Pov Camila
Sabe quando a esperança parece ter-nos abandonado e desistimos de viver... estava quase lá, mas a teimosia humana de insistir num ilógico instinto de sobrevivência não me deixava apagar de vez, negava-se render a escuridão, segurava na pequena centelha da luz com garras e dentes.
Meu Deus porquê nos castigar com esse instinto que nos mantinha de pé mesmo não querendo, obrigando-nos a lutar...?
Eu queria dormir, apagar, entregar-me... sim, era fraca, mas diante de tanto sofrimento, palavra escolhida por falta de opção diante do macabro que via, estava em alerta e horrorizada, mas não vencida.
Desista de uma vez!
Não!
Minhas entranhas rebelaram mais uma vez.
Viu o que fizeram com a mulher ao seu lado?
Mesmo contra vontade observei mais uma vez a mulher mulata, a 3 jaulas de mim, jogada nua no imundo chão, toda ensanguentada e suja, visivelmente violada e espancada, onde a única pista de que continuava eram os tremores que sacudiam seu corpo inteiro.
Como manter esperança com tudo aquilo sabendo que que aquele era meu destino?
Mais um tremor varreu meu corpo e quis chorar, mas acontece que não caia mais uma lágrima sequer, porque já tinha entrado em choque, desespero, e negação... e finalmente tinha aceitado a minha realidade.
Baixei a cabeça e encolhi meu corpo num canto da jaula, tornei-me um feto assustado, balançando nervosamente, inconsolável, quando de repente ouvi um estrondo ao meu lado e rapidamente foquei no que estava acontecendo a beira de um ataque de pânico e um grito saiu da minha garganta quando vi um dos guardas fortemente armando caído duro no chão ao pé da minha jaula com um tiro certeiro na cabeça.
Entrei em colapso nervoso de novo, um autêntico curto-circuito.
O que estava acontecendo!
Mas os tiros e barulhos de armas de fogo juntamente com o caos que tomou conta do lugar acordaram-me mais uma vez meu odioso instinto de sobrevivência e do jeito que pôde protegi-me do caos incontrolável de balas e gritos voando soltos.
O que foi isso agora?
Não sei quanto tempo passou naquela loucura de trocas de tiros, e nem queria saber, só queria sair dali o mais rápido possível, mantinha a cabeça baixa e o corpo protegido o melhor que podia contra toda aquela violência, silenciosamente chorando e tremendo, rezando para que tudo acabasse logo e por um milagre eu saísse viva dessa história, mas assim que alguém tocou minha cintura tirando com força do chão protetor, esperneei e gritei feito uma louca, fora de mim, até que ouvi a voz de Lauren e parei por um segundo, o suficiente para ver a miragem.
No meio daquele todo caos: tiros, gritos, confusão... meu corpo estalou ao sentir a quentura dos braços musculosos de Lauren e como uma droga irresistível entreguei-me ao seu inebriante êxtase, minha luta esquecida, deixei ela me abraçar e moldar meu corpo ao seu protegendo-me de tudo.
Ajoelhados, colamos nossos corpos, sentindo a essência uma da outra, não acreditando que aquilo realmente acontecia, um perfeito encaixe, um sonho até que ela murmurou meu nome com tanta veemência como se ela própria não acreditasse que eu estivesse aí e fosse uma mera miragem, foi aí que me dei conta que aquilo, que ela era real, não um fragmento de minha imaginação alucinado que minha cavaleira de armadura brilhante veio resgatar-me da torre guarecidas por um terrível dragão.
E lá estava ela, não precisamente de armadura brilhante, mas sim bem armada e protegida com equipamento e vestimenta de combatem, todo de preto, não carregava uma espada para matar o dragão, mas sim um baita de uma poderosa arma, uma só não, mas várias distribuídas por seu corpo, para matar esses homens, sei que poderia considerar aquilo seres humanos, esses demónios que me aprisionaram!
Meu príncipe, não, Lauren não era nenhum príncipe, olhando profundamente em seus lindos olhos verdes escurecidos, encapsulados por aqueles cílios de dar inveja, cheio de emoção turbilhonado neles, vi o que era de verdade, um cavaleiro sim, mas um cavaleiro sombrio, estava escrito em suas feições duras, sua postura rígida e grande contra meu corpo fragilizado e pequeno, aquela mulher, por incrível que pareça combinava com o caos que desencadeava em nossa volta, como se ela fizesse parte daquela escuridão, seu elemento natural, poderia sentir a vibração violenta alimentar seu corpo que parecia maior, um autêntico e perfeito fundo para um deus de guerra.
Lauren estava aí sim para salvar-me, contra todas probabilidades ela veio, mas ela não uma mocinha boa, ela pertencia as sombras o ver naquele ambiente foi como se o céu tivesse aberto e a visse pela primeira vez como era e por incrível que pareça, não estava tendo problema com isso.
- Lauren - sussurrei seu nome à beira de lágrimas.
Ela não perdeu tempo, fechou a pequena distância entre nós e colou nossos lábios, foi como se eu estivesse beijando pela primeira vez, como água no deserto depois de uma eterna seca. Refrescante e alucinógeno, o suficiente para fazer as secas pupilas florirem com lágrimas de novo.
Lauren parou o beijo desesperado e olhou-me preocupado, procurando em meu corpo ferimentos óbvios e como não achou, seu olhar profundo e cheio de emoções vasculhou meu rosto freneticamente, buscando por resposta por minhas lágrimas.
- Você veio... - consegui dizer no meio dos soluços.
Ela agarrou minha cabeça com ambas mãos e disse, - claro que vim, eu te amo Camila, eu...
Não ouvi mais nada que ela disse, minha mente ficou num loop infinito de suas palavras, não conseguindo entender a avalanche de sentimentos que invadiu meu sistema.
- Camila, você está bem, não vais dizer nada, eu sei que isso tudo é minha culpa, mas acredite em cada palavra que eu disse Camila, dessa vez é sério, eu realmente te amo, eu...
- Lauren ...
Mas antes que pudesse responder fomos interrompidos o momento especial por uma voz urgente que me assustou, consequentemente enterrando-me mais ainda nos braços de Lauren, tentando escapar do novo perigo.
- Odeio cortar o momento pombinhos, mas agora não é hora de consolidarem o vosso amor, terão tempo suficiente para isso depois, agora concentrassem em sair daqui com vida para que possam viver esse amor.
- Dinah! – Disse num sopro não acreditando que Lauren trouxe a comitiva toda ao meu regaste.
- Diria que é prazer rever a senhorita, mas... - Não ultimou pois disparou para um soldado do mal, - vamos! – Comandou não dando tempo para protesto.
Lauren rapidamente nos levantou do chão e segurou minha mão, pronto para me tirar daquele inferno. Mas uma vez voltei a ligar-me ao caos do lugar e a coisa que se destacou no meio daquela confusão foi a mulher de mais cedo, a abusada e suja mulher da jaula ao lado, travei Lauren e roguei olhando profundamente, - Laur, por favor, leve aquela mulher conosco.
Lauren olhou-me interrogando e seguiu meu olhar a mulher em questão, franziu o rosto, mas foi Dinah que deu a resposta, - senhorita Júlia não temos de bancar o bom samaritano, a coisa já está difícil como está, os homens não conseguiram mantê-los afastado de nós por muito tempo. Dê graças a Deus que não há Snipes aqui, tempo é...
- Dinah por favor, seja humano, leve aquela mulher! – Demandei, não sei extraindo forças de onde, mas algo no fundo do meu coração negou-se a abandonar aquela mulher ali, não sei exatamente porque a escolhi no meio de todas aquelas pessoas: crianças, idosos, homens e mulher em piores condições...
Bem não poderia salvar todos como queria, mas aquela mulher, algo no meu profundo disse para não deixa-la atrás, e como hoje tive um flash de milagres, o maior de todos, pois Lauren veio me salvar, decide não duvidar dos meus instintos.
- Lauren por favor, - pedi do fundo da minha alma.
Lauren suspirou e deu a ordem silencioso a Dinah que resmungou mas mesmo assim foi a jaula da mulher, disparou o cadeado e a tirou de lá, carregando-a no seu colo, a coitada estava tão mal que nem protestou ou resmungou enquanto ela a manuseava, vi algo sombrio tomar o olhar de Dinah enquanto ela observava a mulher em colo e encolhi nas costas de Lauren que também notou a mudança repentina de Dinah ― um olhar tão... não tinha palavras para descrever, mas era arrepiante, mesmo na confusão que encontrava-me ela ainda assim conseguiu assustar-me ― contudo, Lauren consegui acalmar e assegurar com um único olhar e eu confie plenamente nela.
Estrategicamente saímos daquele armazém com os homens de Lauren dando cobertura e tiros nos perseguindo, correndo feito o diabo foge da cruz. Corríamos todos sei lá para onde, só sei que estávamos num bonito relvado imenso que parecia não ter fim ― se não estivesse entre a vida e morte teria apreciado a beleza exótica do terreno e as casas bonitas num belo jardim, um contraste terrível com aquele horripilante armazém... bonito por fora, pobre por dentro.
Contudo estar ao céu aberto na o nos ajudava, éramos alvos fáceis. Mas mesmo assim não estava desanimada, tinha Lauren ao meu lado e estava pronta para o que der e viesse, se Deus permitiu que eu chegasse aqui, com certeza não me abandonaria agora. Confiaria mais do que nunca nela, nisso segui Lauren que freneticamente comunicava-se com seus homens através das escutas wireless em seus ouvidos.
- Os helicópteros estão a 5 minutos do ponto de extração! – Informou Dinah e um alívio enorme tomou conta de mim, mesmo com o corpo e pé doendo senti felicidade ao saber como sairíamos daquele lugar horrível.
Podia ouvir e ver dois grandes helicópteros vindo aos nossos encontros e meu sorriso aumentou até que avistei dois grandes Range Rover todos eles negros, como infernais cão de caça vindo a toda velocidade em nossa direção e do sunroof saiu um homem com uma enorme bazuca ou algo parecido.
- Aquilo é uma RPG? – Perguntou Dinah num tom urgente.
- Foda! – Exclamou Lauren, parando bruscamente no relvado quase me fazendo cair e todos ficamos sem reação, olhando nosso fim eminente aproximando-se.
Eu pensei que o homem tinha intenção de nos mandar para os ares, mas não, com uma precisão incrível atingiu um dos helicópteros fazendo todos procuramos sair da linha de perigo perante a grande explosão e procurar abrigo inexistente contra os destroços do helicóptero que explodiu.
Tudo aconteceu tão rápido que até agora eu não acreditava que aquilo realmente aconteceu, parecia que estava num filme de terror/ação!
Mas, contudo, era real, ainda desorientada Lauren obrigou-me a levantar do chão com o ouvido tinindo, tentei me localizar e vi que em minha volta havia fogo, destroços e corpos mutilados, de ambos teams, mas não tive tempo de entrar em choque porque os dois SUV pararam a alguns metros de nós, e Lauren empurrou-me para trás, protegendo-me com seu corpo.
Vários homens armando desceram, atordoada e desnorteada ainda, olhei em redor e vi que estávamos cercados e superados em número pôr todo lado, os poucos homens de Lauren que restavam depois da explosão mantinham a posição de defesa, mas nenhum deles disparava, não entedia exatamente o que estava acontecendo.
Contudo, a postura vanguarda de Lauren mudou drasticamente quando um velho homem vestido para matar, como se estivesse a ir numa festa de alta sociedade e não no meio de um maldito combate desceu de uns dos carros, ajustando a fedora branca segurando a bengala de madeira preta bem lustrada, ela era um contraste gritante de luxo no meio de tanto sangue.
- O velho homem. – Dinah chiou.
- Michel Jauregui. – Lauren murmurou seu nome como se fosse uma promessa de morte e foi aí que o olhei com medo pela primeira vez desde que me resgatou, porque as energias que ela passava naquele momento era de uma mulher que estava a disposta a manchar as mãos de sangue e morrer no processo se isso fosse necessário.
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A Grande Mafiosa
FanfictionPara saudar uma dívida de sangue Camila Cabello e raptada, aprisionada, e aterrorizada numa ilha remota do Pacífico e mergulhada no mundo obscuro da criminalidade, onde a brutalidade governa. Para sobreviver ela é obrigada a satisfazer as vontades d...
