atônito me concedi ao
contemplar-te os olhos imensos
e foi quando vi a anarquia
presa à sua córnea
amo, logo idealizo!
refuto, penso e me equivoco
logo não sei e nem tenho certeza
volto! retorno ao pânico
ao meu transtorno ansioso
e tudo acontece de novo:
"eu fiquei só
por uma longa madrugada
que ainda não teve fim
eu fiquei só
por um longo instante
apenas interminável para mim."
segui caminhos e além
entrei em abrigos e tentei arrancar
os braços de outrém
ressuscitei,
e declamei mais poemas
do que poderia contar
senti um aperto no peito
e foi tão difícil respirar
quando anarquizei a minha afeição
me esqueci de muitas coisas
primeira coisa:
fazer sorrir e rir mais vezez
segunda coisa:
chorar às vezes e conseguir amar.
