꒷︶꒷꒥꒷‧₊˚꒷︶꒷꒥꒷‧₊˚
Catarina jogou os cabelos loiros ondulados para trás dos ombros e franziu o nariz enquanto girava o anel prateado no dedo. A pedra escura refletia a luz dourada da sala, piscando como um segredo guardado há tempo demais.
Amber observou a mãe em silêncio. Catarina ficou ali, imóvel, por três longos segundos, sem dizer absolutamente nada.
Na semana passada, Amber já tinha notado que algo estava estranho. Sempre faziam tudo juntas-eram como melhores amigas. Mas, nos últimos dias, Catarina parecia distraída, distante, como se sua mente estivesse vagando por algum lugar sombrio e inalcançável.
Amber quis perguntar. Mas, como sempre, Catarina apenas sorriu e garantiu que estava tudo bem.
"Nada de segredos."
Era o lema delas. Ou pelo menos era o que Catarina sempre dizia.
- É de família - murmurou Catarina, ainda encarando o anel. - Sua avó me deu quando completei dezoito anos.
Sua voz soou distante, como se aquelas palavras tivessem um peso que Amber não entendia.
Então, num piscar de olhos, Catarina voltou ao presente.
- Vamos entrar.
Amber atravessou a porta atrás da mãe, e o cheiro de rosas e hortelã invadiu suas narinas. Seu olhar percorreu a sala espaçosa, absorvendo cada detalhe. As janelas compridas de vidro se alinhavam na parede, cobertas por cortinas vermelhas que estavam amarradas para deixar o sol atravessar. A luz refletia sobre a mesinha antiga de centro, sobre o carpete persa, sobre os móveis de madeira escura e os quadros pintados à mão.
A casa parecia ter saído de outra época.
Do lado de fora, o vento soprava forte, e os galhos das árvores arranhavam a janela, fazendo Amber se virar. No quintal, um velho gazebo se erguia entre as folhas, sua estrutura gasta pelo tempo, mas ainda de pé, resistindo como um fantasma de outra era.
A casa tinha sido reformada recentemente, mas Amber sentia que, para Catarina, tudo ainda estava desmoronando.
Sua mãe jogou a bolsa Louis Vuitton sobre o sofá e puxou o celular do bolso, deslizando o dedo pela tela com a expressão impassível de sempre.
Amber soltou sua mala e caminhou até a lareira. Sobre a prateleira de mármore, anjinhos de porcelana estavam cuidadosamente alinhados. Ela passou a ponta dos dedos sobre um deles.
"Tudo aqui parecia antigo."
Não como velharias sem valor, mas como algo que tinha passado de geração em geração. Como se aquela casa carregasse memórias demais dentro de suas paredes.
O silêncio foi quebrado pela voz de Catarina.
- Vamos? Vou te mostrar seu quarto.
Ela falou baixo, guardando o celular no bolso.
Amber olhou ao redor mais uma vez.
- Aqui é tão bonito... - murmurou, mais para si mesma.
Subiu as escadas atrás da mãe, o som dos saltos fazendo um barulho seco contra a madeira. O andar de cima tinha um longo corredor, iluminado por luminárias presas à parede. Catarina parou diante de uma porta no lado esquerdo e a abriu.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Full Moon
Wilkołakia jovem Amber retorna à sua cidade natal para um funeral, apenas para descobrir que seu retorno desencadeia uma série de eventos misteriosos. Ela logo percebe que sua mãe guarda um segredo profundo. No meio desse tumulto emocional, Amber cruza camin...
