O barulho das hélices do helicóptero foi o que me manteve acordada e perdida em pensamentos durante todo o percurso de Garden até a Caixa.
Eu deveria estar empolgada, deveria espiar pelas janelas assim como as duas garotas e os dois garotos junto a mim. O fato de estar sobrevoando o planeta devastado e nunca ter saído do Garden não me fascina.
Será que não percebem? Estamos sendo condenados!
Quando avistei a grande ilha se aproximando, senti uma imensa vontade de chorar, de derramar as lágrimas que até o momento recusei deixar sair.
Me contenho e engulo o nó em minha garganta.
-Se segurem- um soldado ordena- Vamos pousar.
Ouço atentamente enquanto o piloto pede a permissão de pouso para o topo da montanha da Caixa, onde uma enorme torre de controle era visível.
Com um pouco de turbulência o helicóptero desce se aproximando da pista de pouso. A enorme pista já contém alguns helicópteros aparentemente recém-chegados. Daqui se vê claramente muitos jovens empolgados naquela área e isso me embrulha o estômago.
Salto do helicóptero e sigo como todos pelo caminho que o soldado nos indica parando ao fim de uma enorme fila que se estendia até dentro de uma construção acinzentada sobre a montanha.
Sinto alguém esbarrar em mim e me viro pronta para reclamar da falta de atenção, quando me deparo com uma garota de cabelos loiros chorando ao meu lado.
-Me desculpe, eu...eu não te vi- ela funga enxugando suas lágrimas.
Olho em volta e vejo que as pessoas não notam seu estado choroso.
-Está tudo bem com você?- pergunto.
-Estou- ela assente fungando mais uma vez, suas lágrimas não saem mais- quer dizer, eu poderia estar melhor se estivesse em minha casa.
-Não queria estar aqui também?
-Também?- ela me encara confusa- você não quer estar aqui?
-Nem um pouco- nego e estico minha mão para cumprimentá-la- sou Jennifer Maloy, distrito Garden, antiga Los Angeles.
-Sou Meg Collins- ela aperta minha mão com firmeza- Distrito Brook, antiga Filadélfia.
Um apito alto é acionado e a fila começa a se movimentar.
-Quais as chances de conseguirmos sair da ilha sem sermos pegas?- ela pergunta em tom divertido.
-Ao menos que você tenha folego e força sobrenaturais para atravessar o oceano que rodeia a ilha, eu diria que as chances são praticamente nulas- sorrio de volta.
-Andando- rosnou um soldado ao nosso lado.
Começamos a andar seguindo a rota da fila, passamos por um grande detector de metais onde tínhamos que abandonar todo pertence que estava conosco.
-Eu não vou tirar isso- nego quando um soldado se aproxima para arrancar meu pequeno colar de ouro, um presente de minha falecida vó.
-Você não pode entrar com acessórios na Caixa- ele adverte.
-Ótimo- abro um sorriso forçado- acho que terão que me levar embora, puxa vida, é uma pena.
Em um movimento rápido, sou empurrada e imobilizada sobre a mesa onde o suporte com todos os pertences estavam, com o braço torcido para trás e o corpo esmagado sob o dele e o rosto espremido na mesa me fazendo soltar um grito de dor chamando a atenção de todos.
-Dobre a língua garota! As coisas não funcionam assim por aqui- ordena sibilante o soldado próximo ao meu ouvido entre os dentes .
Me sobe um ódio e a vontade de dizer "vem dobrar idiota" , mas nada anda a meu favor.
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CONTENÇÃO
Ficção CientíficaEm um mundo devastado por um vírus poderoso, jovens são selecionados a cada 5 anos e treinados na Caixa para se tornarem soldados em busca de sobreviventes. Jennifer Maloy viu seu irmão ser selecionado a cinco anos atrás e seu destino foi o mesmo de...
