V

470 21 0
                                        

"Eu não aguentava mais esconder o que eu estava sentindo por Veronica, eu precisava desabafar, a saudade que eu sentia daquela mulher durante esse maldito recesso era algo surreal. A dor que eu sentia no meu peito toda vez que eu me lembrava daquele rosto angelical era algo inexplicável, uma dor totalmente nova. Eu nunca acreditei naquelas bobagens de paixão à primeira vista, sempre achei essa história clichê demais, infantil demais, porém, infelizmente eu fui obrigada a admitir que esse fenômeno havia acontecido comigo na primeira vez que botei meus pés naquele colégio, e para piorar, por uma mulher não inalcançável como Verônica.

Estávamos voltando para a rotina do curso na segunda-feira, eu precisava falar sobre minha suposta paixão por Verônica para alguém, eu não tinha tanta intimidade com meus amigos, então se depois que eu contasse sobre Verônica eles resolverem se afastar de mim, creio que não sentiria tanta falta.

Durante o percurso até o colégio, várias formas de contar sobre o que estava sentindo perambulavam pela minha cabeça, até pensei em desistir de contar, talvez não houvesse tanta necessidade quanto eu imaginava, mas durante um descontrole causado pelo nervosismo, acabei contando sem muita cena, para as duas garotas que eu tinha um pouco mais de afinidade. As duas ficaram me olhando fixamente, depois de ter revelado meu desejo por Verônica, acredito que, nem Roberta, nem Maewee, imaginavam esse absurdo. Eu me senti extremamente constrangida, após ter contado sobre como eu estava ficando desorientada com essa situação, e como era de se esperar, elas me explicaram tudo o que eu já havia estudado, me falaram o quanto eu estava ferrada por me apaixonar por uma mulher mais velha e casada, porém, algo me deixou de certa forma esperançosa. Ambas já tinham notado o olhar de infelicidade de Verônica e ambas desconheciam da existência do marido da mesma, a única coisa que elas sabiam é que ele era muito rico e ocupado, o que me deixou mais uma vez com dúvidas sobre o relacionamento forçado que Verônica tinha. Ela, por mais brilhante que era, carregava a fama de ser diferente dos demais professores da instituição, além de tentar esconder a existência do cônjuge, Verônica era o tipo de mulher que não ostentava uma paciência muito duradoura, levando a mesma, a pequenos ataques de raiva durante algumas discussões, fora o fato de que haviam dias em que Verônica chegava ao ponto de ser considerada uma pessoa arrogante e mal educada, o que levava aos alunos comentarem que, Verônica era uma pessoa mal-amada e sexualmente frustrada.

Claro, isso tudo não passava de hipóteses maldosas que a maioria dos alunos inventavam sobre ela, mas que até então, fazia todo sentido. Era muito estranho sentir algo por uma pessoa como ela, como eu citei antes, na minha cabeça, Verônica era uma mulher totalmente inalcançável e que provavelmente, eu não voltaria a conversar com ela por timidez ou medo, fora o fato de que, ela era uma pessoa que a maioria dos alunos da Phoenix não tinha o mínimo de simpatia com a mesma, esse foi o motivo que fizeram Maewee e Roberta me questionarem do "porque ela? Por que não se apaixonou por fulana ou por cicrana? " Sinceramente, essa pergunta eu me faço até hoje.

Depois de ter assumido meus desejos absurdos para as meninas, e termos debatido sobre o fato em questão, fomos para a sala de aula que ficava no terceiro andar, primeira sala a esquerda, chegando lá, estava Verônica, linda como sempre, estava com cabelo preso, com um rabo de cavalo, uma regata justinha e um jaleco branco de mangas cavadas. Quando eu vi minha Afrodite de traços europeus, meu coração se explodiu de alegria. Verônica era minha La Belle De Jour, minha Lolita de idade inversa ao da obra de Nabokov, para mim, Verônica era tão esplendorosa quando a Monalisa.

Minha surpresa por ter visto a bela professora de olhos azuis foi tão grande que, a própria Verônica percebeu o quando eu fiquei excitada no momento em que coloquei meus olhos nela, acredito que, ela esperava pelo menos um abraço meu, mas eu olhei no fundo dos olhos dela e eu mal á cumprimentei, eu não sei o porquê agi dessa maneira, talvez eu tenha ficado nervosa, porque eu não esperava encontrar ela na nossa sala. Para meu desgosto, entrou um outro professor em nossa sala e Veronica saiu, eu não entendi o que havia acontecido, mas o professor explicou, o nome dele era Josef, e ele explicou que substituiria Verônica nas aulas de cálculo e que ela, iria ficar trabalhando na direção do colégio.

ElloraOnde histórias criam vida. Descubra agora