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Amber deslizou o gloss pelos lábios com um gesto automático, mas seus olhos estavam fixos no bosque à distância. Escuro como breu. A brisa noturna carregava o cheiro úmido da terra, e cada estalo de galho, cada uivo distante de coruja, soava como um aviso sussurrado entre as sombras.
Amber não sabia o que tinha visto, o por que viu seus olhos em uma cor tão estranho, aquilo lhe causava medo.
Ela soltou um suspiro lento e virou-se, caminhando de volta até onde Chloe e Katrina estavam sentadas, os rostos iluminados pelo brilho tímido da fogueira improvisada.
— Tá tudo bem? — perguntou Chloe, tocando suavemente o ombro dela. — Você tá... pálida.
— É só o frio — respondeu Amber, quase num sussurro.
Ela baixou o olhar. Não queria encarar ninguém. Algo dentro dela parecia... errado. O mundo não estava girando, o chão não tremia. Não era a bebida — duas doses não causariam aquilo. Foi quando um pensamento cortante atravessou sua mente: Catarina. Sua mãe. Se soubesse o que a filha "perfeitinha" estava fazendo ali... e pior, com os Black — os arqui-inimigos da família há gerações —, ela surtaria.
— Relaxa, menina. Dá uma maneirada. — Katrina sorriu, como se tivesse lido seus pensamentos. — Tem certeza de que não tá bêbada?
— Não tô. — Amber abraçou os próprios braços, sentindo o frio arrepiar sua pele. — Só... só tô gelada.
Do outro lado, perto de um tambor em chamas, ela viu Tony, Black e George rindo alto, se provocando como sempre. As chamas desenhavam sombras dançantes nos rostos deles. Amber os observou sem encarar diretamente. Todos estavam de olho neles, mas havia algo em Black... algo que fazia seu coração tropeçar. Os braços fortes, o jeito despreocupado de rir, os olhos que pareciam sempre saber mais do que deviam. E ele era alto. Muito mais do que parecia. Talvez 1,83, ela calculou sem querer.
— Meu namorado é tão lindo. — disse Katrina, apoiando o queixo na mão como uma adolescente apaixonada.
Chloe abafou uma risada, cúmplice.
— O meu também. Um gato. Mas você deu sorte com o Tony. Ele é fofo e bonito. — brindou com a própria bebida antes de dar um gole.
Amber desviou o olhar rápido. Não queria ser pega encarando. Chloe e Katrina estavam completamente entregues ao charme dos garotos. Mas Amber... Amber sabia que estava olhando mais do que devia para Black.
— Vai apostar? — uma voz cortou seus pensamentos. A garota irlandesa estava ali, desafiadora, com um sorriso nos lábios.
Amber lançou um olhar a Chloe, que apenas assentiu com a cabeça, animada.
— Escolhe alguém — disse Chloe.
Amber hesitou. Todo mundo dizia que Black era o melhor, o mais rápido, o mais imprevisível. Mas apostar nele? Com o próprio dinheiro? Parecia dar poder demais para alguém que já era convencido por natureza. Ela franziu levemente o nariz. Definitivamente, não ia dar esse gostinho a ele.
— Ah, acho melhor não — murmurou Amber, cruzando os braços de leve. — Vai acabar tarde, e eu preciso ir embora.
A garota que fizera a pergunta apenas assentiu com um meio sorriso antes de se afastar, os cabelos balançando ao vento como se nem tivessem peso.
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Full Moon
Werewolfa jovem Amber retorna à sua cidade natal para um funeral, apenas para descobrir que seu retorno desencadeia uma série de eventos misteriosos. Ela logo percebe que sua mãe guarda um segredo profundo. No meio desse tumulto emocional, Amber cruza camin...
