2 A Chegada

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O barulho das hélices do helicóptero foi o que me manteve acordada e perdida em pensamentos durante todo o percurso de Garden até a Caixa.

Eu deveria estar empolgada, deveria espiar pelas janelas assim como as duas garotas e os dois garotos junto a mim. O fato de estar sobrevoando o planeta devastado e nunca ter saído do Garden não me fascina.

Será que não percebem? Estamos sendo condenados!

Quando avistei a grande ilha se aproximando, senti uma imensa vontade de chorar, de derramar as lágrimas que até o momento recusei deixar sair.

Me contenho e engulo o nó em minha garganta.

-Se segurem- um soldado ordena- Vamos pousar.

Ouço atentamente enquanto o piloto pede a permissão de pouso para o topo da montanha da Caixa, onde uma enorme torre de controle era visível.

Com um pouco de turbulência o helicóptero desce se aproximando da pista de pouso. A enorme pista já contém alguns helicópteros aparentemente recém-chegados. Daqui se vê claramente muitos jovens empolgados naquela área e isso me embrulha o estômago.

Salto do helicóptero e sigo como todos pelo caminho que o soldado nos indica parando ao fim de uma enorme fila que se estendia até dentro de uma construção acinzentada sobre a montanha.

Sinto alguém esbarrar em mim e me viro pronta para reclamar da falta de atenção, quando me deparo com uma garota de cabelos loiros chorando ao meu lado.

-Me desculpe, eu...eu não te vi- ela funga enxugando suas lágrimas.

Olho em volta e vejo que as pessoas não notam seu estado choroso.

-Está tudo bem com você?- pergunto.

-Estou- ela assente fungando mais uma vez, suas lágrimas não saem mais- quer dizer, eu poderia estar melhor se estivesse em minha casa.

-Não queria estar aqui também?

-Também?- ela me encara confusa- você não quer estar aqui?

-Nem um pouco- nego e estico minha mão para cumprimentá-la- sou Jennifer Maloy, distrito Garden, antiga Los Angeles.

-Sou Meg Collins- ela aperta minha mão com firmeza- Distrito Brook, antiga Filadélfia.

Um apito alto é acionado e a fila começa a se movimentar.

-Quais as chances de conseguirmos sair da ilha sem sermos pegas?- ela pergunta em tom divertido.

-Ao menos que você tenha folego e força sobrenaturais para atravessar o oceano que rodeia a ilha, eu diria que as chances são praticamente nulas- sorrio de volta.

-Andando- rosnou um soldado ao nosso lado.

Começamos a andar seguindo a rota da fila, passamos por um grande detector de metais onde tínhamos que abandonar todo pertence que estava conosco.

-Eu não vou tirar isso- nego quando um soldado se aproxima para arrancar meu pequeno colar de ouro, um presente de minha falecida vó.

-Você não pode entrar com acessórios na Caixa- ele adverte.

-Ótimo- abro um sorriso forçado- acho que terão que me levar embora, puxa vida, é uma pena.

Em um movimento rápido, sou empurrada e imobilizada sobre a mesa onde o suporte com todos os pertences estavam, com o braço torcido para trás e o corpo  esmagado sob o dele e o rosto  espremido na mesa me fazendo soltar um grito de dor chamando a atenção de todos.

-Dobre a língua garota! As coisas não funcionam assim por aqui- ordena sibilante o soldado próximo ao meu ouvido entre os dentes .

Me sobe um ódio e a vontade  de dizer "vem dobrar idiota" , mas nada anda a meu favor.

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