IX

334 14 0
                                        

— Senhorita Nestari, gostaria de pedir educadamente, que relatasse o momento exato em que começou a manter um relacionamento estável e extraconjugal com a senhorita Zumach.

— Claro, Excelentíssimo.

" Após o primeiro beijo entre eu e Verônica, tudo mudou. No dia seguinte eu não sabia como falar com Verônica, afinal, eu a beijei em um momento em que ela estava frágil, e eu, literalmente tirei aproveito da situação. Se eu me senti culpada? Um pouco, mas não o bastante para não tocar no assunto assim que eu estivesse sozinha com ela novamente.

Sete horas da noite, início da primeira aula, na minha cabeça estava passando um roteiro de tudo o que eu iria dizer á Verônica, a taquicardia tomava conta de mim, era como se meu coração estivesse batendo na garganta, e a coragem que eu tomei assim que saí de casa, já estava se dissolvendo, dando lugar a uma boa dose de covardia, me fazendo ficar inerte assim que cheguei ao portão da Phoenix High School. Taquicardia, calafrios, inércia, pressão baixa, gagueira, esses foram os sintomas que eu tive, quando a imagem de Verônica se projetou dentro de um carro luxuoso na minha frente, entrando no portão lateral do colégio, o roteiro de conversa que eu tinha em mente, já havia sido substituído pelo medo, e a única palavra que se projetava em minha mente era "Desculpa", mas desculpa pelo que? Eu não tinha feito nada que ela não quisesse, mas eu também tinha que entender que o momento em que eu a beijei, era totalmente delicado, ela poderia ter se entregado facilmente a qualquer pessoa. Eu estava entre conversar com Verônica sobre o que aconteceu na noite anterior, e fugir covardemente, fingir que não houve nada. Para o meu desgosto, escolhi a segunda opção. Entrei sorrateiramente no colégio, passei no banheiro e joguei um pouco de agua no rosto, e entrei dentro da sala rapidamente, na esperança de ninguém ter me visto. Por falta de atenção, acabei entrando na sala errada, dando de cara com a pessoa de quem eu estava fugindo.

Contando essa parte da história, hoje eu me pergunto: Como Verônica entrou tão rápido na sala? Será que minha inércia foi tão... duradoura? Enfim, assim que entrei na sala, me deparei com Verônica me olhando fixamente, como se estivesse esperando que eu entrasse, de fato. Não sei se foi sorte ou azar, mas ali estava eu, olhando diretamente para seus hipnotizantes olhos azuis. Meu corpo começou a tremer instantaneamente, enquanto Verônica me fitava em silencio, aqueles olhos azuis me contemplando por inteiro, somente nossos corpos naquela sala fria, minha única reação foi enlaçar-me com seu corpo e cometer o mesmo pecado da noite anterior. Sem dizer palavra alguma, entrei no paraíso dos seus lábios de algodão doce, e permaneci ali por um bom tempo. Naquele momento eu tive a certeza da reciprocidade. Verônica queria ser minha. Precisava ser minha.

Nunca me senti tão feliz e tão culpada em toda minha vida. Deus que me perdoe, mas, Verônica era o meu pecado mais prazeroso, era a mulher por quem eu escolhi queimar no inferno quando me tornar um corpo moribundo. Se eu pudesse voltar atrás, faria tudo diferente, ao invés de manda-la para o além, eu mesma compraria minha passagem somente de ida para o universo paralelo, onde eu sofreria pela eternidade. Mas as coisas não são como a gente quer, mas tenho certeza que irei pagar, tanto na lei dos homens, quanto na lei divina.

Retornando a história, depois de desprender-me do corpo de minha Lady, ouvi um pequeno resumo do passado de Verônica, descobri até, que eu não era sua primeira mulher, que a tempo atrás, havia se envolvido com uma bela moça de origem latina, com quem dividiu um apartamento na época em que cursava sua primeira faculdade.

Sua experiência com uma pessoa do mesmo sexo havia me deixado ainda mais interessada em Verônica, pois um dos meus medos, era não saber lidar com o corpo feminino. Eu pensava em tanta coisa, tinha vontade de fazer tudo e mais um pouco, um novo universo estava se abrindo para mim naquele momento, eu mal poderia esperar pelo momento em que eu me encontrasse com Verônica longe daquele colégio. Marquei novamente meu número em um pedaço de papel que estava em cima de sua mesa, e pedi que me ligasse, caso surgisse uma brecha em que poderíamos nos amar de verdade.

ElloraOnde histórias criam vida. Descubra agora