꒷︶꒷꒥꒷‧₊˚꒷︶꒷꒥꒷‧₊˚
No domingo à noite, exatamente às sete horas, o relógio soou com seu toque grave e solene, no quarto de Amber, a luz suave do abajur de cristal lançava sombras delicadas nas paredes. Ela estava diante do espelho vitoriano, ajustando com cuidado o colar de coruja que herdara de sua mãe, Katelyn. O pingente frio repousava contra sua pele, um lembrete silencioso de memórias distantes.
Amber lançou um último olhar para o vestido Gucci que moldava seu corpo com perfeição. O tecido preto contrastava com as mangas longas e bufantes de tule branco, dando-lhe um ar misterioso e elegante.
Seus dedos deslizaram pelo gloss cor pêssego, espalhando-o suavemente pelos lábios, que reluziram à luz do abajur.
— A Chloe vai te buscar daqui a pouco. Quero que esteja em casa às nove em ponto. — A voz firme de Catarina quebrou o silêncio, vinda da porta entreaberta.
Catarina, encostada na soleira da porta.
Amber percebeu que sua mãe parecia tensa, depois de sair do escritório com sua irmã Mara. Catarina explicou que sairia logo após Amber, acompanhada de Mara, pois haviam encontrado um comprador para a mansão.
Com os braços cruzados e o semblante carregado de preocupação. As sombras no rosto de Catarina eram mais suaves naquela noite, como se os últimos dias tivessem trazido algum alívio. Desde que se mudaram para Charlwood, ela parecia outra pessoa. Antes, em Filadélfia, suas tardes eram passadas no deck, lendo a Vogue enquanto admirava as casas coloridas e os jardins floridos. Aqui, no entanto, Catarina passava as noites na varanda dos fundos, sentada na namoradeira de tweed creme, os cabelos presos num coque desleixado, improvisando um prendedor com uma caneta.
As coisas haviam mudado. Ultimamente, Catarina não se trancava mais no escritório até altas horas. Agora, ela jantava com Amber, trocavam confidências sobre o dia, e todas as noites, antes de dormir, recebia um beijo suave de boa noite. Aquela nova rotina aquecia o coração de Amber, trazendo um conforto que há tempos não sentia.
Naquela noite, Catarina saíra com Mara para beber no bar próximo. Quando voltou, Amber já estava na cama, quase dormindo, mas sentiu o perfume familiar de Chanel Nº 5 se misturando ao cheiro amargo de álcool quando a mãe entrou em seu quarto. O toque macio dos lábios de Catarina em sua bochecha a fez sorrir no escuro.
— Te amo, meu bem. — sussurrou Catarina, e o leve clique da porta se fechando foi a última coisa que Amber ouviu antes de adormecer.
— Chego na hora certa, prometo.
Catarina a observou por um momento, o olhar suavizando-se em um sorriso.
— Você está tão bonita.
Amber sorriu timidamente. Lá fora, o ronco familiar do Jeep de Chloe ecoou pelo quintal, seguido por uma buzina estridente. Amber agarrou a bolsa, lançando um último olhar à mãe
— Amo você, mãe.
Catarina a acompanhou até a porta. Chloe acenou da janela do carro, e Catarina não resistiu:
— Cuidado, Chloe! Juízo, hein!
Chloe riu, com aquele brilho travesso nos olhos.
— Sou ajuizada, minha querida tia.
A música alta preencheu o carro assim que Amber entrou. Chloe girou o botão do rádio, e a voz de Steven Tyler ecoou pelos alto-falantes: "You know you drive me up a wall..."
VOCÊ ESTÁ LENDO
Full Moon
Werewolfa jovem Amber retorna à sua cidade natal para um funeral, apenas para descobrir que seu retorno desencadeia uma série de eventos misteriosos. Ela logo percebe que sua mãe guarda um segredo profundo. No meio desse tumulto emocional, Amber cruza camin...
