De sobremesa comemos três tipos de tortas, que pareciam verdadeiros pedaços do paraíso, incrivelmente deliciosas. Por sorte as peruas do banheiro não vieram falar com meu pai, depois que me viram com ele, tive que engolir apenas a Nathaly, mas ela estava na dela, então o resto do almoço foi tranquilo.
Voltamos ao carro, a brisa que entrava pela janela aberta, era bem vinda naquele calor. O restante da viagem ficamos mais quietos, talvez ambos absorvendo que estávamos nos abrindo um ao outro, como nunca fizemos antes, ou talvez fosse só o nosso jeito mesmo. Identifiquei que havíamos chegado ao balneário de Riviera e retirei o cinto de segurança, meu pai fez o mesmo. Havia pessoas caminhando pelas ruas, cheias de apetrechos de praia em baixo dos braços, do lado do motorista estava o mar e imaginei que ia ser bom sentar no raso para me refrescar.
Uns 20 minutos depois meu pai parou o carro na frente de uma mansão, literalmente. Descemos do carro, mas eu estava tão pasma com a casa que não consegui me mover para ajuda-lo com as malas, apenas fiquei lá parada de queixo caído.
- É aqui? – Perguntei meio sem voz.
- É. Gostou?
- Tem como não gostar? – Olhei para meu pai, ele estava tirando as malas do porta malas, com um ar de exibido.
- Toma. – Ele me jogou um molho de chaves. – Dá uma olhada lá dentro!
Tenho que admitir que fiquei excitada com a casa, era linda. Parecia uma caixa de vidro e madeira, quase todas as paredes de fora eram de vidro, mas ao mesmo tempo tinha muita privacidade já que não haviam casas próximas. Após abrir a porta, quase desmaiei, era tão chique, claro, aberto. Uma casa dos sonhos. O chão era todo de madeira, assim como a maioria dos moveis, as cadeiras eram de vime, com almofadas por cima, havia sofás por todos os lados, inclusive na enorme sacada – que te deixava praticamente dentro do mar – mas era um daqueles sofás rebaixado, praticamente no chão, de tecido branco, cheio de almofadas brancas. Foi o primeiro lugar onde me sentei, afundei de tão confortável que era, eu poderia viver ali para sempre, facilmente.
A sala era conjugada com a cozinha, que era toda marrom e branca, cheia de bancadas, com uma ilha enorme. Meu pai logo entrou carregando as malas, me levantei para ajuda-lo.
- E então? – Ele perguntou todo curioso. – Já viu tudo?
- Não, acabei sendo fisgada pela sacada. – Ele riu. Ele estava mesmo rindo, comigo?!
- É aconteceu comigo também, quando vim olhar a casa. – ele caminhou até a varanda, admirou o mar
Reparei que ele falava muito "é" e eu fazia muito isso, varias vezes Ana reclamou desse habito. Éramos mais parecidos do que gostaria de admitir. Ele caminhou até a varanda, admirou o mar e se voltou para mim.
- Acho que vai gostar dos quartos. – Tentei nas rir ou me mostrar tão empolgada, afinal ele me escondia essa condição financeira privilegiada, mas não consegui, abri um sorriso de orelha á orelha. – Alias tenho certeza!
Passei pela cozinha, caminhei pelo corredor havia umas cinco portas ali. Meu pai gritou da sala "Segunda porta á esquerda". Abri a porta com uma expectativa pulsando em meu peito.
- O que? – Acabei pronunciando em voz alta.
Era imenso e quando digo imenso era porque devia ser quatro vezes o tamanho do meu quarto em casa. A cama era King Size, os lençóis cor de rosa, imaginei que esse detalhe ficou por conta do meu pai. O guarda roupa gigante era todo de madeira em cor natural, assim como todos os moveis. Mesa de computador, internet – e eu que achei que ficaríamos isolados, por algum motivo achei que não haveria "modernidade na praia", na casa de praia da Ana os pais dela proibiam internet, para poderem aproveitar as filhas, achei que meu pai faria o mesmo, mas o modem indicava o contrario – telefone fixo, uma sacada tão grande quanto á da sala com aquele mesmo sofá baixo. Era uma suíte, entrei no banheiro e quase chorei, uma mega banheira de hidromassagem, o chuveiro parecia uma nave espacial de tão grande, em cima da bancada da pia, havia cremes corporais, e uma quantidade absurda de sais de banho. Me senti uma princesa.
Fui para a minha sacada e me joguei no sofá, meu pai estava parado na soleira da porta do quarto.
- Então? – Ele ergueu uma das sobrancelhas e seu sorriso convencido era arrebatador.
- Podemos morar aqui para sempre? – Perguntei brincando.
- Você quer que eu a compre? – Olhei para ele em choque.
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O Último Olhar
Fiksi RemajaOUO - O Último Olhar - É o segundo livro da Serie The Last (que contará com 5 volumes). Esse livro será publicado de forma independente em 2017. Esse livro NÃO está revisado, mas a pedidos de diversos leitores será postado assim mesmo, portanto não...
