Onde Começam as Verdades

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O vento frio dançava entre as árvores, assobiando entre os galhos e agitando o papel amarelado nas mãos de Amber. Ela o segurava com firmeza, mas seus olhos estavam inquietos, varrendo o jardim à sua volta em busca de alguma presença oculta. O gramado úmido refletia um brilho pálido sob a luz prateada da lua, e ao fundo, a voz da Srta. Evans ecoava suavemente pelo microfone, abafada pela distância e pelo som frágil das folhas secas sendo arrastadas.

Amber estremeceu ao sentir uma mão em seu ombro. Virou-se bruscamente, o coração disparando.

- Oh! Desculpa, eu não queria te assustar. - A voz de Alex surgiu calma, e ele ergueu ambas as mãos, um gesto pacífico. Seu rosto trazia um sorriso breve e preocupado, e o suéter de cashmere azul estava levemente amarrotado na barra. - O que faz aqui?

Amber respirou fundo, fechando os olhos por um instante. A tensão em seu corpo demorou a se dissipar. Desde o assassinato de Cíntia, seu corpo parecia responder com alerta a cada ruído fora do lugar, a cada toque inesperado.

- Eu só... estava tentando falar com uma amiga. - disse, soltando o papel com certa hesitação. Ele foi levado pela brisa, rolando pela grama molhada até desaparecer entre as sombras.- Eu acho que tem alguém aqui.

Ela se virou outra vez, como se esperasse ver alguém atrás de uma árvore ou espreitando de um arbusto. Tinha certeza de que ouvira uma risada baixa - sarcástica, quase infantil - seguida de passos apressados.

- Deve ter alguém por aí se pegando. Tem gente que não respeita nem um momento desse... - murmurou Alex, ajeitando a gola do suéter com um toque distraído. - Vem, vamos sair daqui.

Ele estendeu a mão. Amber hesitou por um segundo, depois sorriu e entrelaçou seus dedos nos dele. Antes de seguir, lançou um último olhar ao céu. Entre as nuvens tênues, o brilho prateado da lua destacava um minúsculo ponto branco - o balão subindo cada vez mais até desaparecer na escuridão.

. . .

Cerca de uma hora depois, o campo de futebol se tornou um mar silencioso de lembranças. Centenas de balões foram soltos ao céu, criando um espetáculo frágil e tocante. O céu estrelado acolheu cada um, e aos poucos, os pontos brilhantes desapareceram na escuridão como se fossem levados por mãos invisíveis.

No centro do campo, um mural homenageava Cíntia. Flores em tons vivos, cartas, pequenas lembranças e objetos pessoais foram dispostos em volta de um grande cartaz com sua foto. Ela aparecia sorrindo, os cabelos ondulados emoldurando o rosto e os olhos castanhos brilhando de vida. Amigos choravam silenciosamente, alguns ajoelhados, outros de mãos dadas, como se tentassem se agarrar a qualquer pedaço que restasse dela.

Amber caminhava ao lado de Chloe e Katrina, seus passos vagos. A multidão começava a se dispersar, e o campo se tornava mais silencioso, envolto em um luto respeitoso. Mas na mente de Amber, tudo era barulho. O bilhete. O som da risada. O olhar estranho de Catarina dias atrás. Tudo parecia um alerta. Como se algo - ou alguém - estivesse tentando lhe mostrar uma verdade ainda escondida.

- Ei, planeta Terra chamando. - Katrina parou à sua frente, acenando uma mão diante de seu rosto. - Acorda, Amber.

Amber piscou, assustada, e sorriu, sem jeito.

- Desculpa... acho que estou um pouco cansada.

Ela puxou a jaqueta contra o corpo. A noite tinha esfriado mais, e o ar úmido deixava o asfalto coberto por uma névoa leve, quase imperceptível. O estacionamento fervilhava de vozes e motores sendo ligados. Mais à frente, um carro da polícia mantinha os faróis acesos, como um lembrete silencioso de que a cidade ainda respirava sob alerta.

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