Grace

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Convidei Camila para conhecer a Grace, minha pequena buldogue. Ela recusou tantas vezes que eu já estava desistindo. Precisei prometer, jurar, mandar foto do mindinho ,tudo para convencê-la de que não seríamos vistas juntas. Uma coisa é trocar indiretas no Twitter ou postar um storie suspeito no Instagram, outra bem diferente é sermos flagradas por um paparazzo. As notícias explodiriam e nossas vidas, que já não são privadas, virariam um caos. Além do mais, não temos nada a ser assumido. Camila continua com o namorado dela, e eu com o meu.

Já se passaram várias semanas desde o nosso encontro no hotel. Ela finalmente teria uma folga e estaria na cidade. Eu queria levá-la para jantar, ir à praia e vê-la tropeçar nas próprias pernas tentando pular uma onda... qualquer coisa. Mas decidimos que seria melhor ela vir até minha casa, mais seguro, mais discreto. Camila comentou que almoçaria com a família antes de passar aqui. Avisei meus pais e meus irmãos sobre sua visita. Minha mãe e Chris não gostaram nada da ideia. Chris soltou um monte de críticas, disse que ela me fez sofrer demais e perguntou como o Ty se sentiria, como se ele já não soubesse o real motivo de estarmos juntos. Já minha mãe... bem, ela parou de falar comigo desde que anunciei que compraria uma casa.

Expliquei que estávamos tentando reconstruir uma amizade, e ponto. Meu pai e a Taylor foram os únicos que sempre me apoiaram. Ele sempre tratou Camila como filha, do mesmo jeito que Alejandro e Sinuhe sempre me trataram como parte da família. Taylor até quis faltar ao colégio só para conversar com Camila, mas eu fiz questão de despachá-la.

Estava terminando de escovar os dentes quando ouvi a campainha. Meu coração disparou. Saí tropeçando pelo banheiro, chequei o cabelo no espelho e desci correndo. No meio da escada, vi a cena: meu pai e Camila abraçados. Ele parecia um urso acolhendo seu filhote. Ficaram ali por alguns segundos, imersos no carinho.

Havia um sorriso largo no rosto de Camila. Quando abriu os olhos e os cruzou com os meus, senti ondas percorrerem meu corpo inteiro. Fiquei parada na metade da escada, com vontade de me juntar ao abraço. Meu pai a soltou, afagando suas costas. Pude admirá-la por alguns instantes. Devia estar um calor absurdo lá fora. O rosto de Camila estava todo vermelho, e ela usava um rabo de cavalo alto. Vi pequenas gotas de suor em seu pescoço... e, a propósito, ela fica linda de regata.

— Seja bem-vinda, Camila. E por favor, fique à vontade. – Meu pai disse, pegando as chaves do carro antes de sair e nos deixar a sós.

Terminei de descer os degraus e, sem pensar duas vezes, a puxei para um abraço. Ela sussurrou um "oi" contra meu pescoço. Quando nos separamos, notei que ela segurava uma flor.

— Ah, eu trouxe isso pra você. Cuidado com os espinhos... – Ela me entregou a rosa vermelha.

Levei a flor ao nariz e inspirei seu aroma suave. Aquilo me trouxe lembranças, tantas lembranças. A gente sempre se presenteava com flores. 

Flashback

 Amor, eu trouxe um presente para você, mas não fique triste porque não é de comer! – Entrei no ônibus procurando por Camila, claro que ela estaria na cozinha, quando cheguei ela estava comendo um sanduíche de pasta de amendoim.

 Oi babe, quer?Ela apontou para o sanduíche.

 Não, amor, eu comi na rua com as meninas, você devia ter ido, tem lojinhas lindas por aqui.

— Eu precisava dormir, estava me sentindo exausta do show de ontem, mas quem sabe mais tarde você não me leva para conhecer?

Camila sugeriu e eu apenas assenti, sentei ao seu lado e fiquei por alguns segundos admirando seu belo rosto, estava toda amassada de tanto dormir, tão linda. Quero olhar para este rosto todas as manhãs durante a minha vida.

A OUTRA FACE DA LUA - CAMRENOnde histórias criam vida. Descubra agora