O último adeus

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Amber encarava seus saltos pretos sujos de grama, sentido seu corpo eriçado quando o vento batia em sua pele. Antes, o céu estava em um azul piscina, dando um tempo ótimo para fazer um piquenique ou ir ao riacho com a família. Agora estava em um tom escuro e triste.

Algumas gotas ralas de chuvas caiam sobre si, seu corpo se eriçava com as gotinhas geladas, Amber olhava as lápides em fileiras, alguns limpos e outros cobertos de musgo. Vincent tinha pedido para ser cremado, queria um funeral simples, seu pedido foi atendido, Catarina disse que as vezes ele esquecia da Mara. Estava com perca de memória por conta da sua idade.

— Você é muito parecida com a sua mãe...– a mulher de olhos azuis como os da Catarina , cabelos loiros, abre os braços em sua direção. – Estou tão feliz em te ver.

Amber sorriu ao ver sua tia Mara, ela continua com a mesma aparência desde que a viu quando tinha 7 anos. Catarina tinha pouco contato com sua irmã. Amber lembra que conversou poucas vezes com a Mara, mas isso já tinha sido alguns anos antes. Com timidez, Amber se aproxima para dar um abraço.

Mara cheirava a Chanel e Marlboro. Usava um vestido preto que ia até seus joelhos, marcava bem suas curvas, mangas longas e flare. Na sua mão, uma bolsa Dior preta, que combinava com seu anel de prata, parecido com o da Catarina. Mas o dela tinha uma pedra preta.

Mara se afastava um pouco para olhar para Amber, suas mãos pousaram nos ombros de Amber e ela a encarou por alguns segundos e sorrio, Mara lembrava muito a Catarina, seus cabelos ondulados e loiro mel, estavam presos em um coque, seus lábios em formato de coração estavam pintados de vermelho. Seus olhos azuis piscina se encheram de lágrimas.

— Desculpe, não tem como não se emocionar. – diz Mara com a voz baixa, enxuga suas lágrimas com um lenço que tira da sua bolsa. — Você lembra a Katelyn... e eu queria muito te conhecer pessoalmente.

— Eu queria muito ter conhecido pessoalmente.– Amber encolhe os ombros, se referindo ao seu avô Vincent.

— Sabe, Vincent entendia a Catarina. – Mara segura as mãos de Amber. – Mas não culpe Catarina, ela sofreu demais.

Mara retira uma mecha de cabelo do rosto de Amber, mesmo que isso não confortasse muito o que Amber estava sentindo. Tentaria se esforçar para não deixar sua mãe mais triste. Mesmo que tivesse várias emoções passando em sua cabeça, preferiu guardar para si mesma.

— Mas, eu estou feliz por estar aqui.

— Não se preocupe, querida, a gente vai recompensar o tempo perdido.
Mara sorriu.

— Mara! – exclamou Catarina ao vir andando rápido, sobre o Scarpin sujo de grama.— Sinto muito por nós atrasarmos.

Catarina dá um abraço rápido na irmã.

— Tudo bem...ele pedia para não demora muito no funeral, você sabe como o nosso pai é...– Explicou Mara.

Catarina abre um sorriso amarelo.
Amber negou a si mesma por pensar que talvez sua mãe não quisesse vim para o funeral, como se, no fundo, ela não quisesse dar um adeus. Se recorda da semana passada quando ela ficou horas sentada na namoradeira que ficava perto da janela envidraçada, encarando a chuva que batia contra o vidro, bebia o seu chá preto. Usava sua camisola de seda branca, seus cabelos sem serem escovados, semblante triste.

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