[Concluída]
- Lauren, eu não deveria dizer isso, mas sim... eu te amo. E talvez sempre ame, porque uma parte de mim sempre será sua. Podemos fazer muitas coisas, mas ficar juntas definitivamente não é uma delas. Então, por favor, Lauren, você tem u...
— Por que o amor não é o bastante? – Lauren soluçava, deitada no colo de Normani no sofá do ônibus. — Eu a amo, amo tanto. A ponto de fingir que acho graça das piadas dela, de deixar ela comer o último pedaço do bolo, de aguentar ela roubando minhas camisas pra usar de pijama... De segurar um rádio na frente da janela dela só pra fazer parecer um filme clichê de romance adolescente. – Fechou os olhos com força. — Mesmo nessas coisas idiotas, eu não consigo odiá-la. Eu amo. Cada detalhe. Cada mísero detalhe. Eu só queria que ela me escolhesse. Que ficasse. Que me amasse.
— Laur, às vezes, não sentir é o único jeito de sobreviver. – Normani disse acariciando os cabelos da amiga.
— Há dores impossíveis de ignorar, Mani. – Lauren respondeu, quase num sussurro.
Normani passou os olhos sobre Lauren, estava quebrada, seu rosto inchado de tanto chorar, e suas olheiras fundas denunciavam seu sofrimento, pensou por um momento antes de responder, sabia da dor da amiga, não passaria rápido, mas ela estaria ali para ajudá-la, não deixaria Lauren se afundar.
— Quanto mais você se importa, mais você tem a perder, não deixe essa dor te dominar, faça disso uma oportunidade para crescer. Pode parecer o fim do mundo agora, mas não é Laur.
A porta se abriu e Ally entrou com duas canecas de chá nas mãos.
— O que a Mani, está querendo dizer... – Ally disse, entregando uma para Lauren e se sentando no outro sofá. — É que ficar remoendo tudo isso só vai machucar ainda mais.
Lauren se sentou, ainda no silêncio denso do luto, segurando a caneca. Inspirou o vapor quente, o aroma de maracujá com limão trouxe um pequeno conforto. Nesse instante, Dinah entrou e se acomodou ao lado de Ally. Seus olhos estavam inchados, mas ela tentava se manter firme. Mesmo todas sabendo que ela também estava desabando por dentro.
— Nós vamos seguir nosso caminho, vamos fazer o nosso melhor. E o universo vai abrir portas onde hoje só enxergamos paredes. Eu imagino o quanto está doendo em você Laur, porque está doendo em nós também, mas vai passar, eu te prometo. – Ally disse olhando para a amiga, bebendo um pouco do chá.
— Eu sei que vai passar... – Lauren respondeu, num tom quase inexistente. — Mas está insuportável no momento, eu me sinto tão quebrada e sozinha, mesmo tendo vocês, eu sinto um vazio, um vazio tão grande no meu peito, estou cansada de me sentir assim... abandonada. – Lauren finalizou, as lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto.
Dinah foi até Lauren, se ajoelhando no chão, pegando uma das mãos da amiga.
— Nós estamos juntas nessa, e nós nunca vamos te abandonar. – Dinah falou com tanta emoção em sua voz que parecia que iria chorar junto com Lauren a qualquer momento.
— Estamos aqui. Juntas. Pra atravessar essa tempestade com você. – Normani disse acariciando o ombro da amiga.
Lauren riu, sem alegria.
— Engraçado, né? O coração da gente quer ser consolado justo por quem causou a dor. – Fez uma pausa. — No fundo, acho que a culpa é minha. Eu não fui boa o bastante. Deixei a indústria afastar a gente.
— Ei. Olha pra mim.. – Ally pediu se levantando, indo em direção a elas.
Lauren levantou o olhar para a amiga que continuou dizendo.
— Escuta. Essa dor, esse vazio... eles vão passar. A saudade vai se transformar em memória, eu te prometo. Eu sei que agora parece que o mundo tá desabando, mas o mundo gira, Lo. E em uma dessas voltas, tudo pode mudar.
Ally disse, segurando o rosto da amiga entre as mãos.
— Não é sua culpa. Não é sobre ser o suficiente pra ela. Você só precisa ser suficiente pra você mesma. Essa foi a escolha da Camila, e não estava nas suas mãos. Você é incrível, Lauren. Forte. Doce. Generosa. O tamanho do seu coração é o que sempre nos fez confiar em você, se apoiar em você. Então agora é hora de se perdoar. Se livrar desse peso. A gente tá aqui, como você tantas vezes esteve por nós. Agora é a nossa vez. – Ally finalizou puxando as meninas para um abraço apertado.
Lauren se permitiu chorar outra vez, sentindo que mesmo machucada, ainda podia ser acolhida.
Naquele momento, Lauren entendeu algo sobre o amor: amar é aceitar o medo e a vulnerabilidade como partes inevitáveis da jornada.
...
Eu conversando com meus leitores:
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