Nem tudo é o que parece

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Mais tarde, naquele mesmo dia, Amber estava de volta ao seu quarto, colocando tudo no lugar como se aquilo fizesse sentido - como se dobrar camisetas e alinhar livros nas prateleiras pudesse arrumar também o caos que fervia por dentro. Estava frustrada. Catarina havia mudado de ideia em cima da hora, e Amber sequer teve tempo de raciocinar.

Atraves do vidro dava para ver os dois lá fora. Os gestos eram contidos, mas afiados. Um observador desatento diria que estavam apenas conversando. Amber, porém, sentia como se estivessem lançando lâminas disfarçadas em palavras. Ela não ouvia o que diziam - o vidro abafava tudo -, mas o clima entre eles era tão tenso que parecia que o ar ao redor estava prestes a rachar.

Assim que Catarina caminhou pela calçada, Amber largou tudo e disparou escada acima. Foi por pouco que não tropeçou nos próprios pés. Logo depois, ouviu os passos apressados da mãe pelo corredor.

Amber tentou entender. Sebastian falava com um tom estranho... quase como se conhecesse uma versão de Catarina que Amber jamais vira. Como se, de algum jeito perverso, ele se divertisse em relembrá-la disso. Havia algo por trás daquela conversa - algo que Catarina claramente não queria que Amber ouvisse.

Ela queria respostas. Mas Catarina dissera que falariam em casa. Então esperaria.

- Não precisa mais fazer as malas... - disse Catarina, encostada na moldura da porta de madeira escura.

A voz dela não carregava arrependimento, tampouco alívio. Soava... resignada. Como quem decide algo com o coração pesado.

Amber, ainda com o pijama de flanela nas mãos, virou-se devagar. Sentiu uma pontada de confusão - misturada com um quase-sorriso. Não ir embora de Charlwood era a melhor notícia que poderia ter vindo naquele momento, principalmente agora que começava a se sentir menos sozinha. Katrina, com seu jeito impulsivo e sua mãe superprotetora, parecia entender Amber de um jeito que ninguém mais entendia.

- Por quê?

Catarina caminhou até a cama e sentou-se com cuidado, como se o colchão pudesse afundar demais com qualquer movimento brusco. Fez um gesto suave, chamando Amber para sentar ao seu lado. O colchão afundou sob o peso das duas, exalando um leve cheiro de lavanda e amaciante.

- Porque... vou leiloar algumas coisas da família. Quadros antigos. Eles valem uma boa quantia. - A voz dela saiu baixa, quase um sussurro. E tão cansada que Amber teve vontade de abraçá-la. - Desculpa por ter assustado você. Eu... fiquei com medo. Medo de não conseguir lidar com as dívidas que o Vincent deixou.

Amber assentiu devagar, mas o gesto era vazio. Ainda havia uma pontada de desconfiança em seu peito - como se algo estivesse fora do lugar e ninguém estivesse dizendo isso em voz alta.

- Tem certeza? Você parecia tão... assustada. - disse ela, arrastando os dedos pelas costuras da colcha, as unhas longas riscando o tecido como se buscassem uma resposta ali.

Catarina soltou um suspiro e passou os dedos pelos cabelos de Amber, afastando uma mecha da testa com um carinho.

- Eu não queria te assustar, querida. E eu prometi que contaria toda a verdade... - disse, olhando para frente, não diretamente para Amber. - O Vincent já estava quase falido há algum tempo. A loja de antiguidades não rendia o que rendia antes... E a mansão... foi um alívio conseguir vendê-la.

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