Acordei às cinco e meia da manhã sem alarme, meu corpo já havia acostumado com esse horário. Tentei voltar a dormir mas não adiantou, meus olhos nem fechavam, levantei e tomei um banho quente e depois de me trocar desci para tomar café da manhã, meu pai havia chegado quando eu colocava café na xícara.
— O que faz acordada essa hora? — Meu pai perguntou.
— É o horário que eu acordo todos os dias, não consigo dormir depois disso — Digo — Nos primeiros dias eu sofri bastante, até sofri uns castigos pelos sono, então agora estou condicionada — Digo mostrando uma quelóide do tamanho de um dedo um pouco. — Como a mamãe está?
— Ela está melhor, amanhã ela volta pra casa — Ele disse.
— Que horas abre a visita?
— Às dez da manhã — Ele diz.
Eu assinto e vou para quarto ler um pouco, lembro do meu irmão e vejo como ele está, ainda dormindo.
Para acabar com o tédio das sete da manhã, vou me exercitar, sofro mais se eu voltar sedentária. Coloco uma roupa confortável e vou para o jardim. Vejo o céu um pouco nublado e decido começar me alongando. Depois faço trezentas abdominais e quatrocentas flexões, eu já suava. Fiz vários tipos de abdominais e vários tipos de flexões para alternar os músculos trabalhados. Decidi então correr pela rua, peguei meu celular e o fone ( que não usava faz tempo) e decidi colocar na rádio para saber o que havia de novo nas músicas. Corri em direção à minha antiga escola para ver como ela estava, estava bem diferente para falar a verdade, estava mais bonita; dei a volta nela e passei no parque, corri por ele até atravessá-lo, depois cortei pela esquerda a fim de dar outra volta no quarteirão antes de vir para casa, até que sinto alguém me seguir, desvio pelo caminho indo para um lugar um pouco mais movimentado, corto à direita voltando para avenida principal e em poucos minutos chego em casa. Adentro e o Josh já está acordado, subo para o banheiro e tomo um banho. Será que eu estou paranóica?
— Está com dor de cabeça, pateta? — Pergunto ao meu irmão que está tomando um remédio.
— Você não imagina, faz tempo que eu não bebia assim — Admite envergonhado.
— Beber até cair não fazia o seu estilo quando eu saí — Digo — O que aconteceu? São os asteróides?
— Que asteróides? — Ele pergunta confusa.
— Não é possível que você tenha ficado assim só com a academia — Digo e ele ri.
— Você não mudou seu humor, isso é bom — Ele diz.
— Eles até tentaram mas não conseguiram — Digo lembrando das vezes que fui "para sala do diretor".
— Como é lá? — Ele pergunta e o riso some do meu rosto.
— É o inferno — Digo — Os três primeiros meses foram os mais tranquilos, eu tive que ler todo o regulamento e a partir daí tudo piorou, não posso contar quando vezes ele me mandaram para "sala do diretor" — Vejo seu sorriso morrer também — Uma dica, lá não tem um diretor.
— Sinto muito — Ele diz.
— Não precisa se desculpar, você não tem passado bem por aqui também, não é? — Eu digo me referindo às cicatrizes nele.
— Do que você está falando? — Ele se fez de desentendido.
— Eu dei banho em você ontem, eu vi — Digo.
— Para sua segurança é melhor não tocar nesse assunto — Diz com um tom sombrio — Parece que aqui não está diferente. Sabe o que é pior? Eu tenho sofrido tanto naquela escola que não me surpreende a bagunça que nossa família está....
O silêncio reinou e eu o convidei para ir visitar a mamãe comigo e ele prontamente negou.
— O que aconteceu entre vocês? — Eu pergunto.
— A mesma que aconteceu com você — Ele diz. — Ou melhor, que vai acontecer.
— Do que você está falando? — Eu pergunto confusa.
— Eu preciso dormir, está bem? Toma cuidado. — Ele deu um beijo na minha testa e daí foi para o quarto, eu pego meu skate que há tempos não uso e vou para o hospital com ele. Quase não lembrava como se usava, mas rapidamente eu voltei a andar. O hospital não era longe.
— Bom dia, mãe — Digo ao adentrar o quarto. Ela sorriu, estava sentada quando eu cheguei.
— Veio almoçar comigo? — Ela perguntou.
— São nove e meia da manhã, mas sim! — Digo — Como você se sente?
— Estou melhorando — Ela diz
— O que a senhora ia me contar no carro?
— Não lembro — Ela responde e eu desconfio, mas apenas assinto.
— Eu estou me sentindo deslocada — Digo um pouco envergonhada
— Bem, todos nós sentimos assim — Ela diz.
— Na minha mente, eu estou aqui a passeio, é como se minha casa fosse o colégio e eu não quero que seja assim, minha casa é aqui — Digo frustrada.
— Seu lugar é o lugar onde você estiver — Ela tentou sorrir — Seja no colégio ou aqui, é onde você se sente bem!
— Mas eu não me sinto bem lá — Digo apreensiva — Eu sofro!
— Sinto muito por te fazer acostumar com isso! — Ouço um pesar em sua voz — Eu não.... Não queria.... Eles me obrigaram.....
— Quem te obrigou, mãe? — Pergunto — Fala!
— Eu não... Não posso
— Como assim não pode? — Eu pergunto irritada.
Havia desespero e medo na sua voz, seu coração começou a acelerar e o monitor cardíaco a apitar mais rápido.
— Tudo bem, não precisa dizer, fica calma — Digo indo para mais perto dela, pego em sua mão trêmula — Respira, mãe.
Aos poucos ela voltou ao normal e eu sentei ao lado de sua maca.
— Daqui a pouco nós vamos para casa, só mais um dia — Sorri segurando a sua mão. Entraram algumas enfermeiras e eu saí para almoçar. Meu celular vibrou e eu atendi, era o Luke.
— Alô?
— Olá, como está sua mãe? — Ele pergunta.
— Está bem
— E Você, como está?
— Me sinto estranha — Digo incerta — Mas eu sei que vou ficar bem. E você?
— Eu estou bem também, vai voltar que dia para escola? — Sua voz parecia nervosa.
— No mesmo dia que todo mundo, Luke, deixa de enrolação e conta logo o que você quer — Eu Ri.
— Eu vim visitar um amigo, ele está meio mal — Luke diz e eu sinto alguém se aproximar, me viro pronta para o combate quando vejo Luke.
— LUKE? — Indago surpresa — O que faz aqui?
Ele desliga a chamada e me abraça, estranho.
— Eu tenho um amigo que mora por aqui, aí você me disse que sua mãe estava internada no hospital Cruz e souza, então eu resolvi te visitar — O moreno explica.
— Mas se seu amigo estava mal, por que você abandonou? — Pergunto desconfiada.
— Por que eu queria te ver — Ele diz e ruborizo.
— Eu estava indo almoçar — Mudo de assunto.
— Que ótimo, posso te pagar um almoço? — Ele pergunta.
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Casos de Uma Adolescente
ActionMary, uma garota de dezesseis anos decidida e mimada é culpada por algo que não fez. Sua fama de valentona e inconsequente não contribui para sua defesa, já que a mesma não tem um halibe. Ela não é do perfil que espanca pessoas, mas por outro lado...