— Me lembro sim deles. Porém, depois que eles morreram, perdi o contato. Nunca imaginaria que você é a Hailee. Aquela garotinha gentil que conheci.- Diz pensativa olhando pra mim. Percebo que por alguns segundos, Maryse tem lembranças e em seguida sorri fraco.
Maryse não diz mais nada e o silêncio é quebrado pela saída dela da mesa.
— Com licença. Tenham uma boa noite.- Diz se retirando sem ao menos me dar mais informações.
Coloco os cotovelos apoiados na mesa e as mãos na cabeça. Não tem como saber se ela é inimiga ou não.
— Hailee?! Você está me ouvindo?-Diz Ian olhando friamente pra mim.- Está explicado o porque quis vir aqui não é?! Nunca quis conhecer minha família e nada mudaria isso, ah não ser seu incrível empenho em descobrir o culpado pela morte dos seus pais! Minha mãe não está envolvida e não aceito que especule isso.- Diz ele com raiva. Ian se aproxima de mim e segura com força no meu braço.
Volta a minha consciência.
— Me solta Ian!- Digo irritada. Ele me solta.- Eu nunca faria nada com a sua mãe! Eu nunca pensaria isso dela! Mas duvido muito que você deixaria eu perguntar pra ela numa boa. Essa foi a única forma. E independente de como sua mãe seja, ela é um ser humano. Ela poderia não tê-los matado, mas poderia me dar alguma informação que me ajude a desvendar essa merda de mistério!.- Digo e ele digeri minhas palavras.
Ele não diz nada e aproveito para falar mais algumas coisas.- Eu entendo você. Você tem uma mãe, uma pessoa que te amou e te criou. Eu defenderia a minha assim também; se ela estivesse viva. Mas eu perdi a chance de ter esse direito. Eu nunca faria mal a sua mãe, porque ela é sua mãe Ian.- Termino de falar e ele apenas me analisa. Olha para o chão e aquele ambiente começa a me atingir intensamente. Portanto decido sair daquela casa, especificamente daquele ar sufocante.
Caminho pelo condomínio sem nenhuma noção por onde estou andando. Apenas gravei o caminho de volta.
Estar ao lado de quem amamos complica tudo. Se eu não me importasse com o Ian, teria invadido aquela casa e obrigado ela a falar a verdade. Mas essa situação complica. Ian não entende o que estou tentando fazer. E talvez, por culpa disso(no caso ele) eu não conseguirei mais nenhuma informação.
Ando por volta de três horas, e volto para a casa do Ian. As luzes estão apagadas, todos provavelmente estão dormindo. Caminho delicadamente de volta para o meu quarto. Pego minhas coisas e me preparo para ir embora. Mas... Ian me barra assim que abro a porta.
— Onde pensa que vai?.- Pergunta ele olhando fixamente em meus olhos.
Não respondo.
Ian fica irritado e tira a bolsa da minha mão. Ele a coloca na cama e olha pra mim.
— Você não vai embora. Nem condições para isso você tem.- Diz e dou uma risada sarcástica.
— Já consegui fugir de um covil de cobras com dois tiros perfurando minha barriga e três cortes na perna. Acho que consigo me virar.- Digo determinada.
— Não começa com seus papos de ex mafiosa e não me provoque! Você vai ficar aqui e ponto. Amanhã de manhã iremos embora.- Diz ele indo para a porta.
— Quem você pensa que é para me obrigar a ficar aqui? Acho melhor ficar o mais longe possível da sua mãe não é? Vai que eu tente matá-la.- Digo em tom de ironia super irritada.
— Você não ousaria. Tenha uma boa noite Srta. Stevens.- Ian sorri ironicamente e sai.
— Como eu te odeio Ian!- Digo e me deito na cama.
Olho meu celular que recebem uma mensagem:
Eu ouvi isso, e sei que você me ama.
- Ian
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Entrelaçados
Mystery / ThrillerOs segredos trazem consequências absurdas, envolve pessoas, destrói almas, mata fisicamente e psicologicamente alguém. Não parece nada quando dizem "guardar segredos é essencial, as pessoas não precisam saber de tudo." Sim, certamente. No entanto, i...
