Fico um tempo paralisado, encarando a Fada tentando dar algum sentido ao que ela acabou de me dizer quando só me parecem só um monte de palavras desconexas. Afinal, não tem como isso acontecer... tem?
-Jane não acreditava na Fada dos Dentes? - digo tentando ver se entendi direito e ela concorda - Mas... mas isso é impossível! Todos quando são crianças acreditam na Fada dos Dentes!
-Bom, nem todos - ela se pronuncia, com um olhar baixo - É bem raro, é como... uma em cada um milhão mas sim. Existem crianças que não acreditam em nós.
-E a Jane foi uma dessas crianças - completou Norte - Na verdade, ela não só não acreditava na Fada como também não acreditava em nenhum de nós.
Se antes já estava surpreso, agora é possível que meu queixo tenha ido ao chão. Eu nunca havia ouvido falar de uma criança sequer que não acreditava em apenas um guardião, quem dirá em todos eles!
-C-Como isso é possível? - pergunto atônito
-Os pais - Coelhão responde - Alguns acham que acreditar em nós é uma perda de tempo, estúpido ou sei lá. Então eles não falam sobre nós para os filhos, não incentivam elas a colocar o dente embaixo do travesseiro, a caçar os ovos na páscoa, eles mesmos dão os presentes de natal aos filhos e alegam que os sonhos são criados pela imaginação deles.
Me viro para olhar a Jane e ela está encarando o chão, em um silêncio mortal, sua expressão demonstra uma certa culpa embora eu realmente não tenha motivos para ela se sentir assim. Mas antes que eu possa falar qualquer coisa, sem nem olhar para nós, ela dá meia volta e sai do cofre dos dentes sem dizer nada.
-Jane! - a chamo indo atrás dela, não demorando muito para voltar ao pátio onde fica a entrada do cofre. Pensei que talvez ela fosse fugir mas invés disso, a garota para encarando a parede onde tem o desenho de crianças entregando seus dentes à Fada e às suas fadinhas
-Foi vingança. Não foi? - ela se vira para trás, se direcionando aos guardiões, no mesmo instante em que eles aparecem na porta - Eu não acreditava que vocês existiam e em troca me trataram como se eu também não existisse.
-Não foi isso, Jane! - Coelhão diz se aproximando
-Claro que não - Norte concorda - Nós não lembrava-mos que era você na verdade. Como nunca acreditou em nós, não tínhamos uma conexão com você então realmente não sabíamos quem você era até a Fada nos mostrar sua imagem na caixinha e nos lembrarmos. Não foi vingança, isso eu garanto a você!
Jane olha seriamente para cada um deles, provavelmente tentando encontrar verdade em seus olhares e pelo visto ela encontra pois suspira e responde:
-Tá mas, como vou me lembrar agora? Sem meus dentes... tem outra maneira?
-Não - Fada responde - Os dentes são o que contém as memórias da infância, se eu não os tenho então não tenho as memórias. Não tenho como te fazer lembrar.
-Não tem outro jeito? Nenhum mesmo? - pergunto e ela não diz nada mas nega com cabeça
Me viro para a Jane a encontrando olhando para o chão com um semblante decepcionado. É minha culpa, fui eu quem deu essa falsa esperança para ela! Perceber isso faz um peso vir sobre meus ombros, afinal é mais uma coisa que acontece a ela que é minha culpa...
Os outros guardiões começam a discutir entre si tentando encontrar alguma outra opção da Jane recuperar suas lembranças e isso é bom, afinal mostra a ela que, ao contrário do que pensa, eles se importam.
-Eu sinto muito - digo me aproximando - Realmente achei que fosse funcionar.
-Tudo bem, ao menos você tentou - ela fala dando um longo suspiro e depois de alguns segundos quieta, ela levanta a cabeça e olha para mim - Olha, eu sei que só fez isso porque queria me agradar para eu me juntar a vocês mas ainda assim, foi a primeira vez que fizeram alguma coisa legal para mim. Então... obrigada.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Assim como eu
Fanfiction"Meu nome é Jack Frost e eu sou um guardião. Há quatro anos, os outros guardiões e eu derrotamos o Breu, também conhecido como o Bicho-papão. Desde então vivíamos em paz, cada um fazendo o seu respectivo trabalho, tudo estava bem, até aquele dia... ...