Jennifer
Ontem fiquei tão chocada que, enquanto eles falavam sobre a morte ou não de Jeff , não tive muita reação; precisava ser um sonho. Me trouxeram depois para o quarto , onde deram-me muitos remédios a fim de amenizar as dores e o choque. Porém não duvido que entre eles havia algum calmante. Fiquei meio dopada, sonolenta demais. Mas acredito ter sido melhor assim.
Quando estava no Garden , lembro de ter sentido uma angústia dentro de mim, que algo não ia bem com Jeff. E agora dizem que ele morreu. Ou melhor, que talvez ele esteja vivo com os Cruéis. Já chorei tanto que cansei.
Meu querido irmão, meu amigo, meu apoio... Jeffrey...
Não é possível! Tenho a intuição de que Jeff não morreu e não sai da minha cabeça que preciso encontrá-lo.
De madrugada, acordei suada num pesadelo sufocante onde Jeff se afogava em meio a muitos Cruéis, enquanto gritava meu nome : " Jennifer me salva!!" E repetia tantas vezes " Jennifer, olhe para cima! Olhe para mim! Jennifer, olhe para cima! Olhe para mim!".
Agora acordada, tento encontrar o significado disso. Por que "olhar para cima"? Rezei alguns minutos, puxei um terço , mas não consegui dormir novamente. As dores já começam a voltar e em breve teria que tomar a medicação de novo. Olhei o relógio digital na parede, o único ornamento nelas, marcava 4:55. O dia já começaria a clarear e eu voltaria à rotina de humilhação, pois Cookie jamais deixará que eu fique em paz.
Levantei- me , apesar de ainda não ser a hora e vesti-me com a farda colada e escura . A despeito do horário, escutei um murmurinho, uma agitação... Não parecia uma madrugada tranquila como as outras. Corri para fora me escondendo nas sombras e percebendo através da grande movimentação que algo anormal iria acontecer.
A curiosidade realmente é meu ponto fraco. Queria descobrir algo. Queria fazer algo. Parecia que Jeffrey queria falar comigo. Nós sempre tivemos uma ligação de irmãos muito forte para ignorar isso.
"Meu irmão não morreu." Repetia sem cessar, como um mantra purificante, minha voz interior.
Lá fora tudo estava escuro, com poucas luzes esparsas , num ponto distante e delimitavam um certo local no centro do Refúgio 13 . Os guardas, no alto, rondeavam as barreiras anti-cruéis de forma lenta, sincronizada e vigilantes.
Me esgueirando, vi chegar um helicóptero com a primeira busca do dia anterior, a qual foi liderada por Eithan. Escondi-me no escuro, quase sem respirar e vi descer um grupo de soldados , com alguns carregados e outros muito sujos junto com dois adultos e três crianças civis.
Uma busca bem sucedida, graças a Deus! No comando , vejo descer Eithan e Cookie. Ela dá ordens a todos gritando, que obedecem correndo para lá e para cá. Dá pra ver que os dois trabalham muito bem juntos.
De lá de dentro sai... Um cruel! Que coisa espantosa, meu Deus, o que era aquilo?!
Se batia numa gaiola com fortes rugidos, uma força descomunal. Eithan não parava de dar ordens sobre onde colocá-lo. Os outros escolhidos tentavam obedecer em vão. Aquele ser terrível! Eu tinha vontade de matá-lo com minhas mãos.
Há algum tempo já nas buscas eles tentam capturar um Cruel vivo. Dessa vez conseguiram capturá-lo. Isso é de suma importância para os avanços pela busca de uma vacina e para conseguir encontrar o nicho, como chama o lugar onde se concentram os Cruéis.
O ser tenta se soltar e balança a gaiola de forma vigorosa de forma . Fico toda arrepiada pressentindo algo , quando vejo uma sombra ao meu lado. Automaticamente me assusto e ao tento gritar, a sombra me imobiliza tampando minha boca e reprimindo a reação que teria. Debato-me sem conseguir mexer nada contra a parede e mordo a mão do meu opositor.
VOCÊ ESTÁ LENDO
CONTENÇÃO
FantascienzaEm um mundo devastado por um vírus poderoso, jovens são selecionados a cada 5 anos e treinados na Caixa para se tornarem soldados em busca de sobreviventes. Jennifer Maloy viu seu irmão ser selecionado a cinco anos atrás e seu destino foi o mesmo de...
