Eithan.
Sentia os pelos da minha nuca eriçarem, como se estivesse sendo observado constantemente, mas não ousava desviar os olhos da estrada para saber quem mantinha os olhos de mim.
Estacionei em frente ao enorme centro de treinamento que também é nosso atual lar, o Refúgio 13. Vivi aqui por praticamente toda a vida treinando para esse grupo em específico.
Minha única vontade é continuar a sair em campo e resgatar sobreviventes ; esse grupo será a última chance de poder seguir os passos de meu pai. Se eles não passarem na avaliação final, não poderemos ir. E isso era algo que eu realmente temia.
Vi apenas dois grupos serem rejeitados em toda a minha vida militar e depois disso ninguém nunca mais os viu. Sei que não voltaram para seus distritos, para suas cidades, pois quem entra na Caixa nunca mais retorna. Execução é um dos meus palpites. Mas, para todos os efeitos , eles dizem que são alocados para escritórios de departamento pessoal.
É assim que os julgadores enxergam estes jovens : se não são úteis para lutar e buscar sobreviventes, não serão úteis para mais nada.
— Tá na hora — Max bateu em meu braço despertando me do pequeno devaneio.
Olhei para trás e vi que todos já haviam desembarcado do micro-ônibus. Desliguei o veículo e desci logo após , jogando a jaqueta nos ombros e caminhando atrás do grupo que escutava atentamente as instruções dele em um pequeno tour no Refúgio.
A novata de costas, ao lado da loira cujo nome não me recordo, de sobrenome Maloy, nos deixou alerta . Ela era a irmãzinha dele. Não tive tempo de continuar o pensamento, já que há muito tentava não pensar nisso.
Entramos no grande prédio da ala dos dormitórios. Daremos o dia de hoje para que eles descansem e se acomodem . E era só isso; depois sem mais descanso.
Quando passávamos próximo à cozinha, senti alguém me puxar fortemente e fui arrastado para dentro do pequeno quarto de materiais de limpeza do velho zelador Renks. Meus olhos pousaram nos olhos castanhos que eu tanto adorava.
— Você demorou — disse Cookie aproximando os lábios do meu pescoço.
— Demorei? — me fiz de desentendido — Tenho certeza que a culpa é do Max.
— Você vai ter que me recompensar por toda essa espera — disse ela encarando-me maliciosamente.
Minha mão então subiu até agarrar seus cabelos , enquanto a puxava juntando os lábios dela aos meus. O beijo era quente e voraz , como de costume, e, a cada beijo, mais intenso ficava.
Cookie ou Samantha, como queira, cresceu na Caixa também, suas habilidades de treinamento era de tirar o fôlego. Era a melhor das mulheres no Refúgio 13 e , assim como eu, também mal podia esperar para sair em campo.
Éramos amantes desde que nos conhecemos. Brincar de pique - esconde ainda criança era um tanto divertido quando Cookie participava e , assim como o beijo, o sexo também era de amolecer as pernas.
Mas não tinha certeza se existia amor entre nós; não como o amor de meus pais que infelizmente desapareceram enquanto estavam em missão resgatando sobreviventes na costa oeste.
—Não podemos ficar aqui, Cookie — alertei-a afastando um pouco — Ainda preciso concluir meu trabalho hoje.
—Tudo bem — ela mordeu o lábio resistindo — Odeio novatos! Ainda bem que só vou precisar estar com eles a partir de amanhã.
—Te encontro no jardim à noite para o nosso piquenique noturno.
— Claro — ela sorri — Depois que o sol se por.
— Perfeito — digo puxando-a para mais um beijo rápido.
Sai do pequeno quarto olhando em volta e agradecendo que ninguém tenha visto.
No caminho que Max fez com os novatos , os encontro próximos aos dormitórios. Apresso o passo retomando minha posição como se nunca tivesse abandonado o posto. Ele me lança um olhar de entendedor adivinhando o que aconteceu enquanto reviro os olhos para ele.
— Recomendo que descansem bem esta noite — digo passando por eles e me juntando a Max — Amanhã o treinamento começa cedo e as coisas são bem intensas por aqui. Muitos não resistem.
— Esperaremos vocês para o jantar essa noite, onde poderão conhecer boa parte de seus companheiros de Refúgio — complementa Max.
Com um gesto Max os dispensa e aguardo observando todos entrando nos quartos femininos e masculinos. Meus olhos pousam novamente na garota Maloy que está a me encarar com indiferença.
Depois que todos entram me viro acompanhando Max pelo corredor.
— Sabe a garota com o sobrenome Maloy? - pergunto e vejo Max sorrir.
— Eu sabia que ia perguntar sobre ela, sobre o nome — diz ele ainda sorrindo.
— E então?
— Jeff Maloy . Provavelmente era irmão da garota - diz ele clareando a minha mente.
— Eu sabia! — suspiro surpreso — Ela sabe?
— Acredito que não — Max dá de ombros — ou talvez saiba e por isso esta com raiva de estar aqui. Ela já deu um pequeno trabalho na barreira por causa de um maldito colar.
— Um colar? Eu vi aquela cena . O que aconteceu com você? Nunca o vi assim. Sempre fui eu quem tomava a rédea das discussões.
— Parece que era um presente da avó. A garota vai nos dar trabalho. É tinhosa. — ele suspira.
— E qual não é? Mas por que ela? —pergunto fazendo-o rir de lado. Não precisava responder.
Seguimos em silêncio o restante do percurso até a sala de jogos; precisava pagar a revanche que Max insistiu em fazer no jogo de corrida, depois não podia me esquecer do jantar ao ar livre com Cookie.
É uma pena perder o primeiro jantar da Caixa para os novatos. Sempre foi divertido vê-los pensando que estão num colégio interno.
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CONTENÇÃO
Science FictionEm um mundo devastado por um vírus poderoso, jovens são selecionados a cada 5 anos e treinados na Caixa para se tornarem soldados em busca de sobreviventes. Jennifer Maloy viu seu irmão ser selecionado a cinco anos atrás e seu destino foi o mesmo de...
