꒷︶꒷꒥꒷‧₊˚꒷︶꒷꒥꒷‧₊˚
Amber lançou mais um olhar ansioso para o relógio preso ao pulso, os ponteiros pareciam zombar dela. Já passava das nove. Ela encolheu os ombros num reflexo quase automático - a noite estava estranhamente fria, como se o mundo estivesse prendendo a respiração.
Mas o frio não era nada comparado ao nervosismo que se enroscava dentro dela como uma serpente silenciosa. A neblina cobria a rua como um véu espesso e branco, e o céu, sem estrelas, parecia ter engolido qualquer sinal de esperança. Só a lua permanecia lá em cima, pálida e distante, testemunha silenciosa de tudo que não estava certo.
O uivo agourento de uma coruja cortou o silêncio. Amber estremeceu.
- Valeu por vir comigo - disse Chloe ao abrir a porta do Jeep. Sua voz soava calma demais. - Juro que antes das dez estamos de volta.
- Vou confiar em você - respondeu Amber, afivelando o cinto de segurança, mas mantendo o olhar fixo nela. - Mas me fala logo. O que você precisa tanto assim me contar?
Chloe girou a chave na ignição, um clique seco seguido do ronco baixo do motor.
- Eu te conto lá. Mas é segredo, Amber. Sério.
Enquanto ela falava, estendeu a mão para ligar o rádio, e Amber reparou no anel prateado em seu dedo - uma pedra rosa delicada no centro, cercada por símbolos gravados. Por um segundo, o ar ficou rarefeito. Era quase idêntico ao da mãe dela. Mesmo brilho. Mesmos símbolos estranhos. A música "Forever young", tocava baixinho.
- Espero que isso não seja encrenca.
- Não é. Mas, olha... eu também não sou vidente. Fui pega de surpresa. - Chloe lançou um olhar de canto, antes de completar: - Aliás, eu ia voltar, mas a Katrina disse que te deixaria em casa.
- E onde você estava, exatamente? - Amber arqueou uma sobrancelha, afiada como uma lâmina.
Chloe hesitou. A resposta subiu à garganta, mas morreu antes de escapar. Optou pelo silêncio.
Amber encostou a cabeça no banco e ficou ali, quieta. A tensão era quase palpável. Nenhuma das duas disse uma palavra pelo resto do caminho, até o Jeep parar numa rua estreita, ladeada por plátanos cujas folhas secas se amontoavam como segredos esquecidos.
Amber saiu do carro primeiro. Enfiou as mãos nos bolsos da jaqueta jeans, tentando achar conforto onde não havia. Uma brisa morna soprou, brincando com as pontas do cabelo dela. O cheiro forte de asfalto úmido invadiu suas narinas. A neblina se adensava, cobrindo tudo como uma mentira prestes a ser revelada.
Chloe desceu logo depois, ativando o alarme com um bip. O chaveiro preso à sua calça - um lobo cinzento de pelúcia - balançava preguiçosamente a cada passo, como se soubesse mais do que devia.
- A gente vai ter que seguir a pé agora - disse Chloe, pulando com passos largos do asfalto úmido para a trilha escondida entre as árvores. Sua voz soava casual, mas Amber sentia aquele velho arrepio subindo pelas costas, como se cada passo as levasse para mais longe do mundo que conheciam.
Ela a seguiu sem hesitar - ou pelo menos fingiu não hesitar.
- E onde exatamente fica esse tal riacho? - perguntou Amber, tentando parecer despreocupada, embora seus olhos escaneassem o breu entre os galhos.
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Full Moon
Werwolfa jovem Amber retorna à sua cidade natal para um funeral, apenas para descobrir que seu retorno desencadeia uma série de eventos misteriosos. Ela logo percebe que sua mãe guarda um segredo profundo. No meio desse tumulto emocional, Amber cruza camin...
