Ficou confinada no quarto o domingo todo, apenas comendo besteira e estudando, tirou um tempo para pesquisar sobre a empresa, sabia que ter conhecimento de sua história era de suma importância e poderia gerar uma vantagem sobre os outros candidatos. Talvez eles fizessem o mesmo, mas ela tinha uma carta na manga. Aquele emprego era seu e ponto final.
No fim da tarde resolveu sair para caminhar pelo bairro, sua memória era boa e ela sabia exatamente de onde tinha vindo e para onde deveria voltar, passando apenas uma vez pelo lugar. Como se na sua cabeça houvesse um mapa sendo traçado. Voltou para a pensão quando já estava escuro e novamente teve de enfrentar uma fila para usar o banheiro. Depois de tudo arrumou suas coisas, roupas, sapato, um currículo que havia levado por precaução e uma escuta que colocaria na própria roupa, assim tudo o que acontecesse na entrevista poderia ser ouvido por Augusto ou algum analista. Deitou-se na cama, mas demorou para pegar no sono, o maior desafio por incrível que pareça, não era espionar Henrique Galhardo, mas sim entrar em sua empresa. Esses empresários costumam ser exigentes, portanto deveria impressioná-lo da melhor maneira possível.
Levantou-se o mais cedo que pode para poder usar o banheiro primeiro, e deu sorte de certa forma, o chuveiro novamente demorou a esquentar, mas ela já estava se acostumando com isso. Saiu e colocou a roupa que sinceramente achou que a deixou ridícula, prendeu os cabelos e fez a melhor maquiagem que pode, no fim nem parecia que tinha levado uma surra dois dias atrás. No entanto a marca no tornozelo ainda persistia e para esconder ela escolheu uma sandália de tiras largas que ajudou e muito. Colocou os óculos de grau - que na verdade não possuía grau algum - a escuta por dentro da saia e saiu apressada. Pediu um táxi e enquanto esperava aproveitou para mandar mensagem para a agência avisando que estava a caminho do local. A entrevista era às 10h00min, então estava na hora certa, por mais que não gostasse de ingleses, possuía a pontualidade de um.
O lugar era um pouco afastado da cidade, ao redor se podia ver as várias árvores ali plantadas, uma estrada de cascalho se abria entre aquela mata e uns 300 metros adiante ficava a fábrica. Eram dois galpões, um ao lado do outro, no maior podia-se notar que ficava a produção, no outro, no entanto, não se podia ter certeza do que era. Adentrou em uma pequena porta do maior e se deparou com algo totalmente diferente do que era do lado de fora, a sala era tão branca que quase chegava a brilhar, um balcão com uma atendente ficava logo à frente, duas pequenas árvores decoravam o lugar e uma estátua de mármore se erguia imponente. Não teve muito tempo para ficar observando tudo porque uma mulher baixa de cabelos castanhos chamou sua atenção:
- Com licença, você veio para a entrevista?
- Ah, sim. Onde eu posso encontrar o senhor Galhardo?
- Venha comigo, por favor - Respondeu meio ríspida entrando no elevador, para logo depois consultar o tablet em sua mão - Suponho que seja Aurora.
- Sim, sou eu.
- Só faltava você chegar. Todos já estão aqui.
- Mas... Eu estou adiantada.
- Estar adiantada não é o suficiente, garota.
Elas saíram do elevador e se dirigiram a uma pequena sala no fim do corredor acarpetado e pintado de cinza. Impressionante, logo na entrevista ela já falhava. Quem poderia culpa-la? Nunca estivera em uma! Como ia adivinhar que os outros chegariam tão cedo quando ela mesma estava uma hora adiantada?
A antessala era pequena, pintada de creme com um pequeno sofá vermelho e uma mesa de madeira maciça onde provavelmente a secretária sentaria.
- Bom dia, como sabem quem vai entrevistar vocês, é o próprio Sr. Galhardo. Então peço que aguardem até que ele chegue. - Avisou a mulher.
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Codinome Ártemis
AcciónMackey é uma das melhores agentes de sua organização. Ninguém nunca soube seu verdadeiro nome, e por isso a intitularam como Ártemis. Ninguém se atrevia a cruzar seu caminho, pois apesar da pouca idade, ela era implacável e fria. Nunca volta sem um...
