Amber deu a última olhada no espelho de moldura dourada, alisando com suavidade o tecido do vestido que envolvia sua silhueta com delicadeza. A luz do quarto, suave e amarelada, realçava o brilho discreto do tecido, enquanto seus fios ondulados escorriam sobre os ombros quando ela os jogou para frente, ajeitando-os com os dedos. O coração batia com uma leve ansiedade - Alex chegaria a qualquer momento. E Catarina queria conhecê-lo.
- Estão saindo há quanto tempo? - a voz firme, porém suave de Catarina rompeu o silêncio do quarto.
Amber respirou fundo antes de responder, ainda olhando seu reflexo.
- Alex é apenas um amigo, mãe. - disse, mantendo o tom neutro, mas firme.
Ela não queria que a mãe interpretasse aquilo de outra forma. Amber apreciava a companhia de Alex, a amizade leve e acolhedora que os dois estavam construindo. Era apenas isso.
Catarina se aproximou em passos calmos, parando atrás da filha. Seus olhos se demoraram no rosto delicado de Amber, observando cada detalhe com ternura silenciosa. As mãos pálidas repousaram sobre os ombros da garota, com um carinho contido.
- Eu sei que não somos de falar muito sobre isso... sobre garotos. - Sua voz soava quase frágil. - Mas eu quero saber... caso um dia se interesse por alguém.
Amber assentiu levemente, mas desviou o olhar. Não havia, de fato, nenhum interesse em alguém... pelo menos era o que ela tentava afirmar para si mesma. No entanto, o Black veio como um sussurro indesejado, e com ele, um calor subindo para suas bochechas. Ela fechou os olhos por um breve instante e espantou o pensamento como se ele fosse apenas fruto de sua imaginação inquieta.
- Claro... mas por enquanto, eu quero pensar no meu futuro. Faculdade. - Amber se virou, os olhos firmes agora encontrando os de Catarina. - Mas enquanto isso, quero passar um bom tempo ao seu lado.
O sorriso que nasceu nos lábios de Catarina era doce e silencioso. Seus olhos marejaram por um instante, mas ela disfarçou a emoção engolindo em seco.
- Você está certa, querida... isso me faz lembrar uma pessoa. - murmurou, puxando Amber para um abraço apertado e duradouro. - Agora vá. Alex deve estar esperando.
Catarina enxugou o canto dos olhos com a ponta dos dedos ao sair do quarto, deixando para trás um perfume suave e uma presença cheia de memórias. Amber permaneceu ali por um segundo, em silêncio, tentando adivinhar de quem sua mãe estava falando.
Lá embaixo, o som da porta se abrindo ecoou suavemente pela escada. Alex estava de pé, frente a frente com Catarina, a postura visivelmente rígida. Suas mãos estavam enfiadas nos bolsos da calça jeans, e seus olhos pareciam evitar o contato direto, denunciando o nervosismo. O cheiro amadeirado do perfume dele se espalhava levemente pelo corredor.
- Vou trazer a Amber na hora certa, Srt. Pierce. - disse ele, a voz firme apesar do leve tremor.
- Tudo bem, mas pode me chamar de Catarina. E... tenha cuidado, por favor. - respondeu ela, com um tom que misturava gentileza e firmeza materna.
- Prometo que vou trazê-la com segurança.
Amber se aproximou, abraçando Catarina com carinho, sentindo a tensão sutil escondida nos ombros da mãe. Logo em seguida, acompanhou Alex para fora. A noite a recebeu com um vento frio e o cheiro de terra molhada. O céu estava encoberto, e a rua parecia mergulhada em um silêncio espesso, cortado apenas pelo ruído distante de grilos.
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Full Moon
Werewolfa jovem Amber retorna à sua cidade natal para um funeral, apenas para descobrir que seu retorno desencadeia uma série de eventos misteriosos. Ela logo percebe que sua mãe guarda um segredo profundo. No meio desse tumulto emocional, Amber cruza camin...
