CAPÍTULO 11

8.4K 592 10
                                        

Pov Lauren

Servi uma doze de Johnnie Walker apreciando a paz do Pacífico na minha remota ilha, na maior tranquilidade, pelas amplas janelas abertas que levavam o gosto do mar a mim quando ouvi aquela voz que turvou toda minha paz interior.

Só estando imerso em pensamentos nada produtivos sobre aquela feiticeira mesmo para não ouvir o helicóptero pousar na minha pista, o lacaio preferido do meu pai invadir meu território e vir distorcer ainda mais minha escassa paz. 

O que Camila estava fazendo comigo para deixar-me tão desliganda assim? 

Eu mereço, fechei os olhos, irritada. Coloquei o copo de whiskey na mesa sem ao menos ter dado um gole. – Lauren. 

Soltei um suspiro exasperado, esforcei um sorriso apertado e vire-me para cumprimentar o pior pé no saco já existente na face da terra. 

- Ian Somerhald. A que devo a honrar?-ele sorriu.

– Nada de mais. – Respondeu ele fazendo-se em casa. Nada de mais, uma ova. Aposto que estava vindo fuçar nos meus negócios particulares. E meu instinto dizia que tinha algo a ver com a minha mais nova hóspede. 

Um sentimento estranho e possessivo tomou conta de mim, ninguém mais tinha direito de a atormentar, a não ser eu claro. Mascarei minha irritação e levantei uma sobrancelha a sua resposta, o Ian gargalhou. 

- Ah, Lauren. Sempre desconfiada. Mas em fim, o velho homem mandou dar uma olhada em você, para ver como as coisas andam. – Ele desenhou um sorriso esperto. 

- Não me diga? Bem, como pode ver, está tudo a mil maravilhas. E mais uma coisa, se o velho homem quiser ter notícias minhas, diga para ele aparecer, ligar ou mandar email. Formas de comunicação hoje em dia são o que não faltam. Não precisa espiões em minha casa. 

O sorriso esperto balançou, atingi um ponto. Mas como Ian era um filho da puta da pesada, não era fácil quebra-lo só com algumas palavrinhas. 

- Qual é Lauren? Sabe bem como o velho homem é. Só está preocupado com sua filha. A única que restou, não? Desde daquela última vez que quase passas-te pra outro lado, nunca se sabe... de tempo em tempo temos que fazer uma visita. 

Era mesmo um filho da puta. De todos, Ian era o que sempre fazia questão de lembrar-me daquela infeliz noite. Que a suposta mulher que dizia amar-me botou um tiro mortal no meu peito. Um gosto amargo invadiu minha boca. 

Virei, peguei no copo de whiskey e entornei sentindo o gosto amargo da bebida, pelo menos era melhor que a lembrança daquela noite. E quando acordei, as coisas não melhoraram, estava lá meu pai, neutro como sempre, dizendo exactamente tudo que eu não precisava ouvir naquela hora. 

Eu nunca ganharia o pai do ano, mas naquele momento eu precisei dele, - Lauren? – A razão da submersão dos meus demónios tirou-me das minhas memórias sofridas. 

Hora do show Lauren. Plantei um sorriso no rosto. Encarrei Ian, que continha um brilho triunfante nos olhos, o cabrón estava quase gozando de felicidade, pois iria o mostrar quem era Lauren Jauregui. 

- Whiskey? – Servi-o. 

- Não. Estou dando um tempo nas bebidas. – Levantei uma sobrancelha a isso. Interessante. 

- Claro. Bem, como já viu Ian, não há nada novo por aqui, então pode dar meia volta, e há, não esqueça de mandar lembranças ao velho homem. Sí? 

O sorriso sarcástico voltou. – Claro, afinal é por isso que estou aqui não? Mas antes... - pausou para criar suspense, mas ele esquecia-se que eu era rei de jogos mentais. Continuei indiferente. – Há rumores que circulam por aí e dizem que raptaste uma pobre chica. E?

- E, o quê? 

Servi mais uma rodada de whiskey, rodei a mesa, sentei-me na cadeira fazendo cara de poker. – Como disseste, rumores. 

Observei atentamente a reação de Ian, "do relaxado, ao borbulhando de nervos" bateu a mesa feito um pitbull. Até ai era demais. Ninguém bancava o macho alfa no meu território. Não na minha toca! 

Esta era a porra da minha casa, e já estava na hora dessa cabrón saber disso! Virei o copo num gole rápido e duro e fechei os olhos planejado meu próximo movimento, reabri-os e levantei subitamente. 

Ian não me viu chegar. Segurei o cabrón pelo pescoço o tirando da minha poltrona, que ele estava sentado como se tivesse tirado cada centavo que gastei na merda. E bati brutalmente sua cabeça na minha mesa que havia sobrevivido a varias cabeças duras, como desse indivíduo aqui. 

Os olhos castanhos dilataram pelo choque e como uma puta que ele era começou a gritar e se espernear no meu agarro de dor. Reforcei o agarrou no seu pescoço, seu cabelo curto militar facilitava as coisas. 

- Agora ouça e ouça com atenção. – Baixei ao seu nível e sussurrei com veneno em cada palavra. – Vai voltar do buraco de onde você saiu, e dar seu relatório ao seu chefe, como uma boa puta e nunca mais vai voltar aqui, se quiser continuar vivo. Porque marque minhas palavras Ian, eu. Não. Sou. Meu. Pai... eu sou pior. – Senti-o estremecer. Bom. 

Larguei-o e ajeitei a camisa que usava, - agora vá. 

O cabrón não perdeu tempo, saiu correndo da minha sala, devolvendo a paz interior de antes. Meus lábios alargaram-se num sorriso, mostrando os dentes. Peguei no telefone e diquei a tecla 1, que era a extensão da cozinha. 

- Marta. 

- Sí. 

- Prepare algo bom para comer pra nossa hóspede. Porque hoje sua noite será longa e ela vai precisar de energia. 

Como sempre Marta começou a reclamar num espanhol rápido, nunca deixando de dizer o que ela pensava sobre a minha súbita hóspede. Mas não liguei, Marta era a única coisa boa que tinha restado dessa vida de cão. 

Desde que o senhor meu pai trouxe-me a casa dos Jauregui's, Marta foi como uma mãe para mim, cuidado de mim 24h por dia, por isso quando mudei-me daquele pandemónio trouxe-a comigo. Era a única pessoa no mundo que podia-me puxar orelhas. 

Devia minha vida a aquela velha mulher. Mas nesse assunto nem ela poderia mudar minha decisão

A Grande Mafiosa Histórias para pegar e não largar. Descubra agora