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Casa dos Cabello's 2017

— Corre, Kaki, vai começar! – Sofia gritava.

— Caaalma, estou pegando as pipocas.

Camila correu para a sala com o balde de pipoca, e se acomodou no sofá ao lado da irmã.

 Você não devia estar lá, Kaki? Cantando suas músicas novas? – Sofia perguntou, seus olhos tão parecidos com os de Camila, estavam brilhando de curiosidade.

— Quem sabe no próximo... Hoje estou de folga apenas para assistir e comer pipocas com você. – Camila disse, depositando um beijo carinhoso na testa da irmã.

— O que as mocinhas estão aprontando? – Sinuhe entrou na sala e se sentou na poltrona ao lado do sofá.

— Estamos assistindo o VMA, mamá. – Camila respondeu com a boca cheia de pipoca.

— Daqui a pouco as meninas vão se apresentar mamá, assiste com a gente. – Sofia disse animadamente.

— Oh, é mesmo? – Sinuhe lançou um olhar sugestivo para Camila que se fez de desentendia.
— Vou ficar para assistir então, eu gosto das músicas novas delas, são realmente muito boas.

— São mesmo. – Camila se limitou a dizer.

(...)

VMA

— Será que estamos fazendo o certo? – Ally perguntava preocupada.

— Não sei, Allycat... – Dinah respondeu, esfregando as mãos nervosamente.

— Meninas já estamos aqui, esqueçam isso e vamos fazer o nosso melhor! – Mani disse tentando animá-las. – Não é mesmo Laur? 

— Claro. Vamos encerrar isso logo. – Lauren respondeu dando de ombros. 

(...)

— Eba, é a vez delas. – Sofia bateu palminhas.

Camila se ajeitou no sofá, tentando parecer tranquila enquanto a apresentação começava...

Camila se ajeitou no sofá, tentando parecer tranquila enquanto a apresentação começava

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Camila Pov

Mas o que? Por Dios, no me creo.

— Filha, está tudo bem? – Sinuhe perguntou.

— Sim. Tudo... Afinal, elas têm total direito...

— Não, mi hija. Não se trate dessa maneira de novo. Você não merece isso. Não se martirize. – Sinuhe estendeu a mão para Camila, afagando carinhosamente.

Camila engoliu o nó que subia pela garganta e fechou os olhos, se recusando a chorar na frente delas.

— Você tá triste por causa da apresentação, Kaki? Por favor, não chora... Eu vou ligar pra Lolo e brigar com elas! – disse Sofia, determinada, com seu jeitinho esperto e doce. 

— Não, de jeito nenhum Sofi... Eu estou triste porque você acabou com a pipoca! 

(...)

Querido diário, tão clichê começar assim...

Mas você sabe que nem sempre faço isso. Meu Deus, a que ponto cheguei... Estou conversando com meu diário.

É isso ou bato minha cabeça na parede até desmaiar. Que minha terapeuta nunca leia isso, senão vão me internar. E sinceramente? Não seria de todo mal. Um lugar com um jardim bonito e meu violão, sem os choques nem as injeções, claro. Será que me deixariam ter uma caneta? Ou seria perigoso?

"Camila Cabello é internada. Laudo médico: Loucura."
Errado.
Laudo correto: Saudade crônica e coração partido.

Devia criar uma clínica para corações partidos por amores que não deram certo. Não como mentora. Só mais uma paciente.

Estou tão triste... Fui uma idiota com elas, eu sei. Mas não esperava que fizessem aquilo. Ainda mais em uma apresentação. Foi um choque. Talvez ideia do L.A.? Pode ser. Mas será que todas aceitaram numa boa? Até mesmo a Ally? Ela não tem coragem de fazer mal a ninguém...

Não importa mais. Tá feito.
Meu Twitter não parou desde então.
Tenho o direito de me sentir machucada?
Acho que sim. Elas não sabem o porquê de tudo...
E ainda assim agem como se eu nunca tivesse existido.

Eu tento seguir em frente, mas alguma coisa sempre me puxa de volta.
Sinto falta delas.
Sinto falta dela.

De você.

Cada dia. Cada hora. Cada minuto. Cada segundo.
Toda vez que tomo sorvete, lembro das nossas maratonas de filmes da Disney, que você fingia odiar. Quando conto uma piada e ninguém ri... Você sempre ria.

Sinto falta de como me mimava na TPM, de quando me chamava de sua princesa.
Por Deus, como é possível?

Talvez esse seja o preço de ter encontrado o amor da minha vida... e deixado ir.

Saudade.
Do seu beijo.
Do seu abraço.
Do seu sorriso.
Da sua voz.
Do seu cheiro.
De você.

É muita saudade pra pouco eu.

Na minha clínica, com certeza desenvolveríamos um remédio pra isso. Ganharíamos muito dinheiro.
Talvez eu mesma fosse a cobaia. Ou não... Não sei. Depende do dia.

É complicado escolher entre não sentir e sentir.
Sentir significa dor. Significa sufocar com cada lembrança.
Mas mesmo doendo... eu não quero esquecer.
Não posso.

Todas as lembranças são preciosas demais.

No fim das contas, ela está gravada em mim.
No meu sangue, nas minhas veias, na minha cabeça.

Depois de tudo o que vivemos, eu sei...
Eu nunca mais serei a mesma.
E talvez...
Talvez eu nem queira ser.

É querido diário, eu sou realmente uma confusão.


A OUTRA FACE DA LUA - CAMRENOnde histórias criam vida. Descubra agora