"Você vai chorar, vai sorrir, vai chorar de sorrir, sorrir para não chorar... e o mundo vai continuar girando...Então apenas entre na roda amor, ficar de fora não é opção (...)
Faça valer, faça sentir, cada dor, cada alegria. Faça sentido em cada um que passa na sua vida, os que vão, os que ficam, e os que se vão mas ficam... Só não pare amor, isso nunca! Pense andando, chore andando, sorria andando. Só não fique para trás.
Existir sem ter vivido, é triste demais. "
L. Krsna
Fechar os olhos era um hábito, mesmo que sempre fosse noite para ele. Ergueu a cabeça, sentindo o ar, o cheiro das flores.
Jasmine.
Sentiu o sol por entre as folhas das árvores, e o cheiro de couro da jaqueta de aviador.
'- Você poderia ir de aviador, daqueles antigos. Jaqueta de couro, óculos, e quero que recite um poema.'
Virou o rosto na direção onde Hiashi havia dito que estava a túmulo e se agachou fechando a bengala e deixando as flores no gramado bem cuidado. Tateou a pedra fria, sentindo a escritura em alto-relevo com os dedos bem treinados.
Afinal, já fazia cinco anos desde que perdera a visão. Com o tempo, certas coisas vem naturalmente.
Hinata Hyuuga
Amada filha, querida irmã, inesquecível amiga
'- Qual?
- O mundo, de Henry Vaughan.'
-Eu demorei, me desculpe. – Sentou no gramado molhado pelo orvalho, seus dedos descendo da pedra com carinho. – Mas antes tarde do que nunca.
Voltou a fechar os olhos, nos velhos hábitos que nunca morrem, sentindo o sol filtrado na pele das pálpebras e aspirando o cheiro de jasmine que envolvia a tudo.
Sua voz tomou o silêncio daquele domingo de verão, solitária no grande espaço do cemitério, ecoando por entre as lápides.
-Vi a eternidade em uma noite entrante/ Qual grande anel de luz pura e incessante/ Toda calma, tanto quanto brilhante/ E bem debaixo dela, o Tempo em horas, dias, eras/ Impelido pelas esferas/ Como uma vasta sobra avançada...
'Você tem que aprender a voar de verdade.'
- Onde o mundo e todo seu séquito soçobrava.
Os olhos voltaram a se abrir, e eram de um lilás apagado, despigmentado. Um sorriso pequeno tomou seus lábios e a mão voltou à pedra fria, com carinho, em uma despedida que havia demorado tanto para acontecer. O adeus que ficara em suspenso.
-Eu quero que saiba que você me ensinou a voar. - pegou as flores e colocou em cima da pedra, a voz caindo para um sussurro.- Se estiver me ouvindo saiba que eu poderia viver uma eternidade, mas eu ainda te amaria, de alguma forma, em cada dia que eu passasse nela.
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Hanabi demorou alguns segundos admirando a figura que seguia para fora dos portões do cemitério. Usando uma jaqueta de couro de aviador, removendo os óculos para voo com uma mão, a outra segurando a bengala que ela havia lhe dado de presente anos atrás. Sua postura era ereta, seu andar não possuía nada de incerteza. Isso sempre lhe pegava de surpresa. Quem o visse de longe, nem mesmo poderia desconfiar que ele não tinha visão.
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Da tua retina
FanfictionAviso de imediato que essa não é uma história triste e depressiva, apesar de ser narrada por um cara que acabou de ficar cego e teve uma estranha experiência de quase morte. Essa é a história de uma cara que só acreditava no que poderia ver, e por...
