Capítulo 15

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No outro dia chegou ao escritório cedo, como de costume e se deparou com um verdadeiro caos. Pessoas cochichavam por todos os cantos e conversavam com uma verdadeira expressão de incredulidade no rosto. Do lado de fora uma ambulância estava estacionada e duas viaturas de polícia estavam ao seu lado.

Entrou na sala onde trabalhava e se encontrou o chefe dentro de sua sala conversando com alguns policiais. Bateu na porta educadamente e colocou a cabeça pelo vão.

— Com licença, algum problema, senhor Galhardo? – Perguntou com inocência fingida.

Ele a encarou com o rosto inexpressivo em seguida olhou para o chão, ao seu lado esquerdo. Mackey adentrou mais a sala e acompanhou seu olhar, viu Iolanda ainda ali coma faca cravada no peito e sangue pelo chão. Peritos analisavam o corpo e o local do crime.

— Ah meu Deus! – Arfou – Mas o quê...? Como...?

— Converso com a senhorita depois, pode nos dar licença? – Disse Galhardo ainda incrivelmente calmo.

— Claro!

Ela se sentou em sua cadeira de trabalho e começou a fazer as tarefas do dia, pelo menos tentou fazer. Não estava preocupada que a descobrissem – havia usado luvas – era precavida e não deixara seu DNA no local, portanto, nada a temer.

Depois de algumas horas com os policiais no escritório – e de levarem o corpo – Mackey ficou sozinha com o patrão. Este se jogou no sofá da antessala bufando como se buscasse forças para não explodir ali mesmo.

— O senhor precisa de algo? Quer que eu busque uma água? Um suco?

— Não, senhorita Ashworth. Não preciso de nada. Apenas me deixe pensar um pouco.

— Claro.

Um silêncio constrangedor pairou no local, a não ser pelo barulho das teclas do computador.

— Preciso descobrir quem fez isso! – Disse Galhardo por fim.

— Eu sinto muito por sua perda.

— Ela estava comigo há anos. Nunca falhou uma única vez....

— Ela tinha família?

— Não. Só a mim.

Mackey engoliu em seco, pois sabia que ele estava ressentido e não pararia até descobrir o responsável e fazê-lo pagar. Ele era um homem obstinado e com sede de vingança, mas ela não tinha medo, já encarara pessoas piores que ele. Estava acostumada com a situação.

— Por que será que fizeram isso? – Pergunto ela cautelosa.

— Não faço a mínima ideia. Nada estava fora do lugar. Mas a pessoa, ou pessoas, driblou minha segurança e aqueles vigias imbecis dormiram durante o turno. Tudo estava desligado, as câmeras, os alarmes. Mas esse mistério não vai muito longe, não existe crime perfeito. – Respondeu ele com amargura e uma pitada de fúria na voz.

— Se tiver algo que eu possa fazer....

— Não. Não tem nada. Só preciso que fique aqui hoje. Eu vou para a capital hoje para resolver alguns negócios e cuidar do enterro, se liberarem o corpo, claro. Apenas faça seu trabalho e depois vá para casa.

— Sim, senhor.

Ele se levantou e saiu sem dar uma resposta sequer.

"Negócios, é? Preciso ir para a capital".

Naquela tarde ela reservou a passagem do ônibus e depois do expediente correu para casa e arrumou uma pequena bolsa com algumas roupas. Se Galhardo fosse tomar o rumo de Província dos Reis, ela também iria, além disso, precisava conversar com Augusto.

Codinome ÁrtemisOnde histórias criam vida. Descubra agora