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Amber encarava o homem parado diante da porta como se tentasse decifrá-lo, peça por peça. Ele ainda sorria, um daqueles sorrisos que parecem prometer algo sem dizer o quê, enquanto segurava um buquê de rosas vermelhas tão frescas que ainda carregavam o perfume doce da manhã. Mas, pouco a pouco, aquele sorriso começou a se desfazer, como névoa tocada pelo vento.
Catarina, apoiada casualmente no batente da porta entreaberta, soltou um suspiro. Nem precisou dizer nada o som, seco e impaciente, dizia tudo. Amber podia quase visualizar a expressão da mãe, aquela que surgia quando algo ou alguém claramente não era bem-vindo.
— Não vai me convidar para entrar? — perguntou o homem, a voz suave, carregada de uma confiança que soava ligeiramente deslocada.
Amber percebeu o movimento sutil da mãe, que ajeitou o Tailleurs como se estivesse tirando uma poeira invisível, um gesto automático que fazia quando precisava recuperar o controle.
— Ah... O que faz aqui? — perguntou Catarina, desta vez com os olhos fixos na figura em su frente.
Mas ele não olhava mais para Catarina.
Os olhos dele verdes, intensos estavam presos em Amber, e havia algo de estranho naquele olhar. Como se estivesse vendo algo que não devia estar ali. Ou alguém que não deveria existir. O meio sorriso congelou, e lentamente ele baixou as rosas, antes apoiadas com teatralidade sobre o peito. O ar ao redor ficou denso. Amber sentiu um desconforto crescer, silencioso, um arrepio que não vinha do frio.
Ela virou-se sutilmente para a mãe, procurando alguma pista. "Quem é ele?", seus olhos pareciam perguntar. "Por que me olha como se eu fosse um fantasma?"
— Quem... é ele? — murmurou Amber, mais para si mesma do que esperando uma resposta.
Foi só então que Catarina olhou de volta para o homem e alguma coisa em sua expressão mudou. Ela pareceu reconhecer algo ali. Uma lembrança. Um passado. O homem sorriu de novo, agora com cumplicidade, e sua voz surgiu baixa, quase encantada:
— Então essa é a Amber...
Ele passou por Catarina, como se ela tivesse, contra a própria vontade, lhe dado passagem. Parou diante de Amber e, antes que ela pudesse reagir, tomou sua mão com delicadeza demais para um estranho. Beijou seus dedos, um gesto antigo, quase fora de lugar e ainda assim, firme.
Amber ficou paralisada. O perfume dele era estranho e inebriante: rosas silvestres... e um toque de charuto. Ela olhou para a mãe, buscando algum tipo de apoio. Suas bochechas estavam quentes, provavelmente coradas. Ela não era do tipo que gostava de contato físico inesperado, muito menos vindo de alguém que mal conhecia. Na verdade, mal tolerava abraços sem aviso precisava de confiança, conexão. Algum tipo de laço. E aquele homem tinha invadido sua bolha como se fosse dono do espaço.
— Esse é o Sebastian — disse Catarina por fim, com um tom seco, quase ácido. — Nós já falamos sobre isso.
— Vejo que você falou de mim, minha querida Catarina — disse Sebastian, com um sorriso que parecia mais calculado do que sincero. — Espero que tenha sido com carinho. Sempre penso em você... especialmente quando me lembro de Katelyn.
Ao pronunciar aquele nome, ele fitou Catarina como se estivesse tentando puxá-la de volta para um lugar onde ela nunca mais quis voltar. O olhar dele era insistente, íntimo demais. Amber percebeu o instante exato em que sua mãe ficou tensa seus ombros endureceram, a mandíbula travou.
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Full Moon
Manusia Serigalaa jovem Amber retorna à sua cidade natal para um funeral, apenas para descobrir que seu retorno desencadeia uma série de eventos misteriosos. Ela logo percebe que sua mãe guarda um segredo profundo. No meio desse tumulto emocional, Amber cruza camin...
