Capítulo 14

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    O caminho até a academia nunca foi tão curto, não tinha pressa de chegar, mas inevitavelmente cheguei. Gabe abriu um sorriso enorme ao me ver, mas ao perceber que não retribui, seu sorriso murchou e seu olhar perdeu o brilho.
Não nos falamos, ele seguiu direto para sua aula. Espiei pela porta e vi Juliano treinando, voltei para a recepção e procurei fazer o meu trabalho o melhor possível, o que significava que não fiz quase nada e apenas me concentrei no que estava por vir. Finalmente a aula acabou e então havia chegado o momento decisivo e isso ia devastar nós dois.
Juliano saiu em meio aos alunos que conversavam, parou no balcão e me observou por um minuto em silencio enquanto os outros saiam, ele pegou em minha mão direita e isso quase me fez desabar.

- Posso lhe esperar lá fora se quiser? – Mergulhei na calmaria azul de seus olhos e respirei fundo. De algum modo Juliano sabia.

- Não. Estou bem... Vou ficar... Não precisa! – Disse com gratidão. – Obrigada!

Juliano não discutiu e foi embora, por uma fração de segundos me arrependi de tê-lo despachado, mas assim era melhor, precisa enfrentar meus problemas sozinha. Fui para a sala onde Gabe havia dado sua aula, ele estava recolhendo o material utilizado.

- Gabe... Acho que precisamos conversar. – Me encostei á batente da porta, meu peito estava pesado e dolorido.

- Você acha? – O jeito cínico dele não disfarçava sua tristeza, não para mim.

- Podemos marcar lá em casa...

- Agora! – Ele parou de frente para mim. – Diga.

Não estava com pressa daquela conversa e preferia estar em casa depois dela para poder desabar, sem ele ver, mas Gabe estava com pressa e não podia negar isso a ele. Perdi o ar, sua beleza nunca me cansaria, seus olhos negros, seus cachinhos, seus lábios fartos e ver tudo o que gostava nele me despedaçava ainda mais. Os braços dele estavam cruzados em seu peito, sua cara era de poucos amigos, mas seu olhar jamais me enganaria, era dor que estava ali... E medo.
Minha boca secou, o coração disparou e senti tremores nas pernas, cruzei os braços na esperança de que assim, eles não tremessem também.

- Isso não está dando certo. – Comecei o inevitável.

- Isso o que?

- Nós! – Desviei o olhar.

- Porque acha isso?

- Por que... – Não queria enumerar as razoes. Aquilo só faria mais mal a nós dois. – Pelo óbvio.

- Que seria?

- Nós estamos nos matando Gabe. Jesus olhe para você, não aguento mais vê-lo definhando assim.

Apontei para seu corpo extremamente magro, suas olheiras pretas e profundas. Uma sombra do Gabe, era nisso que ele havia se tornado. Uma sombra.

- Estou bem... – Ele disse caminhando na minha direção, mas recuei.

- Não, Não está! – Disse mais alto.

- Vamos superar isso Jasmim... – Dei um riso de deboche, para disfarçar meu nervosismo.

- Você sabe que não vamos. – "Ele não pode saber o que estou sentindo" era isso que martelava em minha mente, enquanto meu coração quebrava.

- Como pode desistir tão fácil? – Sua Indignação era como uma faca furando meu peito.

- Fácil? É isso que você pensa? – Respirei fundo. - Já passamos por coisas até demais e definitivamente isso não tem nada de fácil. – Era a coisa mais difícil que tive que decidir em toda minha vida, como ele podia dizer que era fácil?!

- Não faça isso... – Gabe pediu de olhos fechados e senti o choro ficar preso na minha garganta.

- Não me peça para vê-lo morrer. – Disse com voz tremula.

- Estou pedindo para que lute contra isso... Comigo! – Gabe segurou minhas mãos entre as suas e o contato de sua pele fazia minha alma doer. – Eu te amo tanto!

Estava quase cedendo, quase sucumbindo aos seus apelos e me jogando em seus braços, mas mantê-lo vivo era mais importante que tudo. Sempre seria minha prioridade.

- Não posso... – Sussurrei.

Uma lagrima escapou dos meus olhos. Gabe se aproximou e não tive forças para me afastar, ele limpou minha lagrima e encostou nossas testas. O cheiro dele me dominava e deixava indefesa, sabia que essa sensação de plenitude que sentia com ele, só teria em seus braços, mas precisava salva-lo e para isso tinha que quebrar nosso vinculo, o que estava se demonstrando mais difícil do que imaginava que seria.

- Porque está fazendo isso conosco? Porque minha flor? – Ele disse ainda próximo ao meu rosto, com desespero embutido em suas palavras.

- Gabe... Você está dificultando as coisas! – Ele se afastou bruscamente de mim.

- Você me ama? – Jesus como isso era difícil!

- Gabe, por favor...

- Você chegou a me amar mesmo ou só me queria para viver as suas ilusões? - O calor havia abandonado meu corpo completamente, tremia por dentro, mas não poderia demonstrar isso a Gabe. – Diga!

Ele berrou e mantive meu olhar firme e não disse nada por alguns segundos, não poderia dizer... Não aguentaria. Tentei me recompor e dizer a ele que não, que não o amava, mas isso eu jamais conseguiria pronunciar.

- N... Não Sei... – A resposta saiu engasgada e comecei a me abraçar, o frio desesperador tomava conta da minha alma também. – Eu... Não...

- Não sei? Como não sabe? – Gabe começou a andar de um lado para o outro – Eu SEI o que você sentia perto de mim e ainda SEI. – Ele enfatizou bem os "sei".

- Você mesmo me disse que as pessoas são confusas, que não sabem bem o que sentem. Precisava acabar logo com aquela conversa, enquanto ainda tinha forças. – Vai ver, achei que amava...

- Isso não está acontecendo! – Ele fazia que não coma cabeça. Ver o desespero dele era como me matar lentamente, com minúsculas e mortais incisões em meu coração. – Isso não pode estar acontecendo.

Gabe se agachou no chão, com ambas as mãos em sua cabeça, o que fez com que me sentisse meio tonta. "Ele não pode saber o que estou sentindo". Passei a mão pelo meu cabelo, o colocando para trás, mordi meus lábios até sentir que eles estavam quase sangrando.

- Você não está me fazendo bem. Emocionalmente e fisicamente... – Meu peito subia e descia ofegantemente. – Como aquele dia no acantonamento, na sala de piano. – Ele me olhou ferozmente. – Como pode ser tão egoísta e não ver que está acabando comigo? Com minha vida? E se você estiver me matando?

- Sabe que jamais faria isso! – Ele berrou, após se levantar de sua posição agachada.

- Mas está fazendo, quero uma vida normal... Sem esses malditos sintomas que sinto quando você está perto. – Essa parte não era mentira, então fui bem convincente ao dizê-la. – Sem contar que estou farta de estar rodeada de mentiras e meias verdades... Ter que ficar escondendo as coisas... Você não se abre comigo como Danny faz com Ana.

- O que quer saber? Pergunte e te respondo. Só não sou do tipo que sai contando tudo por livre e espontânea vontade. – Não ia ter forças por muito mais tempo. – Nunca te impedi de me fazer perguntas depois que lhe contei o que eu era.

Ele estava certo, realmente Gabe nunca me proibiu de perguntar nada, eu que não fazia isso, esperando que ele mesmo quisesse me contar, que viesse falar comigo. Percebi naquele momento que estava cobrando coisas de Gabe que ele não poderia me dar e nunca me dei ao trabalho de tentar obter o que queria de outra forma. Mimada, uma menininha extremamente mimada, era isso que eu era.

- Muito tarde... – Precisava manter o foco. "Terminar com Gabe. Quebrar o vinculo. Não deixa-lo saber o que realmente estou sentindo".

- Você está sendo infantil. – Ele disse com raiva. Aquilo nem fazia sentido, não para mim.

- Eu?

- Sim, até quando você acha que vai poder viver nesse seu mundo cor de rosa?

- Talvez eu não queira viver no seu mundo de aberrações. – Rebati irritada, mais comigo mesma do que com ele.

- Como se você fosse muito normal! – Ele disse dissimulado.

- O que?

- Humanos não matam sugadores, como você fez com o Michael. – Saber que você não é normal e ouvir isso são coisas bem diferentes. – Humanos não são imunes ao último beijo e nem param um sugador no meio da alimentação como você fez comigo... Muito menos possuem pais caçadores.

A última parte foi dita com muito nojo, o que fez surgir um arrepio na minha espinha. Gabe seria capaz de entregar meu pai aos sugadores para me atingir?!

- Bem vinda ao meu mundo de aberrações! – Ele fez uma reverencia e seu cinismo nunca foi tão evidente.

- Pare Gabe, por favor... – Mal conseguia falar por estar reprimindo o choro. – Não é fácil terminar assim...

E de repente ele mudou sua atitude, seu olhar e sua voz.

- Eu imploro... Por favor... Não faça isso comigo! Por favor! – Gabe me abraçou forte, pensei em não deixar, mas queria muito aquele abraço, então o retribui. – Eu imploro... – Ele finalizou me encarando.

Ele segurou meu rosto com ambas às mãos. Seu toque me dava arrepios. Gabe selou delicadamente nossos lábios, mas não podia me deixar levar, então não correspondi e todas as células do meu corpo entraram em protesto por isso. Estava me matando vê-lo assim tão desesperado.

- Sinto muito. – Disse com os olhos cheios de lagrimas. – Mas não quero mais você... Na minha vida.

Gabe ficou uns segundos em silencio, olhando fixamente para o chão, agora já um pouco afastado de mim. Nunca me senti tão desnorteada em toda minha vida como naquele momento, todos os cabos gravitacionais que me prendiam a terra, haviam sido cortados.

- Pode ficar com o maldito colar. – Ele disse olhando para o símbolo de seu chakra em meu pescoço.

Instintivamente o toquei com as mãos tremulas. Nos encaramos por rápidos segundos e vi tanto desprezo em seu olhar que cheguei a sentir enjoo.

- Obrigada. – Disse, sem saber exatamente o que deveria dizer.

- Está despedida. – Ele sorriu tristemente. Foi assim que Gabe encerrou nossa conversa. – Espero que consiga tudo o que mais deseja... - Respondi em pensamento "O que mais quero é salvar a sua vida", mas ainda precisava falar amis uma coisa, ou melhor pedir.

- Gabe, meu pai... – Ele fechou os olhos e começou a gargalhar, aquilo foi tão sombrio que me deu arrepios.

- Não vou mata-lo, nem entrega-lo. – Gabe fez uma pausa, colocou as mãos em seus cabelos, como sempre fazia quando nervoso. – Te amo demais para isso!

Meu queixo tremia violentamente, estava à beira de desabar. Eu não merecia ser tão amada assim, não depois de devasta-lo daquela maneira.

- O que... – Comecei a perguntar, mas não consegui, se falasse mais uma palavra sequer o choro ia escapar da minha garganta.

- Vou continuar fingindo que estou em busca do chefe dos caçadores. Danny e Beth vão me ajudar. Depois de alguns meses acabaremos nos mudando em busca de mais pistas... Mas vou me certificar de que nenhum sugador que conheço saiba de seu pai, ao menos não por mim.

- Mudando? – Perguntei num sussurro.

- Vai dar mais credibilidade a mentira, que ele não mora em Imperial.

- Sim, vai... – Não havia passado pela minha cabeça que Gabe se mudaria caso terminássemos, não tê-lo e ainda por cima não vê-lo... Era mais do que estava preparada para aguentar.

Ele passou por mim, quase arrancando meu braço junto e deu um soco no espelho da sala, o que fez com que toda a parte atingida ficasse trincada e seu sangue se juntasse ao meu reflexo retorcido no espelho.
Senti os cacos do meu coração, caírem um por um em uma fenda escura da minha alma, mas tinha de ser firme e quando os olhos dele não podiam mais ver os meus, lagrimas caíram. Saí de lá, sem saber o que fazer a partir dali.
Fui para casa de alguma forma, pois não me lembrava de como havia chego lá. Fiquei horas, sentada no balanço que foi de minha mãe, apenas olhando para um ponto fixo, sem pensar, sentir ou dizer nada. Salem acabou aparecendo e ficou do meu lado, com a cabeça em meu colo.
Despertei do torpor com o telefone de casa tocando incessantemente, a ligação caía e então voltava a tocar novamente, meu celular também não parava de tocar e de dar sinal de mensagem, sabia quem era mesmo sem olhar para a tela dele. Ana.

- Alo? – Disse sem vontade, enquanto entrava em casa com Salem.

- Como assim você terminou com Gabe? - Ana definitivamente não havia me pego em um bom dia. Seu tom de voz acusador bateu direto na minha irritação.

- Terminando. - Respondi seca.

Não queria falar sobre aquilo, se o fizesse começaria a chorar e em hipótese alguma poderia deixar que aparecessem rachaduras na muralha que havia erguido em volta de meu coração.

- E como assim, eu soube isso pelo Danny? – Ela disse após alguns segundos de silencio.

- Ana...

- Sem essa! Você não me conta mais nada, alias isso vem ocorrendo desde que você conheceu Gabe. Não me pede mais conselhos, não pergunta minha opinião...

- Não sabia que tinha que pedir sua permissão para terminar meu namoro. – Disse acida. Estava muito na defensiva, meus nervos estavam a flor da pele e aquele era um assunto que não estava pronta para lidar.

- Permiss... O que... Acaiah? – Sabia pelo tom de voz o quanto ela estava indignada.

- O que? – Rebati mal criada.

- Não vou ficar aqui sendo insultada, mas acho... Se é que quer meu conselho... Que você se precipitou em terminar. – E o telefone foi desligado na minha cara.

O dom de magoar e afastar as duas pessoas que mais amava na vida, esse eu dominava. Não comi nada, apenas tomei um banho e deitei na cama, abraçando meu travesseiro que estava com o cheiro de Gabe.
Não dormi, nem a noite, mas não chorei, nem uma lagrima sequer. Apenas fiquei olhando para o teto, sem me dar ao luxo de pensar em nada. Muito menos em Gabe. A realidade era que não conseguia pensar, nem sentir, estava vazia demais para isso.
Fiquei em um estado de anestesia completa até o dia seguinte, meu pai chegava de viagem á noite e preparei meu prato favorito para o jantar, macarrão instantâneo, não estava no animo de cozinhar nada. Como de costume ele chegou, colocou as roupas sujas na lavanderia, tomou um banho e se sentou para jantar comigo.
Sua cara não foi das melhores ao ver o "prato do dia", mas também não expressou nenhum comentário. Ele falava sobre algumas coisas que definitivamente não conseguia ouvir, meu pai acabou notando isso pelo excesso de 'uhum' e 'hum' que dizia.

- Você está bem? Está tão distraída! Parece que não tem dormido muito... São os pesadelos? – Quem me dera pai, foi o que respondi mentalmente.

- Estou bem. Não é nada. – Estava comendo rápido, para que pudesse me jogar na cama o mais rápido possível e ficar lá por um longo tempo, de preferencia para sempre.

- Certo. – Ele fez uma pausa para dar uma garfada no macarrão e então continuou. – Pensei de irmos a Riviera... É a praia que os Werner sempre vão, não é?

- É. – Disse já enchendo a boca com mais uma garfada, manter a boca ocupada me impedia de falar, o que era maravilhoso no momento.

- O que acha? – Ele perguntou animado.

- Legal.

- Já estou de férias, gostaria de ir esse fim de semana, sei que você está trabalhando agora e...

- Fui demitida. – Tomei um gole do suco de laranja que havia feito, para evitar o choro que subia pela garganta.

- Seu na... – Ele parou a frase, como se pronunciar a palavra, 'namorado' doe-se. Sim, essa palavra dói pai. – Gabe te demitiu?

- Sim. – Falei quase engasgando.

- Por quê? – Seus olhos demonstravam seu espanto.

Vários fleches do dia anterior invadiram minha mente. A voz de Gabe tomou conta de mim. "Eu imploro... Por favor... Não faça isso comigo! Por favor!". Meu corpo todo começou a tremer, senti meus olhos serem inundados por lagrimas, minha garganta ardia pelo choro reprimido e meu queixo tremia pelo esforço de não chorar, para ajudar resolvi colocar comida na boca para ganhar tempo, para responder meu pai e pensar em uma boa desculpa.
Novamente a voz de Gabe tomou conta do meu pensamento. "Estou pedindo para que lute contra isso... Comigo!". Olhei para meu pai e ele ainda esperava uma resposta, tentei engolir a comida, mas ela duelou com o choro que tentava desesperadamente sair. Me afoguei e comecei a tossir como louca, voou baba para todos os lados e acabei regurgitando em cima do meu prato.

- Jasmim! – Meu pai exclamou com certo nojo, mas rapidamente sua expressão mudou quando percebeu que eu não estava respirando e ainda tossia. – Levante os braços acima da cabeça.

Ele ordenou vindo parar ao meu lado, fiz o que ele disse e levei vários tapas nas costas, que ajudaram a eliminar o resto de macarrão dos meus pulmões. Mas respirar já era outra historia.
Rapidamente o afogamento deu lugar a um choro desesperado, um choro como nunca havia tido antes. Meu pai ficou sem reação, assustado e confuso.

- Jasmim? – Ele nem sabia o que perguntar.

- Eu terminei cm... el...

- O que? – Meu pai se abaixou para ficar na direção dos meus olhos, mas estava muito difícil falar, chorar e respirar ao mesmo tempo.

- Eu... Teminei... Gabe. – Assim que disse as meias palavras o choro aumentou. Tentei limpar um pouco das lagrimas, mas elas inundavam meu rosto descontroladamente.

- Você terminou? – Fiz que sim com a cabeça. – Por quê? O que aconteceu?

- To matano el... Matado ele...

- Matando? – Nunca vi meu pai tão assustado, ele fazia carinho em meus cabelos, talvez por não saber exatamente o que fazer naquela situação.

- Matando Gabe... Eu.

Chorei doido, como provavelmente nunca tinha feito, por vários minutos, meu pai nada disse, apenas fazia carinho em meus cabelos ou passava a mão suavemente em minhas costas.

- Estou matando ele pai. – Consegui finalmente dizer, ao me acalmar um pouco. – Eu o amo... E está doendo... Muito! – Disse voltando a crise de choro.

- Eu sei. Eu sei. – Meu pai me abraçou e me deixei envolver em seus braços protetores, como nunca fiz antes, nem quando criança. Enterrei minha cabeça em sua camisa e chorei mais. – Schhh. Vai passar meu bem, vai passar.

- Não. Não vai... Está doendo! - Sentia uma de suas mãos alisando minha cabeça e foi a primeira vez que me senti próxima de meu pai.

- Eu sei. Eu sei minha querida.

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