Capítulo 11

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Miguel sentia-se como se estivesse sendo arrastado por um tsunami. As coisas aconteceram de forma tão rápida e inesperada entre ele e Sandra que chegou a pensar que se tratava de mais um de seus sonhos loucos. Não havia lógica nenhuma naquilo. Até aquela manhã, eles se conheciam somente à distância. Então, de uma hora para a outra, eram namorados!

Após a academia, comeram alguma coisa em uma lanchonete e foram direto para a escola, caminhando de mãos dadas. Aqueles que os conheciam, olhavam admirados, tão surpresos quanto Miguel estava.

Giovanna havia voltado à sua rotina de ir a pé para a escola sozinha, pois já não podia mais contar com Gabriel. Assim, quando estava a alguns metros do colégio, observou a inesperada cena de Miguel e Sandra se beijando próximos à entrada, do lado de fora do portão. Pareciam estar se despedindo. E que despedida! Giovanna sentiu um tremor incomum e estacou, como se não acreditasse no que estava vendo. Um inexplicável mal-estar lhe sobreveio naquele instante. Antes disso, estava ansiosa para encontrar Miguel e desabafar sobre o término súbito de seu namoro com Gabriel. Precisava muito se abrir com ele, pois isso sempre a fazia se sentir mais leve. Conversar com Miguel era algo que a tranquilizava, há muito tempo que não o fazia, e aquele era um momento em que precisava demasiadamente do amigo. Mas, diante da cena, essa sensação de desconforto estava se tornando tão intensa, que até mesmo ela ameaçou dar meia volta e retornar para casa. Porém, conteve sua vontade e prosseguiu contrariada, pois não podia se dar o luxo de faltar. O professor de geografia havia avisado sobre a aplicação de uma prova justamente naquele dia.

Ela entrou na sala de aula logo depois de Miguel, mas sentou-se ao seu lado sem sequer cumprimentá-lo. E, por incrível que pareça, ele também sentiu o mesmo desconforto em sua presença, como se estivesse lhe devendo algo. Mesmo assim, lutou contra esse sentimento.

A despeito de sua intenção de fazer algo para esquecê-la, Miguel jamais conseguiria ignorá-la por muito tempo enquanto estivessem em um mesmo ambiente, por isso, tomou a iniciativa de falar.

— Oi... — começou ele.

— Oi — ela respondeu secamente, com a atenção voltada para um livro que tirou da mochila assim que se sentou.

— Tudo bem? — perguntou ele.

— Tudo. — Giovanna continuou a desfolhar o livro sem olhar para o lado.

— Aconteceu alguma coisa? — insistiu Miguel.

— Não! Por quê? — perguntou ela, irritadíssima.

— Não sei... Você não me parece bem hoje...

— Não foi nada! Esquece!

— Tem certeza?

— Claro! — garantiu-lhe ela.

— Então, tá... — Miguel se conformou.

O silêncio imperou entre eles durante toda a aula. Mas, apesar de aparentarem concentração, vez ou outra um deles parava de escrever e ficava com os olhos fixos no vazio, a pensar. Veio o intervalo do recreio e cada um foi para um lado. Esse clima prosseguiu até tocar o sinal de aviso para irem embora. Somente então, quando se viram a sós, é que Giovanna resolveu quebrar o silêncio.

— Por que não me contou?

— Sobre o quê?

— Sobre você e a Sandra, ora! Que vocês estão namorando.

— Ué, porque achei que não fosse do seu interesse.

— Não? Pensei que fôssemos amigos!

Na Frequência do AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora