Capítulo 15

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Seis horas da manhã do dia 20 de dezembro de 1986. O despertador disparou, soando sua campainha por cerca de trinta segundos antes que Giovanna acordasse e esticasse a mão até ele para desativá-lo. Ela sentou-se na cama espreguiçando-se, esticando um braço e depois o outro. Então, notou o raio de sol que entrava por uma fresta da cortina que cobria a janela e levantou-se lentamente para ver o belo dia que se iniciava. Semanas antes, ela aguardava este dia com viva expectativa, pois sabia exatamente o que aconteceria nele. Mas agora, no amanhecer deste dia, tudo o que podia esperar eram surpresas.

Giovanna caminhou em direção à janela e abriu a cortina, permitindo que a luz do sol entrasse em sua plenitude, iluminando todo o aposento. Ela sorriu ao ouvir o canto dos pássaros que se agitavam entre os galhos das árvores no quintal de sua casa. Mais uma vez, espreguiçou-se ao sentir o ar fresco entrar, esticando os dois braços para cima, ainda sorrindo e de olhos fechados. A vida e a natureza eram coisas que a deixavam maravilhada, enchendo-lhe de ânimo e renovando suas esperanças, mesmo quando as coisas não pareciam muito favoráveis.

— Obrigada, Deus! — agradeceu com o rosto voltado para o céu.

Porém, ao abrir os olhos e observar a varanda que dava entrada para o seu quarto, ela se deparou com a imagem de alguém deitado no chão, bem próximo de sua janela. Inicialmente, ela se assustou e deu um passo para trás, imaginando ser algum assaltante que adormecera enquanto esperava por uma oportunidade de invadir sua casa. No entanto, tomou coragem e se inclinou para examinar melhor aquela pessoa. E quando, por fim, reconheceu quem estava ali, seus olhos se encheram de lágrimas de emoção, pois não conseguia acreditar no que estava vendo. Estaria sonhando?

Passado o estado de surpresa e incredulidade, Giovanna saltou agilmente pela janela, pulando em cima daquele que jazia desacordado, abraçando-o como uma louca.

— Miguel? É você mesmo? Você voltou! Você voltou! — gritou ela, em comemoração.

Diante de tamanho alvoroço, Miguel despertou, expressando tanta surpresa quanto Giovanna havia demonstrado ao vê-lo.

— Gi-Giovanna?! É... É você? O-onde estou? — perguntou, pensando que se tratava de mais um de seus sonhos hiper-realistas.

— Sim, sou eu! Você está na varanda do meu quarto... Eu ia lhe perguntar o que está fazendo aqui... Mas, pelo jeito, nem mesmo você saberá explicar...

Um tanto confuso, Miguel coçou a cabeça. Depois levou a mão ao queixo ainda dolorido, o que lhe trouxe à lembrança sua última recordação: o inesperado soco de um bruto ciumento. Depois de horas inconsciente, as "ondas do amor" fizeram o trabalho de conduzi-lo até Giovanna, mesmo estando desacordado.

— Estou surpreso de despertar aqui... Mas acho que sei como isso aconteceu...

— É mesmo? Como? — perguntou Giovanna, curiosa em saber que façanhas seu amado teve que realizar para cumprir sua promessa.

— Eu tenho muito para lhe contar, Giovanna. Minha vontade agora era te abraçar e te beijar... E te falar sobre tudo o que eu sinto por você... Mas tenho bons motivos para me conter. Você confia em mim?

— Sim, eu confio! Mais do que nunca!

— Então aguarde mais algumas horas, por favor... Eu prometo que te direi tudo, tudinho o que você precisa saber a meu respeito, ainda hoje, à noite, durante o baile. Pode ser?

— Claro! Eu confio em você! Sei que deve ter bons motivos para tanto mistério. Eu esperarei... Ainda que muito ansiosa...

— Obrigado, Milady! Você é mesmo uma garota incrível! A-agora... dá para você sair de cima de mim? Nã-não que eu não esteja gostando... O problema é justamente esse... Quer dizer...

Na Frequência do AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora