Clichê

939 47 22
                                        

-Então, senhora Smith...- Ele sorriu de canto pra mim.- Pode me dizer o que uma mulher da sua classe faz com um homem daqueles?

-Mulher da minha classe?- Falei enquanto arqueava uma das minhas sobrancelhas. 

-Convenhamos, a senhora é uma mulher de classe alta, com um jornal de sucesso, elegante, bonita, independente...

-Eu já entendi.- Cortei sua conversa repugnante e ele me olhou desconcertado.- Eu não vejo o por que estranha tanto que eu e Fp estejamos convivendo.- Dei de ombros.- Afinal, nos conhecemos a muitos anos e acabamos nos aproximando com o namoro dos nossos filhos. O que tem de estranho nisso?- Falei tentando parecer convincente e o homem riu fraco se encostando na sua grande cadeira de um couro marrom. Ele me analisou por alguns segundos, fazendo com que meu estômago se revirasse ao perceber que o homem não cairia tão fácil na minha conversa. 

-O que tem de estranho, dona, é essa amizade repentina surgir justo quando dois homens desapareceram em Riverdale, e o maior suspeito é o cara com quem a senhora anda para cima e para baixo.- Falou ele um tanto ríspido.- E sabe o que mais é estranho? O principal jornal da cidade não publicou nada sobre os maiores acontecimentos da cidade dos últimos dias. 

-Eu não tenho nada para esconder. - Falei com a voz um tanto que sarcástica e pude ver o homem estremecer.

-Pode responder algumas perguntas sem o nível habitual de sarcasmo?- O agente falou enquanto se levantava lentamente da sua cadeira e vinha devagar em minha direção. 

-Se conseguir fazer as perguntas sem o nível habitual de estupidez.- Falei séria enquanto o homem me rodeava até que parasse atrás de mim e apontasse para uma das fotos.

-Esta é você saindo as 7:35 da manhã do bar dos serpentes, o wyrm.- Suspirei.- O que fazia lá até aquela hora?- Eu engoli em seco lembrando da primeira vez em que transei com Fp depois do nosso reencontro. 

-Fui ao bar depois de um dia cansativo no jornal, bebi algumas cervejas e acabei adormecendo.- Falei robóticamente e o homem bufou atrás de mim. 

-E nessa aqui? Onde o senhor Jones foi até seu jornal enquanto a senhora fechava o mesmo, pode me explicar?- O homem apontou para a foto enquanto se debruçava em mim fazendo com que eu pudesse sentir sua respiração na minha nuca. Eu tive vontade de soca-lo. 

-Ele foi me convidar para comer algo no Pops, mas tive que recusar, pois estava muito cansada.-Eu falava enquanto analisava as fotos que estavam encima da mesa, nervosa, sem saber se conseguiria explicar sem muitos detalhes o que estava acontecendo em cada situação. 

Eu me esquivei e dei respostas vagas enquanto o homem me mostrava e me indagava uma por uma das fotografias, até que ele sentou em minha frente novamente e retirou mais uma dentre os papéis, e naquele momento eu senti que meu coração iria parar. Eu simplesmente congelei e pude ver que o homem havia notado o quanto eu havia ficado desconfortável com aquela foto. 

Na foto era os dois serpentes que estavam em minha casa no dia em que o homem foi assassinado em minha cozinha, eles saiam de dentro do meu imóvel com alguns sacos de lixo, o que me fez arrepiar imediatamente em deduzir que o homem morto estava naqueles sacos. 

Minha respiração descompassada me provocou uma certa tontura por alguns instantes, eu buscava em minha mente uma resposta cabível para aquela foto, e o homem impaciente bateu forte na mesa sobre o retrato como se quisesse me intimidar, o que funcionou perfeitamente. 

-Eu pedi para que os rapazes me ajudassem com algumas sujeitas do quintal.- Menti, já sentindo minha garganta seca implorar por água. 

-E a troco de que isso seria feito no meio da noite?- Ele disse em um tom desconfiado. 

-Era o horário que eles possuíam livre.- Disse em um tom baixo enquanto fechava fortemente minhas mãos na tentativa de faze-las parar de tremer, sem grande sucesso. 

-Se continuar mentindo na minha cara, senhora, vai ser muito, mas muito pior pra você.- Ele falou furioso com seu rosto vermelho de raiva. Eu apenas me contrai na cadeira. 

-Eu e Fp tivemos um caso.- Eu cuspi as palavras e ele mudou totalmente de feição me dando um sorriso satisfeito.- Era isso que o senhor queria ouvir?!- Disse irritada. 

-Você e ele?- Ele riu.- Bem clichê a madame se apaixonar pelo bandido, mas não sei se acredito nisso.- Ele caiu na gargalhada fazendo meu sangue ferver.- Mas isso não explica esses serpentes saindo com sacos de lixo da sua casa.- Ele me olhou com as sobrancelhas erguidas, com um sorriso irônico nos lábios, o qual eu adoraria arrancar com um belo de um tapa. 

-Enquanto estávamos juntos Fp era muito protetor, então como eu disse antes, ele mandou os dois homens irem limpar o jardim para mim.- Falei um tanto mais convincente. 

-Eu ainda não engoli essa sua história.- Ele disse ficando sério novamente.

-Eu me divorciei a dois anos, não estive com ninguém desde então, até que Fp apareceu.- Respirei fundo.- Nós já havíamos namorado na adolescência, então Betty começou a namorar o filho dele, e ele surgiu em minha vida novamente no momento o qual eu me encontrava carente. Bad boys sempre me atraíram, e percebi que ainda possuía uma ligação entre nós dois.- O homem me olhava atentamente enquanto eu olhava fixamente nos olhos do mesmo, sem nenhuma expressão.- Então, ele me fez uma visita no Register me agradecendo pelo jantar na noite anterior.- Menti.- E me convidou para ir até o wyrm naquela noite, e eu fui. Nós bebemos, eu fiquei bêbada e ele também, nós nos beijamos e quando dei por mim já estávamos nus. Ele me deitou no sofá imundo daquele bar e me beijou novamente, até que começou a descer seus beijos, do meu pescoço...- Passei a mão levemente no local e pude ver o olhar do homem acompanhar.- Até meus seios, e foi descendo...- Eu falava com a voz suave na intenção de desconcertar o homem e deixa-lo excitado, o que estava funcionando perfeitamente.- Ele segurou meus cabelos, deu tapas em minha bunda, me deixou hematomas do qual eu gostei...- Mordi levemente meu lábio inferior e o homem afrouxou sua gravata e pude perceber uma gota de suor escorrer pelo canto da sua testa.- Se o crime dele foi me dar prazer e o meu foi faze-lo gozar, o senhor pode prender ambos os dois.- Sorri levemente e o homem pigarreou e levantou-se da cadeira e eu tive que conter o riso ao perceber sua ereção.

-A senhora pode se retirar.- Ele falou nervoso e eu levantei com calma e caminhei até ele lentamente parando em sua frente. 

-Mais alguma coisa, agente Williams?- Sorri de canto e ele suspirou. 

-Eu vou ficar de olho em você.- Ele falou sério me apontando o dedo indicador.

-Eu tenho certeza que sim.- Sorri e pisquei para ele logo me retirando do cômodo. 

Eu arranquei até o wyrm ignorando completamente o que Fp havia dito sobre mandar uma mensagem combinando o encontro. Entrei em passos firmes e subi até o local onde o homem costumava estar, caminhei até ele que estava distraído em sua poltrona enquanto lia o rótulo de uma cerveja e tirei a mesma da mão do homem que me olhou furioso e coloquei a bebida na mesa de centro.

-Eu não disse para você mandar uma mensagem?!- Disse enquanto se levantava. 

-Eu não sigo suar ordens!- Falei com raiva.- É você quem segue as minhas, e a primeira é nunca mais apontar uma arma para mim.- Falei entredentes enquanto o empurrava fazendo com que ele caísse sentado na cadeira.- A segunda é não me meter mais em enrascadas como essa, eu livrei sua cara uma vez, agora eu não te devo mais nada, e acredite, não vou livrar de novo!- Finalizei dando de costas para o homem e fui parada por sua mão em meu pulso. 

-Ei!- Ele disse me fazendo virar para ele e eu o encontrei com uma feição de deboche, a qual me deu ainda mais raiva.- Você enganou o FBI?- Ele riu fraco.- O que disse a eles?- O homem perguntou com uma cara de confusão. Eu me aproximei mais do seu corpo, me deixando colada no mesmo. Nossos rostos estavam a poucos centímetros, e por alguns segundos o olhar do homem desviou para o meu decote. 

-Um pouco disso...- Falei após ele olhar para os meus seios.- E eu contei com detalhes da nossa transa naquele sofá.- Sussurrei contra os lábios do homem lançando um olhar de canto para o móvel.- Nunca mais me subestime! Nunca mais me meta em problemas! Você entendeu?- Eu falava com a voz calma e ele me deu um sorriso travesso e sexy ao mesmo tempo.

-Entendido, madame.- Ele disse, provocativo.- E problemas como aquele...- Ele disse olhando rapidamente para o sofá fazendo um frio percorrer a minha espinha.- Eu posso te meter?


In love with a criminal Histórias para pegar e não largar. Descubra agora