Dor

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~• Betty on •~

     - Vocês vão precisar trazer uma redação sobre as Revoltas Políticas de 1800 para amanhã. - disse o professor embora ninguém estivesse prestando atenção.
     O sinal toca e eu me dirijo para meu dormitório que estou dividindo com Cheryl. O trajeto sala-quarto se tornou tão habitual que já estou indo quase automaticamente. Hoje é dia 13 de agosto... Faz dois anos que saí de Riverdale. Não estou em um bom dia.
     - Você chegou mais cedo... - Cheryl falou me vendo entrar no quarto.
     - Não aguentei ficar mais naquela aula.
      - É o Jug, certo? - ela fala triste.
       - Sim...- Eu falo chorando e a abraçando. Era só o que eu precisava. Um abraço.
      - Eu estou aqui, tá? - Ela diz com um sorriso fraco.
      - Se eu pudesse eu iria agora para Riverdale...
      - Mas vocês estão se falando?
      - Nós conversávamos antes, mas agora tudo está difícil. Mesmo eu querendo falar com ele a qualquer momento, tudo mudou, sabe?
      - Como ele está?
      - Acho que bem, mas ele parece mais sombrio, e não o culpo por isso.
      - E você, Betty?
       - Eu simplesmente não sei. Não sei quem eu sou mais. Nós dois éramos como uma só pessoa, mas agora estamos separados . Não sou mais a Betty de antes.
      - Como se o passado fosse um peso na consciência. - ela fala.
      - Exatamente. Eu o amava, ainda o amo. Ele sempre será o meu Jug, minha primeira paixão.
      - Eu te entendo. Minha situação com Toni também é assim, mas ela também foi embora de Riverdale. Ela vai ser uma médica. Será  Toni Topaz a nova Meredith Grey?
       - Quem é essa?
       - De uma série que eu assisto, esquece.
      - Vou tentar ligar para ele, fica comigo aqui?
       - Claro. Vamos lá.
       Eu me sento na cama com Cheryl ao meu lado, com meu coração palpitando. Eu só queria ouvir a voz dele, pois tenho certeza que isso vai me acalmar, como ele sempre fazia comigo.
     - Alô? - Eu falo com a voz falha quando ele atende a ligação. - Jug?
     - Betty? - ele falou, parecia emocionado. Um silêncio se instalou entre nós, mas não era constrangedor, pelo contrário, só de saber que ele estava lá do outro lado da ligação já me confortava.
      - Como você está? - eu pergunto nervosa.
      - Não sei... Sinto sua falta. - ele fala e lágrimas começam a sair de meus olhos.
      - Também, Jug. - Eu não somente sentia sua falta, sentia um vazio em meu peito, como se um buraco negro tivesse sugado toda minha alegria. Sinto falta de seu sorriso, seu toque, seu beijo, seu tudo.
     - Como você está aí?
    - A faculdade está puxada, mas estou me saindo bem. A melhor aluna da sala!
     - Que novidade! - ele fala ironicamente, me fazendo rir.
     - Eu... Eu te amo, Jug. - Eu falo aos prantos - Eu tenho vontade de abandonar tudo isso aqui só pra voltar pra você.
     - Eu seria egoísta se te pedisse isso. - ele falou e percebi que também chorava.
    - Você está conseguindo dar conta de tudo, já que é rei dos serpentes?
     - Sim... Acredita que Verônica tem me ajudado? - ele fala e por incrível que pareça eu senti um pouco de ciúmes, mas estava feliz por ele.
    - Como ela está?
    - Bem, na medida do possível.
    - E a cidade? Depois de tudo que aconteceu...
    - Tudo está se restaurando aqui, mas é como se o passado fosse um cicatriz.
     - Eu entendo...
     - Betty, eu tenho que ir... - ele falou desesperado e aquilo quebrou meu coração. Então seria assim agora?
    - En... - A ligação cai na minha cara e eu fico pasma. Boatos diziam que Jughead agora estava sombrio, mas não imaginei que ele chegaria a esse ponto comigo. Depois de seis meses sem nos falarmos...
     - E aí? - Cheryl perguntou ansiosa.
    - Nada de mais. Como eu esperava. - eu falo seca.
     - O que ele disse?
      - Vamos mudar de assunto? - eu falo rapidamente, pegando um comprimido na bolsa. Já tomo tanto esse remédio que nem preciso de água pra me ajudar a engolir. Dor de cabeça. Depois daquele acidente, onde Tallboy quase me matou, eu fiquei com sequelas e agora toda hora a dor de cabeça me atinge. Geralmente quando estou estressada, como nesse momento, ela fica quase insuportável, me fazendo ter que tomar quase 8 comprimidos por dia.
     - Você está bem? - Cheryl diz preocupada.
     - Não, não estou. - eu falo chorando enquanto ela me envolve em seus braços. Não sei o que eu seria sem Cheryl comigo.
    - Betty? - alguém bate na porta, me fazendo despertar do transe de tristeza.
      - Quem é? - eu falo limpando minhas lágrimas, tentando parecer normal.
      - David. Escutei você chorando... Você está bem? - ele fala todo preocupado e por incrível que pareça eu melhoro um pouco ao saber que mais alguém se preocupava.
      - Não definitivamente, mas vou ficar, obrigada por se preocupar. - eu falo com uma voz carinhosa.
      - É o mínimo que eu podia fazer por você...

   * Flashback on - um ano atrás *

   - V? - Eu falo com Verônica no telefone.
   - Oi! Me conte as novidades! - ela fala empolgada.
     - Adivinha quem está na minha sala? O David! 
     - Calma... É aquele David de Las Vegas que você beijou por causa de um desafio?
     - Sim!
     - Caramba! O universo é todo estranho...
     - Nem me fale! Como estão as coisas?
     - Estou bem, por incrível que pareça. Como você, também saí por um tempo de Riverdale. Faz seis meses que estou em Nova York.
      - Então depois que eu fui embora você também foi?
      - Sim...
      - Tem notícias do Jug? Minha mãe?
      - Não, desculpa...
      -Tudo bem.
       - Que barulho é esse?
      - Também não sei... Depois te ligo, vou lá ver.
     
      Eu ando pelo corredor na direção do barulho. Parecia que tinha alguém gritando e também uma pessoa chorando... Era no quarto do David.
     - David? David! - Eu falo batendo na porta.
     - Entra! Rápido! - ele fala desesperado.
     - O QUE ACONTECEU? - eu falo ao ver uma garota convulsionando no chão.
     - E-ela...
     - Vou chamar a ambulância. - eu ligo e volto a falar com ele - O que aconteceu com a Emily?
     - Nós estávamos conversando e do nada ele começou a ficar assim... - ele fala chorando.
     - Ela vai ficar bem... A quanto tempo vocês estão juntos?
     - Um ano. Eu a amo tanto... - ele fala chorando e eu o abraço, pois me imagino nessa situação.
     - Licença! - os médicos chegam e quando eles vão até a Emily, congelam - Sinto muito.
     - NÃO! Não fale isso! - David grita desesperado. 
      - Ela está morta... Ela ingeriu algo estranho?
      - Não, só aquele remédio... - ele aponta para uma caixinha.- Ah não! Aquele é o meu! Ela deve ter confundido, ela é alérgica à ele!
      - Calma senhor, me explique direito! - o médico fala.
      - Ela tomou o remédio errado, o que ela é alérgica. - David fala e o médico olha para ele com um olhar triste.
      - Sinto muito... - o doutor fala saindo do quarto, deixando somente eu e David lá.
     - FOI CULPA MINHA! NÃO...
     - DAVID, me escuta! Olha pra mim. Não foi culpa sua, você não podia ter previsto. - eu falo segurando seu rosto.
     - Mas... eu a amava, Betty. - ele fala triste.
     - Eu sei... Vem cá. - eu falo o abraçando. Ele não merecia aquilo, por que sempre as piores coisas acontecem com as melhores pessoas?
    - Obrigada...

* Flashback off *

   Eu olho para o espelho na minha frente, com Cheryl ainda ao meu lado.Vejo meu reflexo e por um momento não me reconheço mais... Meu cabelo cresceu, não uso mais aqueles rabos de cavalo, meu rosto está mais pálido, mas com certeza Jug falaria que ele está lindo... Porém meus olhos já não expressam a felicidade de antes. Estão vazios, sem cor. Espero que essa tempestade passe rápido...

🌸🌸🌸🌸🌸🌸🌸🌸🌸🌸🌸🌸🌸

   Aaaa agora uma nova fase em True love vai começar e eu estou muito empolgada com tudo que vai acontecer!

Então David também sofreu, sua namorada morreu em seus braços... e por que Jug desligou o celular na cara da Betty? Calma, vai ter um explicação!

Espero que tenham gostado e que True Love 2 comece!

Love you, Duda 💕

𝙏𝙧𝙪𝙚 𝙇𝙤𝙫𝙚 𝙄𝙄 | 𝘳𝘪𝘷𝘦𝘳𝘥𝘢𝘭𝘦Onde histórias criam vida. Descubra agora