Rosas à Porta

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Amber sentiu seu peito subir e descer em um ritmo irregular. O ar parecia mais pesado ao seu redor, e seus olhos, arregalados pelo susto, levaram alguns segundos para se acalmar. Mas seu coração continuou martelando contra as costelas como um tambor de guerra. Seu corpo inteiro estava eriçado—ficar sozinha sempre lhe causava arrepios, ainda mais agora, com o assassino de Cíntia Rose solto, talvez rondando a vizinhança, esperando para atacar de novo.

Amber inspirou fundo, tentando recuperar o controle, e apoiou-se na mesa de madeira antiga. O verniz gasto deixava uma textura áspera sob seus dedos, e o cheiro de madeira envelhecida e poeira subiu, fazendo cócegas em seu nariz. Sentiu um incômodo ao notar que a sujeira manchava a manga do seu suéter.

— Ah... você me assustou, mãe. — Sua voz saiu fraca, um sussurro preso no ar.

Catarina permaneceu na sua frente, a expressão difícil de decifrar.

— O que faz aqui? — A pergunta soou seca, distante.

— Ah... eu achei essa chave no carpete do corredor. O que é isso tudo?

Amber levantou a mão, mostrando os objetos espalhados pelo chão. Eram tralhas antigas, cobertas por uma camada grossa de poeira, largadas sobre o carpete encardido como se tivessem sido esquecidas por décadas.

— São coisas velhas, não servem para nada. Venha.

Sem aviso, Catarina agarrou o pulso de Amber, puxando-a com firmeza. O bracelete Cartier da mãe tilintou suavemente, um som metálico quase delicado, mas que, naquele momento, soava como um sino de alerta. As unhas compridas roçaram a pele de Amber, deixando uma sensação incômoda, uma ardência sutil que a fez hesitar.

Ela caminhou rígida, seus passos hesitantes contrastando com os de Catarina, que parecia determinada a levá-la para longe dali.

— Mãe? O que você está fazendo? — Amber se soltou no meio do corredor, o coração acelerando de novo.

Catarina virou-se lentamente. Seus olhos azuis, que antes pareciam vibrantes e cheios de vida, estavam apagados, vazios, como se algo dentro dela tivesse sido arrancado. O Scarpin preto estava sujo de lama, e cada passo que dera deixara marcas escuras pelo carpete estreito.

Amber umedeceu os lábios secos e sentiu o estômago revirar.

— Pode me dizer o que está acontecendo? O que são aquelas coisas?

Catarina não respondeu. Apenas continuou andando, como se Amber não estivesse ali, como se suas palavras fossem apenas o ruído distante de um rádio mal sintonizado.

A jovem seguiu a mãe até o quarto, a preocupação crescendo em seu peito. Catarina abriu o guarda-roupa e puxou uma mala de couro escuro, jogando-a sobre a cama sem delicadeza. Em seguida, começou a arrancar as roupas dos cabides, atirando-as dentro da mala com uma pressa febril, sem se preocupar com os tecidos que se amassavam.

— Mãe! — O grito de Amber ecoou no quarto.

Catarina parou. Sua expressão era um misto de urgência e desespero, como se finalmente estivesse voltando à realidade.

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