[Concluída]
- Lauren, eu não deveria dizer isso, mas sim... eu te amo. E talvez sempre ame, porque uma parte de mim sempre será sua. Podemos fazer muitas coisas, mas ficar juntas definitivamente não é uma delas. Então, por favor, Lauren, você tem u...
— Fala vadia, lembrou que tem amigos?! – Lucy riu, debochada.
— Oi pra você também, desculpe se tenho estado ausente, mas está acontecendo tanta coisa ultimamente... – Lauren respondeu num tom cansado.
— Ei, tudo bem, eu tava só brincando. O que aconteceu?
— Será que a gente pode se encontrar? Preciso desabafar... beber... esquecer toda essa merda.
— Claro! Você ligou pra pessoa certa.
Ligação Off'
Mais tarde naquele dia.
Casa da Lucy
— Eu senti tanto a sua falta. – Lucy disse, abraçando Lauren com força.
— Eu também, Vives... Me desculpa por demorar tanto pra te ligar. E quando ligo, é pra despejar problema. – Lauren riu sem humor.
— E não é pra isso que servem as amigas? Relaxa, Jauregui, eu sei que você é muito ocupada, mas ainda me ama. – Lucy deu uma piscadela. — Vem, vamos falar sobre o que está te deixando tão pra baixo. – Lucy puxou Lauren pela mão subindo as escadas para seu quarto.
— Então Laur, o que está acontecendo? – Lucy disse entregando uma taça de vinho para a amiga.
Lauren aceitou, sentando-se na cama e encarando o líquido escuro por alguns segundos.
— Camila vai sair da banda. – Disse direto, num sussurro, bebendo quase toda a taça de uma vez.
— O quê?! Eu acho que não ouvi direito. – Lucy disse pasma arregalando os olhos.
— É isso mesmo, ela nos comunicou essa semana. – Disse levantando, se servindo de mais vinho.
— Ok... Tô em choque. Pode, por favor, me explicar isso desde o começo?
— Eu não sei bem por onde começar... ou quando tudo começou. Mas há algumas semanas eu já sentia a Camila diferente. E não só eu, as meninas também. Ela mudou, Lucy. De uma garota doce, divertida, gentil... pra alguém fria, distante, às vezes até grossa. – Lauren respirou fundo. — Distante de mim, distante de nós. Do nosso amor. Ela sempre dizia que queria sim fazer músicas solo, mas que jamais sairia da banda. Que quando o 5H acabasse, seria por decisão de todas nós...
— Mas... e vocês? Como ficam nisso tudo? Não tava tudo bem entre vocês duas? – Lucy questionou.
— Tava... quer dizer... nunca foi totalmente tranquilo. Mas não por nós, pela gravadora. Eles deixam bem claro que não aceitam nenhum tipo de envolvimento entre a gente. Mesmo assim, a gente tentava, se escondia... ficávamos juntas o máximo possível. E as meninas sempre ajudavam. – Lauren terminou a taça, limpando uma lágrima que escapou.
— E ela dizia que tava tudo bem, que valia a pena, que o amor bastava... – Lauren baixou o olhar.
— Então vocês... terminaram?
— Ela me disse que não conseguia mais viver assim. Que tava demais pra ela. Demais pra ela, Lucy! Ela sabe o quanto foi difícil pra mim aceitar tudo isso... admitir que eu tava apaixonada. Lidar com a minha mãe quando os boatos começaram... eu também tava arriscando minha carreira, e mesmo assim, eu continuei. E agora ela vem com essa? E nem foi cara a cara. Mandou uma mensagem. Nem teve a coragem de olhar nos meus olhos! – Disse entre os dentes, apertando os olhos pra conter as lágrimas.
— Calma, Laur... Se for isso mesmo, a Camila é uma puta. – Lucy abraçou a amiga com força. — Eu sei que você tá sofrendo agora, mas ela não merece suas lágrimas. Na real... ela não merece você. Mas a gente vai dar um jeito de tirar essa dor do seu peito. Que tal continuar como nos velhos tempos? Praia, bebida e zero juízo?
— Essa sim é uma ideia excelente. – Lauren forçou um sorriso, tentando parecer mais inteira do que realmente estava.
Mais tarde, na praia
Já estava anoitecendo, então o movimento era pequeno. Lucy ligou para alguns amigos que já estavam por lá, e logo fizeram uma grande fogueira. Em volta dela, muitas bebidas, risadas, música alta. Aquilo parecia uma festa, e Lauren não se importava nem um pouco, na verdade, era exatamente disso que ela precisava.
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Já consideravelmente bêbada, Lauren ria com as conversas aleatórias, participava das brincadeiras de virar shots e, por alguns momentos, parecia mesmo que tinha esquecido toda a dor. Estava se divertindo. Mas então uma música começou a tocar... e, como um soco no estômago, Camila voltou com tudo em sua mente.
'Música on
Sentiu-se queimando por dentro. Não sabia se era o álcool ou a junção dele com os flashes da latina dançando em seu colo. Flashbacks invadiram sua mente, e ao perceber que estava alheia à roda, se afastou.
— Por que tudo tem que me lembrar você, Camila Cabello, maldita seja você! E todo seu corpo escultural.
Lauren bufou, retirando seu celular do bolso, abrindo em suas fotos, sabia que era errado, mas não conseguia se desfazer das fotos de Camila.
Passou o dedo na tela.
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— Você sempre falou dos meus olhos, mas os seus, Camila... ah, os seus... me desmontam por completo. Você vai de anjo a demônio em segundos, só com o olhar. Me leva do céu ao inferno. Me fez conhecer o paraíso... e também todos os meus pecados. E eu amo tanto isso.
Lauren acariciava a tela do celular perdida em lembranças, como se pudesse tocá-la de verdade..
— Eu amo tudo em você. E isso está me matando. Por que você fez isso comigo? Com a gente? Eu não fui o suficiente pra você? Me desculpa... eu tentei te fazer feliz, de verdade. Mas não foi o bastante. E hoje... você é o meu demônio, Camila. O que mais me faz sofrer.
Descalça, Lauren caminhou até o mar, sentindo a água gelada tocar seus pés. A brisa da noite balançava seus cabelos. Ficou ali, em silêncio, olhando pra Lua, como sempre fazia quando pensava nela.
O Sol e a Lua.
Sempre foram símbolos delas. E agora, aquela história de amor impossível fazia todo o sentido.
Mal sabia Lauren... mas em outro lugar da cidade, Camila também olhava para a Lua. Com lágrimas nos olhos, papel e caneta na mão.