Mais dias se passaram e Luke veio almoçar mais algumas vezes, o que foi ótimo. Minha mãe já está andando, tomando banho sozinha e hoje é o dia de eu voltar para o inferno.
Josh me levou até o aeroporto e meu pai, pra variar, está trabalhando. Eu decidi não levar minha mãe pois ela ainda não está completamente saudável. Isadora passou todos os dias das férias numa colônia-de-férias e eu só falei com ela por telefone, rara as vezes.
— Tchau — Me despeço abraçando meu irmão bem forte, não me permitindo escapar nenhuma lágrima. Aquele que sempre esteve comigo nos melhores e piores momentos, estando doente, saudável, triste ou feliz, o que cuidou de mim e me ensinou a cuidar dele.
— Tchau — Josh disse correspondendo a força do abraço — Eu te amo, azulzinha.
— Mas eu sou loira — Argumento.
— Só responde o eu te amo — Josh revira os olhos — Que soldado mais difícil aceitar um apelido.
— Eu não sou um soldado — Tranco o maxilar e suspiro. Os olhos azuis e cansados de Josh sustentam meu olhos num misto de tristeza — Mas eu também te amo. — O semblante de Josh suaviza e o beijo carinhoso no meu rosto foi a deixa para que eu embarcasse.
Olhei ao redor e as pessoas me olhavam com estranheza pela farda numa pessoa jovem.
Sento no meu assento, e olho pela janela, aos poucos o avião vai enchendo; um pouco antes das portas fecharem um homem alto, muito alto, de camisa xadrez azul e calça azul jeans azul entra com sua mala também azul, o cara parecia um avatar. Quando ele se virou, seus olhos escuros fitaram o meu rosto de relance mas permaneceram por um segundo no homem meu lado, percebi uma contração no maxilar quadrado.
O sentimento de que eu conhecia aqueles olhos e o queixo quadrado me inundou. O avatar colocou sua mala no compartimento ao lado do meu e se sentou atrás de mim, na saída de emergência.
Eu repousei a cabeça para a esquerda e o avião decolou, calmo e silencioso o avião pairava sobre as nuvens brancas ao nascer do sol. Uma das visões mais linda que meus olhos contemplaram.
Sou despertada de meus pensamentos quando ouço um gemido baixo e sufocado de medo, olho ao meu redor não vejo nada de estranho, tem pessoas dormindo, pessoas lendo, porém nenhum único assento vazio.
Ignoro o que ouvi e volto a me sentar, porém, apreensiva. Alguns segundos se passam e a curiosidade misturada com o ansiedade me tomam. Saio do meu lugar e olho ao redor tentando me concentrar.
— Só posso estar ficando maluca — Sussurro para mim mesma, sinto os olhos do avatar em mim e ignoro indo para o banheiro.
Não é possível que eu já esteja ficando paranóica.
Bato na porta três vezes e encosto meu ouvido na porta de plástico, ouço um barulho contínuo de água, fico ali por mais alguns segundos e a água cessa, me afasto da porta esperando alguém sair e mesmo após alguns segundos nada acontece, encosto novamente o ouvido e o barulho da água torna a vir, meus olhos rolam pela porta até a maçaneta com a etiqueta vermelha "fechado".
Sigo pelo corredor indo até onde ficam as aeromoças.
— Com licença — Digo — Acho que minha irmã está presa no banheiro — Minto para a aeromoça.
— Sinto muito, mas a chave está com outra a comissária de bordo — A morena argumenta.
— Onde está a outra comissária de bordo? — Pergunto imaginando ser a pessoa "presa no banheiro"
— Ela... Bem, já volta — A comissária contorna a falta de informação e sorri.
Agradeço e volto à porta do banheiro e encosto o ouvido, mais corrente de água.
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Casos de Uma Adolescente
ActionMary, uma garota de dezesseis anos decidida e mimada é culpada por algo que não fez. Sua fama de valentona e inconsequente não contribui para sua defesa, já que a mesma não tem um halibe. Ela não é do perfil que espanca pessoas, mas por outro lado...