*ੈ✩‧₊˚༺☆༻*ੈ✩‧₊˚
Às sete e meia da manhã, a casa ainda dormia sob um silêncio morno. Lá fora, o céu permanecia enevoado, com uma luz opaca filtrando pelas nuvens - um típico amanhecer de Charlwood Hill. No quarto de Amber, o ar estava denso e frio, levemente perfumado pelo cheiro adocicado de lavanda que vinha do travesseiro. Enrolada em seu edredom grosso, ela rolava de um lado para o outro, como se procurasse se esconder da própria mente.
Dormir parecia impossível. A cada cochilo breve, o mesmo pesadelo a puxava de volta.
Ela se sentou, soltando um suspiro cansado, e tirou devagar a touca de cetim. Seus cabelos castanhos e ondulados desceram com naturalidade pelos ombros, emoldurando um rosto pálido e marcado por olheiras suaves. Um som repentino - o bater seco de asas - a fez estremecer. Um pássaro cinza pousava com pressa na moldura da janela, e Amber piscou, como se acordasse de um transe.
Lembranças do sonho invadiram sua mente outra vez: estava no alto de uma colina, o vento uivava entre os arbustos e a neblina cobria tudo como um véu. As luzes da cidade brilhavam pequenas e distantes lá embaixo, como se estivessem fora do alcance. Um colar com uma pedra vermelha pendia em seu pescoço, e de dentro dela uma fumaça azulada se espalhava pela cidade, como uma maldição silenciosa. O sonho se repetira - duas vezes. Na última, ela vira um lobo enorme sair do meio das sombras, os olhos ferozes, o corpo tenso como o de um cão raivoso.
Com os pés ainda pesados de sono, afastou o edredom e deslizou para fora da cama. As pantufas de cachorrinho acolheram seus passos até o espelho. O reflexo não foi generoso: sua expressão cansada denunciava a noite conturbada. Era o dia da fogueira - e Amber estivera contando os minutos para isso - mas tudo o que via era uma garota exausta.
Ela abriu a cortina apenas o suficiente para deixar um feixe tímido de sol atravessar o vidro. A luz dourada tocou o pingente de coruja pendurado em seu pescoço, fazendo-o brilhar discretamente. Amber olhou para os lados, depois fechou os olhos. Segurou o colar com as duas mãos e se concentrou. Mas nada aconteceu. Só silêncio. Só ar. Ela bufou, frustrada.
O relógio marcava um horário ingrato. Podia estar dormindo, afinal fora dormir tarde. Pensou em pegar algum livro da prateleira - talvez um romance sobrenatural, como os da Stephenie Meyer - mas hesitou. Seriam os pesadelos causados por sua nova obsessão com lendas e mitos? Desde que abrira aquele livro antigo, tudo parecia ter ganhado um tom mais denso, mais sombrio.
Depois de um banho morno e rápido, vestiu seu casaco de cashmere, jeans e desceu para a cozinha. O som da TV preencheu o cômodo vazio enquanto Amber se servia de seu cereal favorito. Catarina ainda não havia acordado.
Amber observou a despensa quase vazia. Hoje, queria cozinhar algo diferente. Passou os olhos pela garagem e pensou em pegar o Volvo. Bateu a dúvida: deveria avisar Catarina? Mas ao vê-la dormindo tão profundamente, decidiu deixá-la descansar.
Após sair do mercado, Amber estacionou o carro próximo a uma cafeteria discreta na esquina. O vento soprava leve, carregando o aroma de pão assado e café moído. Antes mesmo de sair do carro, ela reparou em dois rapazes encostados em uma moto escura. Ambos vestiam coletes de couro desgastado, com um lobo bordado nas costas. Aquela imagem lhe trouxe uma lembrança quase automática - alguns daqueles caras já tinham aparecido com Black em mais de uma ocasião.
Amber bateu a porta do carro ao sair. O som ecoou pela calçada silenciosa, fazendo os dois rapazes a olharem. Um deles, o mais alto, usava uma bandana preta com estampa de caveira. Ele a observou com um olhar demorado, descendo dos olhos até os pés, com um sutil erguer de sobrancelha. Amber desviou o olhar rapidamente, desejando que Black não estivesse por perto - e, por sorte, ele não estava.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Full Moon
Lupi mannaria jovem Amber retorna à sua cidade natal para um funeral, apenas para descobrir que seu retorno desencadeia uma série de eventos misteriosos. Ela logo percebe que sua mãe guarda um segredo profundo. No meio desse tumulto emocional, Amber cruza camin...
