Omaha Squad - Jack J

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 Droga, pensei. Abri os olhos e pisquei algumas vezes para estabilizar a visão. Olhei no relógio do criado mudo; 8:32 AM. Ótimo. Quem ousa ligar aqui a essa hora da madrugada de um sábado?

- Alô. – Falei sem vontade alguma.

- Lilly? É a mamãe. – Disse ela e eu pude ouvir o sorriso em sua voz.

- Ah. Oi. Mãe, eu tô dormindo. Posso te ligar depois?

- Na verdade, não. – Maravilha! – Eu e seu pai estamos indo para a agência de viagem agora. Eu queria ter certeza de que você não mudou de idéia e não quer ir conosco. – A esperança em sua voz era quase tangível. Mas não, obrigada. Essa eu passo.

- Londres, hã? Não, obrigada. – Fiz uma careta. Aposto que ela pode ouvir a mudança de expressão facial. Credo. Odeio Londres.

- Vamos, filha. Vai ser ótimo. – Será que ela não cansa?

- Não, mãe. Desculpe. Você sabe que eu odeio Londres.

- Eu poderia insistir até você aceitar, você sabe disso, mas seu pai está me apressando. – Sua voz murchou. - Mas você vai à Miami, não é? – A esperança em sua voz voltou.

- Claro. Miami sim. Londres não.

- Ótimo! – O entusiasmo voltara. – Te ligo depois. Seu pai está mandando um beijo.

- Tá. Manda outro pra ele. Diga que eu o amo. Tchau, mãe. Beijos, até depois. Eu amo você.

- Sim. Beijos. Eu também. Muito. Tchauzinho, bebê.

E ela desligou. Olhei automaticamente para o lado. Ali estava ele, lindo como um anjo, dormindo, me matando com aquela regata branca puída pelo uso e uma cueca samba-canção. Suspirei pesadamente e virei para o outro lado, me cobrindo. Adormeci.

Acordei com um baque surdo. Olhei na direção do barulho. Maravilha, ele caiu da cama - de novo.

- Inferno. – O ouvi esbravejar. Sorri involuntariamente ao ouvir sua voz.

- Acho que vou ter que comprar um berço pra você. – Eu disse e minha voz estava rouca de sono. Ri um pouco; parte pela quase piada e outra pela minha voz.

- Ha-ha. – Disse ele, a ironia sendo cortada por um bocejo. – Droga, eu realmente acho que dessa vez quebrei o cóccix. – Disse ele novamente, levantando e massageando a bunda. E que bunda, pensei. Ele sentou na cama e coçou os olhos por um tempo.

Olhei para o relógio – 11:07 AM. Sentei e cocei a cabeça. Soltei o rabo de cavalo que prendia meu cabelo e tirei os tic-tacs que prendiam minha franja pra trás, abrindo a gaveta do criado mudo e jogando os acessórios ali.

- Bom dia. – Disse eu. Johnson abriu os olhos (acho que ele dormiu sentado; não seria a primeira vez) e sorriu pra mim. Incrível como ele consegue ser lindo até mesmo com a cara inchada e ter dentes perfeitamente brancos quando acorda. Tudo nele é absurdamente convidativo para mim. Eu estou me perdendo... Por causa dele. Eu sempre me perco em seus olhos, seu cheiro. Droga, Johnson, qual é o seu problema?

- Bom dia, linda. – Respondeu ele simplesmente, o que me causou tremores até o último fio de cabelo.

Droga.

Levantei-me e fui ao banheiro – só eu, Johnson e os bolsos de nossos pais sabem o quanto custou para que tivéssemos um banheiro só pra gente. E esse quarto – se é que se pode chamá-lo assim. Peguei minha escova de dente e coloquei creme dental. Após alguns segundos, ele entrou no banheiro e fez xixi. Ele tem uma bexiga e tanto, vou te falar. Não sei como consegue demorar tanto para fazer xixi! Deus o abençoe. Terminei de escovar os dentes e ele de fazer suas necessidades, er. Joguei um pouco de água fria na cara, para acordar e desinchar o rosto. Enquanto ele colocava creme dental na escova, fui fazer xixi.

Imagine | Old MagconHistórias para pegar e não largar. Descubra agora