Os dias passaram rápido desde que minha mãe voltou do hospital, o clima em casa não é dos mais favoráveis, e bem, eu passo boa parte dos dias treinando no quintal. Além de Josh, quem tem me ajudado bastante é o Luke.
— Bom dia — Digo ao meu irmão que está fazendo café, o que líquido que deveria ter a cor escura estava estranhamente aguado. — Café fraco — Faço careta.
— Droga, vou ter que refazer — Josh se irrita colocando mais pó de café e coando novamente.
Rio de sua feição e sigo para sala a fim de assistir alguma série na Netflix.
— Vai passar suas férias assim? — Meu pai pergunta entrando na sala.
— Bem, não há muito o que fazer — Digo sem sentimento e se olhá-lo — Também estou cuidando da mamãe, então já pode sair pra trabalhar.
— Não me trate assim — Meu pai reivindica. — Não use esse tom de voz comigo.
— Não dá pra ser afetiva naquele inferno. Meu tom é assim com todos — Olho em seu olhos como se pudesse ler sua alma — Bom trabalho, papai — Continuo no mesmo tom.
Depois que zapeei o catálogo e não achei nada interessante decidi ir correr pelas redondezas para descontrair. Estava ouvindo a trilha sonora do desfile que a escola faria em setembro para me afeiçoar enquanto corro.
***
Acordo de manhã no apartamento vazio; sem muito a fazer, tomo café e sigo para a empresa.
— Agente Mike trinta e cinco se apresentando — Digo apertando no interfone. Depois sigo para a entrada onde passo pelo scanner de digital e retina. — Bom dia, Meredith, como está o movimento hoje? — Eu pergunto à ruiva-robô recepcionista.
— Pergunte à minha irmã nova — Ela diz com um sorriso irônica. Reviro os olhos e entro no elevador, aperto o botão do meu andar e sigo.
— Bom dia, a gente Mike trinta e cinco — Nova, o sistema de inteligência artificial me cumprimenta pelo sistema sonoro do elevador — Minha irmã disse que o senhor está perguntando pelo movimento. Ele está estável, não há muito trabalho nessa belíssima tarde de inverno.
— Nova? — Eu chamo — Por que não cala a boca? Eu estava apenas provocando Meredith. Pra uma inteligência artificial e um humanoide você e sua irmã são bem idiotas.
— O que o senhor disse? — A inteligência artificial muda o tom e para o elevador, em seguida desce ele com alta velocidade e sobe-o com alta velocidade.
— Para com isso — Digo — Está louca, mulher? — Grito sentindo a pressão das subidas e descidas.
— Peça desculpas — Nova pede gentilmente enquanto joga o elevador pra cima e pra baixo.
— Não! Você nem é gente — Digo começando a sentir a sentir tontura.
— Peça desculpas por isso também! — Nova aumenta a velocidade dos movimentos.
— Não! — Digo veemente — Se continuar assim vai precisar de manutenção logo, logo.
— Peça desculpas! — Nova altera o tom.
— Está bem! — Grito — Desculpa! — O elevador para.
— Você chegou ao seu destino, andar dez — A voz robotizada volta e tudo ao meu redor está girando.
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Casos de Uma Adolescente
ActionMary, uma garota de dezesseis anos decidida e mimada é culpada por algo que não fez. Sua fama de valentona e inconsequente não contribui para sua defesa, já que a mesma não tem um halibe. Ela não é do perfil que espanca pessoas, mas por outro lado...