Carter Reynolds - Parte I

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Acordei meia noite com um barulho esquisito. Olhei na direção da janela e vi algumas pedrinhas voando na direção dela. Bufei tirei minhas cobertas, abrindo a janela e vendo um ser de casaco encapuzado.

- Você não cansa? - olhei para o dono das pedrinhas. Carter tirou o capuz e sorriu.

- Não quero desistir de você assim, tão rápido.

- Carter, entenda que já acabou. Não tem mais nada entre nós. - Eu disse, bufando e fechando a janela. Ele voltou a tacar pedrinhas. Se meus pais acordassem ele viraria sushi. - Carter paraaa - Abri a janela, enquanto ele ria. - Meus pais vão te matar.

- Não tenho medo deles, Julie. Na verdade eles são ótimos sogros.

- Ótimos ex-sogros. E PARA DE ME ATORMENTAR. EU TO COM SONO.

- E eu com saudades. - ele fez cara de chateado.

- Seria ótimo se você pensasse nisso antes de ter feito o que fez.

- Eu já pedi desculpas. Eu tava bêbado e carente.

- "Eu tava bêbado e carente" - imitei a voz dele. Fail. - Posso fazer nada se você encheu a cara por motivos ridículos.

- Você tinha me esculachado.

- Tínhamos brigado. Hey, não era só eu que tinha humilhado. Você disse coisas horríveis de mim. Não pensa que me engana com essa cara de japinha fofinho, que eu te conheço muito bem.

- Eu gosto de você.

- E eu gostava de você. Agora... vê se me esquece e volta para aquela vadia.

- Eu não tenho nada com ela. Eu juro que nem encostei nela.

- Encostou sim.

- Eu não transei com ela, acredita em mim! - Ele revirou os olhos. - Você chegou na hora que eu tava empurrando ela. Ela que me agarrou.

- Aham, senta lá Cláudia. - Falo em português.

- Para de falar português, caralho... você não vai acreditar em mim?

- Nunca.

- Então acabou? - Mesmo distante eu vi que aquele tom era de choro e que seus olhos brilhavam de tristeza.

- Já estava acabado. - Eu disse, fechando a janela, as cortinas, e voltando a dormir, com um enorme peso na consciência.

Peso porquê, se ele foi quem traiu?

Bem, vou resumir: vim do Brasil, nos conhecemos e começamos a namorar, depois de um tempo eu e ele namorávamos, eu o peguei bebendo exageradamente. Brigamos, discutimos, até tapas rolaram. Quando ele ficou sóbrio, ele me pediu desculpas e disse que tinha bebido porque havia se metido em confusão. O perdooei.
No nosso aniversário de nove meses, rolou uma briga no bar em que estávamos com ele e o garçom. Brigamos de novo, ele pediu perdão, eu aceitei.

Quando completamos um ano e sete meses, o que foi há duas semanas atrás, fomos numa festa comemorar depois de termos brigado. A briga foi muito feia, mas nos resolvemos e depois a ideia da festa surgiu. Ele começou a beber e se perdeu de mim, e quando eu fui procurá-lo, SUPIMPA. Ele estava no banheiro feminino com uma garota horrenda, totalmente puta, aos agarros e sei lá o que mais. Quando ele me viu, ele a empurrou e me olhou assustado, mas tarde demais, já tinha saído de lá fazia tempos. Nem fui pra casa naquele dia. Fiquei em uma praça, chorando até amanhecer, e depois de um tempo fui pra casa. Meus pais quase o estrangularam quando eu contei o que havia acontecido. Mas eu disse que já tinha me resolvido com ele e que era por conta das bebidas.

É, você deve estar pensando "mas ele não bebe", isso porque você nunca viu. Ele bebe sim, mas raramente. Mas ultimamente no nosso ex-namoro ele extrapolou, e eu ficava me perguntando, "será que sou eu?", mas nunca achava a resposta.

Imagine | Old MagconHistórias para pegar e não largar. Descubra agora