9 Expedição

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Max

Sinto um cheiro fétido e morno de pântano no ar. O helicóptero nos deixou a 5 Km daqui e nos dirigimos à pé mata adentro.

À medida que a vegetação  se torna mais escura e úmida, cresce a chance de nos depararmos com um Cruel.  No entanto, temos que avançar porque há sinais de civis encurralados nestas bandas.

Me lembro do dia em que Jeff  morreu em defesa de Eithan e seu corpo inerte foi levado pela orda de Cruéis. Misteriosamente, neste dia , eles encerraram a luta apenas levando-o.

Há tempos que acordo no meio da noite repetindo essa cena; no meu entender  ele não havia morrido  ou não o levariam com tanta pressa. A questão é:  o que eu deveria ter feito e não  fiz? Por que sempre tenho esse acesso de culpa?

Tento distinguir os ruídos, numa vasta gama de sons e selecionar aquele correto que significa a presença deles aqui. Para tanto, temos que estar quase ausentes.

Ausente... e se fosse eu? Como me sentiria? O que Jeff teria feito?

Num ambiente assim tropical, o vírus encontrou condições essenciais de se desenvolver , proliferar e criar uma resistência indecifrável. Mesmo com toda humanidade empenhada em decifrá-lo, nunca conseguimos encontrar a vacina ou um antídoto adequados à cura da doença .

Há um ramo de cientistas os quais afirmam que, o vírus C2056, não é um vírus de fato, mas uma nova forma de vida ainda não completamente descrita. Esse também seria um dos motivos de não terem encontrado a cura: não  é  uma doença  e sim uma mutação.

Esse novo Reino seria chamado de Crull, ao lado de Animalia, Vegetalia, Fungi, Monera e Protista. Seres sem morfologia característica , quando isolados laboratorialmente , e incrivelmente adaptável a qualquer corpo como hospedeiro.

O antígeno liberado por um crull exalta e deforma todo corpo do hospedeiro, deixando-o irreconhecível. Até hoje não houve nenhum caso de resistência.

Eithan e eu enfim decidimos acatar a ordem de nosso superior de capturar Cruéis, porém acrescentamos, por nossa conta, mais um detalhe: estamos procurando aqueles que se parecem com Jeff.

Parace tortura, mas não. Se há alguém que daria sua vida por nós, esse seria Jeff . Então não podemos deixá-lo para trás. Além do mais, decidimos não deixar Jenny entrar em uma expedição. As coisas estão ficando críticas e não vou permitir que ela se arrisque deste modo.

Olho para os aprendizes camuflados entre as árvores altas de troncos largos, faço sinal pra seguirem dois passos adiante . Se esgueirando pela vegetação , sem nenhum tipo de ruído ou movimentação brusca; quase nos arrastando feito lesmas. Ordeno a dois grupos adiante, a dois outros, esperem e vigiem , e o meu mantém uma movimentação constante. Desta forma, é dispersa a concentração de movimentos, que é o que realmente chama a atenção dos cruéis.

De fato , em anos de expedição, não foi comprovada a organização hierárquica entre eles, porém sabe-se da existência de um Cruel mais forte e altamente escondido que desfaz toda essa impressão. Como ele quase não aparece, não há muito o que se dizer sobre seu modo de proceder.

Estamos procurando desvendar tudo isso. Mais um motivo para a captura de um deles. Ou vários.

Mas se ficam irreconhecíveis, como encontrar Jeff? E se são incuráveis, qual o motivo dessas capturas?

Os Cruéis não tem uma comunicação específica. Até agora só se conhece seus rugidos e uivos; não como de lobos. Um específico deles.

Me comunico  por meio de sinais com os outros. Há fortes indícios de que o nicho esteja aqui e , por azar, esses humanos civis o encontraram .

Vejo ao redor escurecer e ativo o capacete ultra dark , especial para estas expedições, pois no momento do surgimento de um cruel, o tempo escurece e ,de súbito, estamos em trevas.

A cena que vemos agora não é incomum de se ver , embora seja sempre chocante: um Cruel comendo um ser humano, já quase em carcaça , degustando e fartando-se, lambuzando-se de vermelho e preto, pois que a carne também já encontra-se em putrefação. Ele não nos percebe, em transe a comer e deliciar-se. Deve ser bem por isso que os civis não foram encontrados por ele.

É nossa oportunidade de capturá-lo. A equipe dois passos à frente terá de atirar um crash bucal, utilizado para fixar-se na frente da boca do cruel e neutralizar qualquer som ou uivo de aviso que ele possa emitir. Então o ataque tem de ser inteiramente surpresa.

O aprendiz Jhonson é o atirador daquela equipe. Faço sinal para eles, pois já  sabem o que devem fazer. O atirador posiciona-se um pouco distante e na direção correta e irá atirar ao meu sinal. Só eu posso dar esse sinal, porque é uma antecipação de movimentos que só quem é Sabre saberá fazê-lo.

O Cruel grune de cabeça baixa, geme e se mexe. A pele azulada, visguenta, farrapos do que um dia foi uma roupa em seu corpo. Isso indica que a transformação foi recente.

Quando ele puxa a carne podre, dá duas mastigadas, minha intuição pisca e eu faço sinal ao atirador que atira, no momento exato em que o cruel levanta a cabeça.

O crash prende-se aos ossos faciais, neutralizando os rugidos e só  então  nos aproximamos, pois agora vem a segunda parte: a captura.

Com 2,35m de altura, o Cruel se debate para retirar o crash, sem perceber nossa aproximação. Quando minha equipe se aproxima, saem de tocas alguns civis que vêm ao nosso encontro e a equipe atrás já corre para barrá-los e dirigi-los ao ponto de saída do  helicóptero.

Tudo é feito em muita sincronia, pois a pior parte vem agora.

Eu sou considerado alto, 1,90m de altura. Os homens de nossa equipe de captura de Cruéis tem que ser altos e muito fortes  para compensar o embate.

Agora começa a luta corporal que subjugará o Cruel com o mínimo de danos possível. Não podemos falar, não podemos gemer ou emitir qualquer som a não ser o próprio som da luta, a qual deve ser a mais silenciosa e rápido possível.

Em momentos como esse , minha equipe tem sincronia perfeita como as engrenagens de um motor. Praticamente nos comunicamos com o olhar.

Entre golpes, socos e pancadas com objetos que não ferem a fundo, até que o médico aplique o tranquilizante e este será suficiente apenas até chegar à grade.

Tudo isso conseguimos fazer, com rapidez para não chamar a atenção de outros Cruéis  , e quando chegamos ao local o trancamos rapidamente na gaiola, pois sabemos que em segundos acordará.

O que acontece é que partimos dali imediatamente e ainda nos céus ele acorda, arranca o crash e consome a todos os civis de pânico com sua atitude extrema de violência.

Uma nova dose de tranquilizante é ministrada ao chegar no Refúgio 13 , onde o levam para a área restrita, a qual ninguém, além do capitão e nós, Sabres , pode entrar.

Apresso-me em conduzir o desembarque; estou tão  exausto e tenso de 24 horas de expedição. Os civis são conduzidos para áreas protegidas e isoladas daqui.

Eu acompanho  o corpo do Cruel carregado pelos outros escolhidos, os quais aguardavam no local, especializados no procedimento da área restrita.

Chego a tempo de ver Jennifer ser escoltada, quase carregada, com sua amiga Meg, a que me olha estranho, com armas apontadas para suas cabeças.

Que diabos aconteceu aqui? Eu saio 24horas e essa desajustada se põe em perigo novamente.

Meu coração começa a disparar com a brutalidade com que a estão tratando. Silenciosamente a olho e ela abaixa a cabeça, isso me deixa mais puto ainda. A pirralha continua a me tratar como um inimigo!

De longe, escuto os gritos do capitão Smirnov , acabando com a reputação de alguém. O que de tão grave teria acontecido aqui?

Preciso falar com Eithan , esclarecer o que ocorreu e salvar Jenny. Mas eis a minha surpresa: Eithan passa também escoltado e silencioso me dirige o olhar que só nos conhecemos.

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Agora sim estão fritos. O que aconteceu?
Próximo capitulo vamos resolver isso.
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Beijos.

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