O Sentimento Permanece

545 65 34
                                        

Nova York  Dezembro De 2017  - Jingle Ball

Camila 

— Elas estão aqui... – Camila sentiu o corpo inteiro enrijecer. — Dios mío, por que nós tínhamos que nos apresentar no mesmo dia?! – Esbravejou.  

Um ano havia se passado desde que deixou a banda. Desde então, nenhum contato. Mas se a mídia perguntava, ambas sorriam e diziam que estava tudo bem.

Camila estava em seu camarim, esperando a hora de subir ao palco. Depois da saída turbulenta e de ter magoado as amigas, e seu grande amor, ela enfrentou dias escuros. Desenvolveu TOC e chegou a tomar antidepressivos, mas os efeitos colaterais foram intensos. Decidiu abandoná-los e passou a fazer terapia semanal. Nos piores dias, recorria a calmantes para dormir.

Um hábito que sua terapeuta ainda lutava para conter era o de arranhar a pele dos pulsos e das mãos sempre que ficava ansiosa. A recomendação foi simples: use luvas. Além de evitar novos machucados, também ajudaria a esconder as marcas dos fãs. Camila aceitou sem hesitar.

 — Filha, por favor... pare com isso. – Sinuhe pediu docemente, pegando as mãos de sua filha.

Camila olhou para seu pulso esquerdo, percebendo que estava fazendo de novo.

— Me Desculpe, mamá. – Camila disse tristemente 

— Não tem o por que se desculpar, meu amor. E não precisa se preocupar, está tudo bem, você vai subir lá, fazer o que você faz de melhor e depois vamos para casa pedir pizza. – Sinuhe afagou o rosto da filha, lhe estendendo um par de luvas pretas que combinavam com o figurino.

Camila esboçou um sorriso tímido e calçou as luvas. Estava pronta. Finalmente conseguia usar roupas que a faziam se sentir confortável, que não expunham todo seu corpo.

 Finalmente conseguia usar roupas que a faziam se sentir confortável, que não expunham todo seu corpo

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

— Camila Cabello, sua apresentação será em 10 minutos, pode dirigir-se ao palco

— Vamos, então? Mas antes beba um pouco de água, mocinha. – Sinuhe disse.

— Sim, senhora! – Camila disse, brincando ao bater continência. Pegou uma garrafa d'água na mesa e seguiu com a mãe.

Camila e Sinuhe caminhavam tranquilamente em direção ao palco, quando de repente Camila notou quem vinha em sua direção. 

Era ela. 

Não pode ser, em um evento desse tamanho eu precisava encontrá-la? Ela andava majestosamente mexendo no celular, e estava ainda mais linda, como é possível?

Talvez seja por vê-la apenas por fotos durante meses... E agora, de repente, ela está aqui. Tão perto.

Camila pensou em fugir. Mas não havia mais portas. E correr pro lado contrário seria ridículo. Só tinha duas opções: se esconder atrás da mãe ou fingir um desmaio.

A OUTRA FACE DA LUA - CAMRENOnde histórias criam vida. Descubra agora