Silêncio

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A folga havia acabado, e elas estavam de volta à rotina de ensaios, entrevistas, shows... e à moradia no ônibus.

Assim como Ally, Dinah também havia mandado mensagem para Camila. As amigas queriam conversar, entender o que estava acontecendo de errado, não conseguiam acreditar naquela versão que Camila insistia em dar. Mas, em todos os momentos, ela permanecia irredutível, pedindo que parassem de procurar problemas onde não existiam. Essa era a Camila agora: fria, contida, inalcançável.

"Seja o que for, Mila... amigos não mentem."

A frase de Dinah ecoava sem parar na mente de Camila.

Lauren, por outro lado, não a procurou desde o término. Estava machucada demais. Não correria atrás de alguém que desistiu delas. Normani se mantinha totalmente ao lado de Lauren. Não criava ilusões. Para ela, aquela sempre foi a verdadeira Camila: alguém que usava as pessoas para chegar onde queria. Só precisou de tempo para mostrar sua verdadeira face.

Todas estavam pontualmente no local marcado para a saída. Camila usava óculos escuros e se manteve afastada, quieta.

Ally foi a única que se aproximou para cumprimentá-la, e recebeu apenas um aceno discreto de cabeça.

Dinah repetia mentalmente que ainda ia dar uns bons chutes naquela bunda grande até ela "voltar ao normal", mas por enquanto, respeitava o pedido de Camila: sem conversas, sem abraços, sem brincadeiras.

 A Cama de cima é minha!!! – Dinah exclamou e saiu correndo assim que o ônibus chegou.

 Então a outra é minha. – Mani se pôs a correr para a disputa.

 Corrida não vale! As pernas de vocês são mais longas! Eu quero a de cima também!! – Ally dizia tentando alcançá-las.

 Allycat, por favor... Da outra vez você ficou em cima e eu tive que te ajudar a subir toda hora. Fica com a do meio, que talvez você alcance agora. – Dinah disse em tom irônico, já subindo com facilidade na cama do topo do lado esquerdo.

Ally revirou os olhos e foi guardar suas coisas na cama do meio.

Lauren entrou em seguida, jogando sua mala na cama debaixo, do lado esquerdo.

 você quer ficar em cima? Ou prefere essa do meio? Da outra vez você ficou embaixo... – Mani ofereceu, gentil.

 Não precisa Mani bear. Eu realmente não me incomodo em dormir aqui. – Respondeu com um sorriso fraco, ajeitando sua mochila.

Camila foi a última a entrar.

Sem dizer uma palavra, colocou sua mala na cama debaixo do lado direito e imediatamente se deitou, fechando a cortina do beliche.

As meninas trocaram um olhar rápido, observando Lauren cerrar a mandíbula.

(...)

Lauren sempre prestava atenção na forma como Camila interagia com os fãs. Ela parecia tão feliz... Era algo genuíno. Escutava suas histórias, sorria, ria com eles.
Em um dos encontros, Camila beijou as cicatrizes de uma fã que se cortava e sussurrou: "Vai ficar tudo bem."
Ela realmente se importava.

Mas quando as luzes se apagavam e as cortinas se fechavam, Camila voltava para a cama.
Com seus fones nos ouvidos, diário nas mãos... e o mundo do lado de fora.

As semanas foram se arrastando.

Camila permanecia em silêncio, evitando fazer refeições com as meninas. Falava apenas o necessário sobre os shows.

Durante entrevistas e fotos, se mantinha nos cantos, tentando não chamar atenção, sorrisos forçados, respostas automáticas. Essa era a realidade agora. E não passou despercebida pelos Harmonizers.

Por mais que doesse, as meninas já não tentavam mais.
Apenas... deixaram ela ir.

Os shows começaram a ficar cada vez mais emotivos.
Carregavam no peito emoções cruas: sensação de perda, silêncio, dor.
Era como se um membro da família estivesse dizendo adeus.

Cenas em que as meninas choravam no meio das músicas se tornaram frequentes.
As letras que antes uniam agora partiam.
Cada apresentação era um lembrete de que o fim estava se aproximando.

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"A única pessoa com quem eu não posso estar...
...é justamente aquela a quem mais queria entregar meu coração."

A OUTRA FACE DA LUA - CAMRENOnde histórias criam vida. Descubra agora