Consequences II

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Lauren Pov

Lauren P.O.V.

O American Music Awards é um evento maravilhoso. Os maiores nomes da música estão aqui, as performances são impecáveis e os prêmios, extremamente disputados. Eu estou aqui apenas como espectadora este ano, mas espero que logo chegue minha vez de subir nesse palco, quem sabe até receber uma indicação. Por enquanto, quero aproveitar a noite, encontrar alguns amigos e beber um pouco. Me distrair.

Camila está indicada em cinco categorias, e já levou três. Não duvido que leve todas. Esse ano foi completamente dela. Ela merece.

Mas é impossível não sentir o peso dos olhares sempre que ela sobe ao palco. Talvez seja coisa da minha cabeça, paranoia minha, mas sinto como se todos estivessem esperando alguma reação de mim. Eu me esforço para parecer neutra, para não fazer nenhuma besteira... tipo ficar babando enquanto ela agradece.

Ela parece ainda mais linda do que da última vez. Mais confiante, mais sensual. Aquele corpo, aquelas curvas, não tem um defeito nessa mulher. Meu corpo inteiro esquenta só de tê-la tão perto, mesmo que de longe. E minha mente... bem, ela me trai. Me leva direto para os momentos em que a gente se tocava, se descobria, se perdia.

O único traço que a deixava mais próxima de nós, meros mortais, era aquela verruguinha que ela tinha no dedão do pé. As meninas sempre zoavam ela por isso, e eu me pego rindo sozinha com a lembrança. Camila ficava toda emburrada, reclamava pra mim cheia de dengo, fazendo bico. E eu sempre dizia a mesma coisa: que era irrelevante, que ela era perfeita do jeito que era.

Porque ela é. Perfeita.

Droga, Lauren. Dá um tempo. Se toca. Você precisa parar com isso.

Só pode ter sido feitiço, mesmo. Essa latina me enfeitiçou de um jeito que nem toda a dor que ela me causou conseguiu quebrar. E olha que não foi pouca. Eu devia odiá-la. Mas não consigo. Eu a coloco num pedestal, mesmo quando tento me convencer de que já superei tudo. Talvez eu só precise de mais uma dose.

Ou duas.

(...)

Camila Pov

A noite está sendo inacreditável. Quatro prêmios. Quatro, das cinco categorias em que fui indicada. Parece um sonho.

Cada vez que subo ao palco, meu olhar inevitavelmente a procura. Lauren. Sempre tão presente mesmo quando está longe. E como se não bastasse meu coração me traindo, ainda tem a Taylor me cutucando a cada oportunidade, como uma criança animada com fofoca de colégio.

— Mila, você não tem que ir se trocar? – Taylor me perguntou, apenas assenti com a cabeça.
— Estou nervosa, Tay... Vai ser uma grande apresentação, com orquestra e tudo mais... tem tanta gente importante aqui... – Deixei morrer minha fala, sentia meu estômago embrulhar.

— Mila, olhe pra mim. – Taylor segurou em minha mão que parecia uma pedra de gelo. — O frio na barriga é a prova de que a gente ainda ama o que faz. No fim das contas, não é sobre prêmios ou aplausos. É sobre o que sentimos quando estamos no palco. E você, Camila Cabello, ama isso. Ama a música.

Respirei fundo, tentando absorver cada palavra. Me ancorar nelas.

— Vai dar tudo certo. Você se preparou pra isso. Agora vai lá e faz o que você faz de melhor: canta. Se entrega. Vive. Porque o dia que o nervosismo sumir, é o dia que a paixão acabou. E aí sim, a gente pode pensar em abandonar tudo. – Taylor me abraçou me trazendo calma.

Taylor é a rocha que eu nem sabia que precisava. Incrível como artista, ainda mais como amiga.

Foi a grande vencedora da noite, merecidamente, ela é incrível, como artista e pessoa, tenho tanto a aprender com essa doida. Mas, claro, ela não ia perder a chance de encerrar o momento com a cara dela.

A OUTRA FACE DA LUA - CAMRENOnde histórias criam vida. Descubra agora