eu, inclusive, sabe quem é Luisa e como ela é encantadora – respondeu Solange.

– Você tem toda razão. Eu tenho bom gosto. Seria até estranho se você não tivesse se sentido atraída por ela – concordou.

– Pois então! – confirmou Solange.

– Solange, você acha que eu tenho alguma chance de consertar essa burrada? – perguntou Carol.

– Primeiro me responda o que você fez com a mulher com quem você a traiu – questionou Solange.

– Foi realmente uma aventura, nada além de sexo. E se resumiu a quatro noites regadas a muito vinho. Mas não havia nenhuma ligação mais estreita. Era apenas sexo para ambas e, quando a Lu descobriu, perdi totalmente o tesão – respondeu Carol.

– Bom, como eu já disse, acho que ela é louca por você. Mas você vai precisar ter muita paciência para fazer um trabalho de formiguinha, de conquistar a confiança dela diariamente. Esteja preparada para ouvir infinitas vezes que você a traiu. Assuma suas culpas sempre que for acusada disso. Não a pressione, dê espaço a ela. Ela acha que não ser infantil é provar que é capaz de resistir a você. Fique atenta ao tempo dela. Não queira apressar as coisas, nem tente recuperar o tempo perdido. Vá com calma. E não deixe essa mulher fugir, porque ela vale a pena – falou Solange.

– Nem sei como lhe agradecer, Solange. Obrigada mesmo – disse Carol, abraçando Solange.

– Não precisa agradecer. Só me faça um favor: não magoe esta menina, senão, dessa vez, eu não vou te perdoar. Juízo, dona Carolina – decretou Solange.

– Pode deixar! – disse Carol dirigindo-se à porta.

– Ah! Carol, se eu fosse você, voltava na praia agora e ia ver um pouco o mar – falou Solange.

– Entendi. Obrigada! – disse Carol.

Assim que chegou à praia, Carol viu Luisa sentada de frente para o mar. Foi caminhando em sua direção sem que ela pudesse vê-la. Sentou ao seu lado, calada. Até que Luisa se virou e cruzou seu olhar com o dela.

– Carol, eu não vou conversar, não quero falar com você – disse Luisa.

– Tudo bem. Não vim aqui para te forçar a nada, só vim ver o mar – explicou Carol.

– Justamente aqui, nesse lugar? – agrediu Luisa.

– O mar, perto de quem se ama, assume contornos diferentes. Diminui sua inconstância e até o horizonte parece nos revelar novas possibilidades – respondeu ela.

– Será? – perguntou Luisa.

– Não sei, só saberemos se tentarmos.

Por AcasoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora