Jennifer
Minhas mãos suavam frias com a ansiedade e o nervosismo a cada minuto que se passava. Minha ficha estava finalmente caindo e eu não estava gostando da sensação.
Depois de vestir roupas pitorescas, grudadas ao corpo e de tons escuros, seguimos para o grande salão do Refúgio 13. O lugar era imenso e havia muitas pessoas circulando por todos os lados. Eram os soldados de resgate. Os que saiam em um dia qualquer e poderiam passar até mesmo semanas fora buscando sobreviventes. Seu retorno não era garantido. Eu me tornaria um deles. Parecia um martelar isso: " eu me tornaria um deles".
— Você já viu algum?– Meg perguntou ao meu lado me fazendo encará-la com uma expressão confusa.
- Ãh ? O quê?
– Cruel– completou.
—Nos livros do meu avô – digo continuando a caminhar – E você?
— Uma vez, quando eu era pequena, um deles conseguiu ultrapassar a barreira de Brook – ela suspira – Foi uma grande confusão.
- Nossa, você viu mesmo isso? Que pavoroso!
- Ahã. Os soldados do exército conseguiram mata-lo antes que pudesse chegar perto das pessoas. E então eles o colocaram no centro da cidade em exposição por um dia. Todos queriam ver o que era essa tal criatura.
— E o que houve depois?– perguntei.
—Bem, depois que eles cremaram o monstro. Houve um pequeno protesto sobre a segurança do distrito. Ninguém se sentia mais seguro lá: se um deles entrou, outros poderiam entrar - Meus olhos não conseguiam piscar assustados - era o que pensavam — ela dá de ombros – Com o tempo a história foi esquecida.
— Deve ter sido assustador para você – sussurro mais para mim mesma do que para ela.
—Tem medo deles? – ela pergunta curiosa.
—Você não?– devolvo a pergunta.
— Tenho raiva; nada além disso – suspira– Raiva por destruírem nosso lar, nossa terra... Dizem que tudo era tão bonito antes. Eu daria tudo para ter a liberdade que um dia existiu.
—Eu sinto medo – confesso e a vejo me encarar– As imagens nos livros já me davam tremeliques e me tiravam várias noites de sono. Não sei se serei capaz de enfrentar um.
— Você tem escolha ?– ela ri tocando meu braço – Não se preocupe. Tenho certeza que vamos ficar bem, acredito nisso.
—Também quero acreditar nisso.
Adentramos pelo enorme salão onde era servido um verdadeiro banquete. Sinceramente, por isso não esperava. Max ,que parecia nos acompanhar, indicou uma enorme mesa onde sentamos em silêncio. Tentava ao máximo ignorar os olhares curiosos em nossa direção; alguns até que atraentes, mas, ainda assim, não me sentia confortável naquele lugar.Duvido que um dia me sinta.
O jantar foi servido e eu mal sabia por onde começar. Diferente de Meg, que atacou três porções diferentes no mesmo tempo em que pisquei os olhos.
—Sejam bem vindos, novos guerreiros! – a voz veio de um homem mais velho, mas de boa aparência, que não fez questão de apresentar-se– Espero que nossa estadia esteja do agrado de todos vocês. Amanhã o treinamento começara e desejo boa sorte a todos. Que vocês encontrem o seu lugar em nosso Refúgio!
Todos brindaram com aquela bebida colorida com aparência de suco. A algazarra estava feita: muito felizes todos os jovens iniciantes sorriam ao passo que os veteranos apenas comiam. Ele , o tal homem, saiu sem nada mais dizer.
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CONTENÇÃO
Science FictionEm um mundo devastado por um vírus poderoso, jovens são selecionados a cada 5 anos e treinados na Caixa para se tornarem soldados em busca de sobreviventes. Jennifer Maloy viu seu irmão ser selecionado a cinco anos atrás e seu destino foi o mesmo de...
