Capítulo 13 - Mernephtar: O Sacrifício dos Primogênitos

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       Sob grande observação Dr. Lau leciona, sempre de relance olhar a sua aluna querida, a sala parece que por completa os alunos sempre atentos as palavras históricas do professor.
     — Todos coloquem os trabalhos sobre a mesa — pede o professor — agora vamos à três mil e duzentos anos atrás — ao grande  faraó Mernephtar.
     — Ramsés II conquistador e construtor de enormes monumentos, irmão da princesa Thermutis a quem gerou Mesu ou Moisés, o enviado que a bíblia conta, o messias que veio das águas para libertar os Hebreus.
     — Mas, Moisés era egípcio professor? — pergunta um dos alunos.
     — Sim! filho de Thermutis e do hebreu Ithamar, aprendiz de artesão, vagamente a história oculta muitos detalhes.
Com a morte do grande Ramsés II seu filho ocupa o trono e a coroa do alto e baixo Egito, o faraó Mernephtar, não sabendo que seria usado na mais triste fase do Egito. Com o retorno de Moisés à Tanis depois de trinta anos na Índia e no deserto, a decadência do Egito teria inicio.
     Aquelas palavras emitem vibrações ao mundo invisível, do outro lado as energias são recebidas imediatamente, na sala de aula o espectro do então faraó caminha invisível. Lau sente as vibrações e sabe que tem alguém ali com ele.
     — Salve meu filho! — Implora o faraó
     Lau entende aquelas palavras e ouve a suplica do filho de Ra. Não podendo ali repondê-lo, apenas continua a sua aula com a presença invisível do faraó sofredor.
     Com o desejo de se tornar rei dos hebreus Moisés não pouparia esforços para justificar o seu fim e nem o Herdeiro do trono seria honrado.
     Lau sabe que algo vai Ter que fazer, ansioso, o tempo da aula acaba e todos saem como todos os dias, correndo, apenas Zoira continua em sua cadeira, enquanto Lau organiza suas coisas, Zoira espera algumas palavras do seu professor, mas, não sobre a aula.
     — Zoira! Não parei de pensar no dia de ontem — Lau chegando perto da cadeira da aluna — foi um sonho o que aconteceu?
Por um instante sua cabeça por um turbilhão de duvidas e Zoira mergulha numa inquietação, sua mente borbulha o sangue despeja em sua veias, gotas quentes que ferve todo o seu organismo.
     — Não! Lau, não foi um sonho, foi o meu desejo indo de encontro ao seu, mas,  precipitamo-nos, ainda não é a hora, somos apenas professor e aluna existem vários caminhos que nos conduzem, várias sombras que nos acompanham. Só o destino nos reserva o fim.
     — Sim! Zoira, o destino nos reserva o fim, mas, como chegarmos lá se não caminharmos juntos de mãos dadas, só assim pegaremos o mesmo caminho para não nos separar-mos.
Zoira levanta-se chega ao professor dá um leve abraço.
     — Que o destino nos guarde o melhor caminho e que o fim seja o desejado por nós professor.
     — Deixemos então o destino em paz então seremos felizes, eu e você Zoira para sempre.
      Lau volta a sentir a energia envoltar o seu corpo, Zoira despede-se e apressa-se para o ponto de ônibus que já deve estar no horário, Lau estar sozinho na sala e a energia aumenta e a voz suplica novamente.
     — Por favor salve o meu filho!
     — Quem me procura? — Lau meio assustado. — diga-me quem é você e o que posso fazer?
     — Eu sou Mernephtar e você evocou o meu nome, durante séculos e milênios transeunto no infinito nas mais negras desilusões a pedir piedade aos que me trouxeram aqui. Seti meu filho não pode sucumbir aos desejos de morte que sobrepaira o palácio ele tem que viver e reinar por seu pai e tirar o grande Egito das calamidades e sucubencias que se sucederão com a minha morte, por isso eu espectro do grande Mernephtar que aqui não passa de um simples serviçal do Eterno, te peço por tua honra salva o Herdeiro!
     — Mas, como posso salvá-lo, grande faraó? — Lau pergunta em grande respeito
     — Aqui nós temos visão do futuro e passado, dos que morrem, dos que nascem e tu filho de Hor tens a magias das trombetas e dos guardiões, dos sete anéis, das setes legiões, tens a  permissão do Eterno para e ir e vir na eternidade, para arrancar a estaca do mal do peito de quem sofre, tens luz divina nas mãos e nos olhos, atende os meus apelos e te serei grato por todo o tempo.
      As palavras calam, o silencio na sala, Lau sente que está só, a energia sumiu e o desespero do faraó massacra o seu peito.
      Em seu apartamento Lau se comunica com Nozek através do seu portal de voz. 
       — Nozek! Prepare o portal irei ao Egito a três mil e duzentos anos atrás! — Lau dar ordem ao assistente.
     — Mas senhor! Nunca foste tão distante, assim será muito arriscado! — responde Nozek
     — eu sei! Mas a minha vida é isso Nozek me arriscar e salvar quem precisa, abra o portal leve-me ao laboratório.
Em segundos Lau estar em seu laboratório, com seu assistente para mais uma longa jornada no tempo, Nozek calcula bem a data certa para o portal abrir exatamente quando se passa o reinado do faraó Mernephtar antes do extermínio dos primogênitos.
     — Tudo pronto senhor! — Nozek da o sinal da partida
     — até mais meu fiel assistente
Lau entra no portal quando toca o outro lado a terra quente entre o deserto africano o grande Egito exatamente em Tanis, quando a peste massacrava aquele povo, Lau em pé entre grandes palácios os carros dos soldados aflitos correm em direção ao palácio do faraó, outros saem em outras direções, corpos atirados nas ruas e carroças cheias de cadáveres, a peste devora os egípcios com a fome de leão.
     — como poderei andar por ai com as roupas do século de onde eu vim? —  pensa Lau
      A solução foi pegar um manto de um dos corpos caídos e vesti-lo imediatamente e se passar por um egípcio natalina de Tanis.
Por onde passa os gemidos e ais são terríveis. Mulheres, crianças, homens de todas as idades. Caem-lhes a carne dos ossos feito cera na vela.
     — Ei!,  quem és tu? — Rhadamés,o condutor do carro do faraó — grita! 
Lau olha e ver um soldado sobre um cavalo, de armadura e capacete em sua direção
     — Eu senhor! — responde Lau — sou Lau, estou aqui a procura do grande faraó, onde posso encontrá-lo?
     — Tu vestido assim desejas falar com o grande rei? Tu és um hebreu seguidor do infame, deverias te jogar nas minas, pertences ao povo imundo, por que não foste atingido pela peste?
     — Osíris me poupou senhor!
     — Então és egípcio, segue o teu caminho — ordena o soldado e sai a galope
     — Pobre Rhadamés, conheço o teu passado e teu futuro — medita Dr. Lau e sai
     A multidão corre em direção ao templo e Lau caminha entre os aflitos, é o faraó que está no templo de Isis, suplicando aos deuses o fim da peste,  após as orações faraó fala ao povo e conforta-os com toda sua imponência. Sempre rodeados pêlos sacerdotes e guardiões, o povo saciado de sabedoria e conforto se despersa, pois sabem que seu rei saberá por fim as maldições que afligem o seu povo.     
     A moléstia se espalha deixando corpos por toda a parte, fogueiras nas ruas deixam em cinzas homens bons, trabalhadores, egípcios inocentes. — em nome do eterno Mesu és a besta, cairá teu corpo inexpiável em terra maldita, hebreu — um desabafo de uma mãe vendo seu filho caído no chão.
      Os vultos negros passeiam entre os templos, os filhos do mal das trevas que assombram independente das eras, sombras deslizam entre os cadáveres, temem a presença de Lau, como se reconhecer-se o filho de Hor.
      Dr. Lau caminha até o grande rio e contempla sua magnitude.
      — Grande Nilo que dar de beber aos deuses, fortuna do Egito, escorre tuas águas na mente humana lavando todo mal que nela contenha...
     As liteiras apressadas correm em direção das ervas que os soldados espalharam pela cidade, o incenso que curará as feridas soltando fumaça no ar para toda população se curar do mal, uma liteira de ouro levado por doze escravos fortes passa por Lau, levantando a cortina Mernephtar mira um olhar de clemência como reconhecer-se aquele súdito, ali em pé levanta a mão, e os escravos param, Lau admira orgulho o faraó a força dominante do Egito, rei, guerreiro e sábio, filho de Ra, todo poderoso, a mão que guia o grande Egito.
     Ao lado soldados protegem o rei, um em especial.
     — tu, aproxima-te — o poderoso rei ordena — o tal soldado apontando em voz alta se exprime. Sem tirar o olhar faraó examina todo o ser do Lau.
      — quem és, filho? — Faraó como se já esperasse — tu não me és estranho.    
      — Perdoe-me senhor, sou apenas um merecedor da tua bondade e misericórdia, sê-de generoso filho de Ra — Lau fala com o faraó como se fosse um simples egípcio.
      O Faraó observa nos olhos de Lau, como se algo lhe dissesse. Este é o salvador o protetor do herdeiro e atentamente olha e segue. Ao cair da noite Tanis vai escurecendo, as ruas se esvaziam apenas o palácios mostram vagas luzes perenes das velas e lampiões.
      Em um dos becos escuro Lau deixa de ser um simples Dr. e lentamente entre as sombras surge o vigilante das sombras.
      — Ó, grande espirito! Da morte és chegada a minha hora? — suplica o coitado — vieste-me buscar?
      — Eu sou Lard! e não vim para levá-lo — Lard conforta o infeliz.
      No outro quarteirão soldados espancam hebreus que se atrevem a dormir nos domínios egípcios, os hebreus sempre viveram sob ordem do Egito sucumbiram e se escravizaram, trabalhos forçados, horas e horas sob o sol, sob os chicotes dos seus senhores, com as pragas decaídas sobre os egípcios a situação ficou ainda pior, constantes revoltas entre egípcios e hebreus nas ruas, violenta desordem, mortes e sangue resultavam de tal situação, o caos reinava em todos os lugares, porém com o final da peste as coisas iam se normalizando, a trégua dada do enviado de Deus era por pouco tempo, estava preste a acontecer o grande massacre da história, o extermínio dos primogênitos. Correu-se o boato que naquela noite todos os filhos mais velhos de cada casa de cada palácio e até o filho do faraó seria sacrificado em nome da liberdade do povo imundo.
      Naquela noite ouve um tremendo alvoroço e a noticia chegou a Mernephtar que imediatamente ordenou que seus melhores homens de confiança vigiassem com a própria vida o herdeiro do seu trono, imediatamente os soldados de plantão se colocaram na posição que ninguém ou nada pudesse passar a entrada do quarto do filho do faraó, Rhadamés o condutor do carro do faraó homem de maior confiança do rei e  Nexo fiel comandante e quem trouxera a noticia e quem o faraó lhe era muito grato e tinha a recompensa do rei.
      Postaram-se então no corredor que dava acesso ao quarto do pequeno Seti todos atentos e dispostos a morrer pelo futuro rei do Egito.
       Longas horas se passaram e como se desacreditassem no quase impossível, a morte do filho do faraó, os castiçais presos na parede soltando uma fumaça de erva aromatizante e sonífera em poucos instantes todos caem em seus postos dormindo em desmaios, o filho do rei está vulnerável e sozinho.
      No palácio todos dormem e a madrugada escura mostra no céu as constelações, e a de Orion brilha como se avisasse com seu brilho as três pirâmides que enviassem aos espíritos dos seus ancestrais para que evitem o sacrifício do herdeiro, mas, Orion sabia que sua prece seria ouvida. Lentamente a porta se abre, Seti dorme seguro que seus guardiões estariam de pé velando por sua vida, um punhal reluz na pouca luz que ilumina o imenso quarto, de um golpe atroz, a criatura sem piedade mira o peito do inocente que dorme e sonha com seu reinado.
      De súbito um golpe faz a tal arma sacudir da mão do assassino e cai distante da cama. O verme vira-se e ver e não acredita.
O barulho faz com que os guardas entrem e apavorados correm ao encontro do filho do rei.
    — Ó, espirito protetor salvas-te nosso rei! — ajoelha um dos guardas
O aspirante assassino corre em direção ao grande espirito, mas, o grande espirito conhece bem os protegidos das trevas e sem salvação ultrapassa a espada de dois gumes no seu coração. Imediatamente aquele ser cai ao chão se transformando em chamas e logo todo seu corpo vira pó, cinzas somente cinzas.
      O discípulo do mal se esvai em um sangue negro espalhando-se pelo chão em direção a cama de Seti, como se tivesse vida o liquido se transforma num monstro negro querendo a toda força realizar seu trabalho, os soldados indefesos com suas armas, Mernephtar chega e ver o filho prestes a ser devorado, se ajoelha e implora a Osíris, mas, Osíris nada pode fazer.
      Lard invoca o anel das sete estrelas e Orion com seu raio de luz forte como um lazer estraçalha a criatura, desfazendo-se e sumindo bem ali aos olhos de todos.
      Atordoados todos se ajoelham e agradecem ao tal espirito salvador.
      — Obrigado Grande Ra, salvas-te meu filho — Mernephtar se aproxima e agradece 
      —  Sou-lhe muito grato, salvas-te minha vida, diga-me és o espirito de Osíris? — Seti o filho do faraó.
     — Não! Eu sou Lard! vim de muito longe para proteger o futuro rei do Egito, e  farás um grande reinado — faraó agora dormirás em paz por todo o sempre.
     Lard se refere ao seu chamado, mas, faraó não entende suas palavras.
     — Como poderei recompensar grande espirito? — Mernephtar.
    — Seja um bom rei para o teu povo, muitos problemas virão, ouve a vos do teu coração.
    Lard ergue as mãos e um portal surge em sua frente.
— Adeus Osíris protetor do grande Egito!
    Mernephtar despede-se imaginando realmente que Osíris esteve ali.
     Lard entra no portal...

Lard - O EclipseOnde histórias criam vida. Descubra agora